Karen Eu sempre soube reconhecer quando o mundo se movimenta sem me consultar. Quando portas se fecham sem barulho. Quando alguém volta para um lugar onde jurou nunca mais pisar. Quando uma mulher aparece onde não deveria aparecer. E Ivy… ela tinha voltado. A informação me chegou como chegam as coisas importantes: em sussurros. Gente que fala baixo, gente que observa demais, gente que adora ver espetáculo contanto que não seja o próprio. Eu estava no saguão da empresa, ajustando a pulseira que combinava com meu blazer novo, quando ouvi duas funcionárias cochichando. — Ela está aqui. — A Ivy? — Sim. Diz que está morando com ele de novo. Morando. Com ele. De novo. Eu não sou o tipo de mulher que surta. Eu analiso, penso, planejo. É isso que me torna melhor que todas elas. E melho

