Avançando

1402 Words
Johnathon POV Quando conseguimos sair da boate, Charlotte estava uma bagunça e ainda furiosa com o tapa. "Não consigo acreditar que aquela v********a me tocou assim", ela cuspiu, enquanto saíamos pela porta, Charlotte cambaleando um pouco em seus saltos. Me aproximei para ajudá-la a se equilibrar e ela me encarou com raiva, enquanto eu apertava meu maxilar. Ela estava me culpando pelo que aconteceu? Foi o temperamento de Charlotte que fez Flair dar o tapa em primeiro lugar! Se ela tivesse deixado pra lá, ou simplesmente ficado quieta, estaria bem. Ela não precisava ter se intrometido daquela forma. "Deixa pra lá, Charlotte", eu disse com firmeza e ela arfou, virando a cabeça para me encarar indignada. "Deixa pra lá", ela disse com voz estridente, seu tom agudo perfurou meus ouvidos e me fez franzir "sua ex-esposa acabou de me agredir e é só isso que você consegue dizer?" ela gritou "é 'deixa pra lá'?" "O que exatamente você quer que eu diga?" perguntei friamente "você se intrometeu e a provocou. Eu tinha tudo sob controle." Eu estava intensamente ciente dos repórteres saindo da boate e Charlotte também, pois mesmo com seus olhos pegando fogo, vi ela morder o lábio e ficar em silêncio, marchando em direção à limusine enquanto o motorista abria a porta apressadamente para ela. Corri para ajudá-la a entrar e entrei também, suspirando aliviado quando o motorista fechou a porta, impedindo os repórteres de verem ou ouvirem mais alguma coisa. Charlotte ainda estava emburrada, seus lábios vermelhos como rubi franzidos de maneira nada atraente. "Você tem ideia do quão humilhada estou?" ela sibilou. Eu tinha uma ideia razoavelmente boa. Olhei para ela com um pequeno grau de simpatia, mesmo lutando contra a onda de admiração que me atingiu em relação a Flair. Durante todo o nosso casamento, Flair parecia dócil e submissa e agora, ela mostrou um lado que eu nunca havia visto antes. Será que toda a sua docilidade era uma farsa? Por quê? Franzi a testa e Charlotte estendeu a mão e segurou a minha. "Johnathon, você não entende?" ela choramingou "o vovô vai ficar furioso quando os jornais publicarem a notícia amanhã." Eu pisquei e me concentrei nela. "Seu irmão vai te ajudar?" perguntei novamente e ela pareceu contrariada, soltando uma risada amarga. "Grayson, ajudar?", ela provocou "ele me odeia. Ele preferiria me ver sofrer do que me ajudar. Como se fosse minha culpa que meu pai se divorciou da mãe dele e se casou com a minha." Eu a observei com ceticismo. Sentia que tinha mais na história do que apenas isso, mas Charlotte evitou meu olhar. "Então, não sei o que quer que eu faça, Charlotte. m*l tenho poder para exigir que os jornais não publiquem a história. Por que você não tenta usar o seu nome para conseguir que parem?" Ela se desanimou. "O vovô e o Grayson são os únicos com autoridade para impedir que os jornais publiquem a história. Se envolver o meu avô, ele vai ficar ainda mais furioso comigo." Suspirei. "Talvez os jornais se concentrem mais em Flair, que te agrediu, do que em você", sugeri com otimismo, fazendo Charlotte se animar e sorrir. "Claro, por que não pensei nisso? Flair não é ninguém, então certamente vai atrair mais interesse do que eu. Além disso, tenho certeza de que eles não ouviram o motivo pelo qual ela me deu o tapa" disse ela com esperança "aposto que vão demonizá-la!" Ela se acomodou nos bancos, parecendo bem mais alegre. Queria sacudir a cabeça diante dela. Às vezes, ela era como uma criança. Não pude deixar de compará-la a Flair, que era tão equilibrada e doce. Isso me fez franzir a testa. Por que eu estava pensando em minha futura ex-esposa, quando tinha uma herdeira deslumbrante à minha frente, com uma fortuna ao seu alcance, pronta para me conceder todos os meus desejos assim que nos casássemos? Eu precisava parar de ser tão nostálgico. Flair entendia minhas ambições de ser um advogado influente e alcançar o sucesso. Nunca foi segredo, mas eu mesmo tinha que admitir que ela poderia ter descoberto sobre Charlotte de uma maneira menos dolorosa. Eu devia isso a ela, pelo menos, mas Charlotte era c***l, querendo que Flair descobrisse da maneira mais humilhante possível. Ela estava cansada de esperar que eu pedisse o