Baba Yaga estava sentada no alto galho da figueira centenária que ficava nos fundos do jardim da biblioteca. A madeira áspera da árvore apoiava suas costas com firmeza, e o vento leve da tarde girava as folhas ao seu redor, como se girasse também os pensamentos dela. Nas mãos, um exemplar antigo de "O Mestre e Margarida", com as bordas amareladas e anotações em russo nas margens. Seus olhos corriam as palavras com uma estranha calma — como se estivessem buscando pistas ocultas, ou apenas se escondendo da realidade lá embaixo. Um cigarro apagado repousava no canto da boca. Ela não o acendia há semanas, mas carregava-o como se fosse parte do uniforme que moldou para si mesma. Então ouviu. — Você ficou sabendo? — disse uma voz vinda do chão. Baba Yaga não olhou imediatamente. Continuou l