divórcio e havia encontrado um jeito de fazê-lo acontecer. "Pra onde estamos indo?" perguntei calmamente, enquanto a limusine atravessava a cidade grande, olhando pela janela, perdido em contemplação. Charlotte franziu o cenho. "Vamos voltar para a casa da família, é claro", ela respondeu um pouco irritada "você não pode esperar que eu lide com o vovô sozinha, não é? Pelo menos com você lá, ele vai ter que controlar um pouco o temperamento" disse com uma careta "embora duvide que seja muito." Ótimo. Mas Charlotte não tinha terminado "quando você vai enviar os papéis do divórcio para Flair?" exigiu ela gelidamente "e fazer com que ela os assine? Quero poder informar ao vovô que planejamos nos casar em breve. Além disso", acrescentou significativamente "já se passaram mais de seis meses desde que começamos a sair, Johnathon, e eu esperei tempo suficiente." "Seis meses não é muito tempo, Charlotte, de jeito nenhum", contestei, alisando minha camisa "e eu enviarei os papéis do divórcio no momento adequado", adicionei, fazendo-a me encarar com fúria. "Eu quero que eles sejam enviados, Johnathon," ela exclamou. "Me recuso a ficar esperando. Quero um anel no meu dedo e quero me casar. Quanto mais cedo você e aquela v***a da Flair se divorciarem, melhor. Assim, finalmente poderei colocar as mãos na empresa que meu avô se recusa a entregar." Fiquei olhando para ela. "É disso que se trata, não é? A empresa? Seu avô colocou uma condição, não é?" Charlotte deu um sorriso presunçoso. "Ele colocou. Para herdar a maldita empresa, eu ou Grayson temos que nos casar primeiro e fornecer um herdeiro. Mas o herdeiro tem que ser concebido dentro do casamento. Então, quanto mais cedo nos casarmos, mais cedo poderemos começar a fornecer o herdeiro" ela disparou. "E então eu fico com a empresa, não meu irmão bastardo, Grayson." Ela bateu condescendentemente em meu joelho. "E não é como se não houvesse vantagens para você," ela disse, com um sorriso. "Você não só será dono da metade da empresa comigo, mas também poderei direcionar os clientes para o seu escritório de advocacia. Você receberá toneladas de negócios e tantos clientes que não conseguirá acompanhar. Todos eles ricos. Você se tornará um bilionário por mérito próprio. É um ganha-ganha, e teremos filhos para passar os negócios adiante." "Você não mencionou nada disso antes, Charlotte," eu disse, um pouco surpreso, mas também secretamente emocionado. Uma participação de cinquenta por cento na maior empresa do mundo, que tinha bilhões de lucros ano após ano? Que homem abriria mão de uma oportunidade assim? Tudo que eu precisava fazer era casar com Charlotte e ter um filho com ela? Em retrospecto, não parecia tão difícil, e eu poderia passar minha vida luxuosamente, construindo um prestigiado escritório de advocacia que rivalizaria com qualquer um do país. Sentia meu coração acelerar com o pensamento, minhas mãos ficando úmidas. Charlotte me olhou com conhecimento. "Não pude arriscar contar isso antes," ela disse despreocupada, "mas agora confio em você, Johnathon. Não há outro homem com quem eu preferiria me casar além de você," ela acrescentou, jogando o cabelo para o lado, seus olhos brilhando para mim. "Mas Charlotte, não consigo imaginar você cuidando de uma criança," eu disse, franzindo a testa. Ela não parecia do tipo materno. Charlotte riu, jogando a cabeça para trás. "Johnathon, você é hilário," ela disse. "Naturalmente, nossa criança será criada por babás. Não pretendo ser uma mãe dedicada," ela se arrepiou ao pensar nisso. "A ideia de trocar fraldas e amamentar durante a noite, urgh," ela fez uma careta. "É repulsivo", ela reclamou. Senti uma pontada com aquilo. Sempre quis ter filhos e nunca pensei em terceirizá-los. Convenci a mim mesmo que seria um preço pequeno a pagar pelo que receberia em troca. Nosso filho ainda seria amado e bem cuidado. Ignorei a vozinha em minha cabeça que protestava e sorri amorosamente para Charlotte. "Muito bem, cuidarei dos papéis do divórcio, agora que sei o motivo da urgência, meu amor," disse lealmente, fazendo seu rosto se iluminar. "E então podemos anunciar nosso noivado para a mídia, o que deve deixar sua família feliz."
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