Capítulo 7

1256 Words
Dylan Respiro fundo ao sair do carro, com o coração batendo forte no peito. E lá está ela. Scarlett. Por um instante, tudo dentro de mim se encaixa, como peças de um quebra-cabeça que, até então, estavam espalhadas e esquecidas. Ela. Ela é tudo o que eu quero. Tudo o que sempre quis. Ontem à noite, e até mesmo esta manhã, depois de vê-la caminhando pela rua ao lado de uma jovem, vacilei entre o dever e o desejo. Mas agora, ao vê-la diante de mim, o dever evapora como névoa ao sol. Só resta o desejo. A certeza. O instinto de que preciso tê-la de volta. A jovem... deve ser sua filha. Um nó se forma em minha garganta. Tristeza — e sim, ciúme — me invadem por ela ter construído uma família sem mim. Uma dor surda se instala no meu peito. Penso na vida que poderíamos ter tido. No futuro que nos foi roubado. Consigo imaginá-lo com nitidez c***l: Scarlett e eu casados, criando nossos filhos, construindo uma vida cheia de amor e risos. Um futuro que imaginei durante anos, mesmo quando ela desapareceu da minha vida sem deixar rastros. Quando ela foi embora, foi como se uma parte de mim tivesse morrido junto. Afundei em uma personalidade sombria. Me joguei de cabeça no lado mais implacável e violento de mim mesmo, aquele que eu sempre tentei manter sob controle. Tornei-me frio, calculista. Mergulhei nos negócios da família com uma fome destrutiva, consolidando minha reputação de líder impiedoso. Mas o momento em que vi Scarlett novamente... tudo mudou. Ainda não sei os detalhes do que aconteceu naquela época. Por que ela sumiu. Por que nunca me disse onde estava. Mas agora? Agora isso não importa mais. Ela é mãe. Provavelmente casada. Mesmo assim, avanço. Determinado. Eu vou recuperar o que foi tirado de mim. — Scarlett. — Sorrio, esperando que ela reconheça no meu rosto o homem que um dia amou. Ou, no mínimo, que minha presença desarme suas defesas. — O que você está fazendo aqui? Como me encontrou? — Seu tom é cortante, e há medo em seus olhos. Ela olha ao redor como se esperasse que alguém saísse das sombras. Levanto as mãos num gesto de paz. — Não parei de pensar em você desde que te vi. — A verdade é que eu nunca parei. — Eu precisava te ver. Seus lábios se contraem numa linha fina. — Você não deveria estar aqui. A amargura em sua voz me corta, mas não recuo. — Scarlett, por favor. Você está bem? Eu só quero... — Você não pode estar aqui —, ela repete, quase num sussurro aflito. Será que ela tem medo de mim? Ou do que represento? — Garanto que você não corre perigo por minha causa. — Você não faz ideia. — Ela passa por mim apressada, em direção à porta. Agora estou preocupado. Tem algo errado. E não tem nada a ver com o meu passado. — Vá embora — diz ela ao destrancar a porta. — Não posso. Não até você me contar o que está acontecendo. — Não é da sua conta, Dylan. — Ela está desesperada em manter a fachada de durona, mas há rachaduras em sua firmeza. — Você… você é da minha conta. Ela olha por cima do ombro, e eu me viro para ver o que a preocupa tanto. — Tudo bem. Entre. Antes que alguém te veja. Quando a porta se fecha atrás de mim, ela gira para me encarar. — Por que você está aqui? — Eu te disse. Eu precisava te ver. Você está linda. — Ela pisca, surpresa, como se não esperasse esse tipo de sinceridade. Arrisco e toco sua mão, puxando-a devagar até meu peito. — Nunca parei de pensar em você. — E quando a toco, sinto de novo aquela faísca elétrica familiar. Instantaneamente, sou transportado de volta aos beijos roubados, às promessas sussurradas de um futuro juntos. Aquilo ainda está aqui. Entre nós. Forte. Incontestável. Os olhos de Scarlett se arregalam, e por um momento vejo um vislumbre da garota que conheci. — Dylan, eu sou casada. — E daí? Eu não sou o tipo de homem que vai atrás de mulheres casadas. Mas, por ela, não existe regra que me impeça. — Você está feliz? Ela puxa a mão de volta. Não porque está desconfortável, mas porque sente também. E tem medo de sentir. — Isso não importa. Eu ainda estou... — Importa sim. — Levo a mão ao seu rosto. Ela se encolhe. Como se esperasse que eu a machucasse. Em vez disso, acaricio sua bochecha com as costas dos dedos, suavemente. — Você está tão linda… mas também tão cansada. Cautelosa. Você não está feliz. — Isso não muda nada. Mas estou começando a ver sua máscara se desfazer. — Muda sim. Porque você merece ser feliz. Você ama seu marido? Como consegue, se está tão medrosa, tão... infeliz? Os olhos dela brilham com hesitação. É pouco, mas real. O suficiente para reacender minha esperança. — Você não sabe nada sobre mim... e não tem o direito de saber. Você e eu existimos em outro tempo. Ela não n**a o que eu disse. Não diz que ama o marido. E para mim, isso é tudo. — Eu posso te fazer feliz, Scarlett. Você sabe que posso. Você sempre soube. — É tarde demais. — Nunca é tarde demais. — Seguro seu rosto com as duas mãos, firme, porém gentil. — Você e sua filha merecem o mundo. Ela abre a boca, mas nenhuma palavra sai. Posso quase ouvir os pensamentos girando dentro dela. Está lutando contra algo — ou alguém — dentro de si. E então, a vejo vacilar. — Scarlett — sussurro, com aquela voz que ela costumava dizer que amava. — Eu não sei o que aconteceu antes... — Você sabe. — Não. Só sei que o passado ficou para trás. O que importa está aqui. Agora. Você não sente? Ainda é tão forte quanto antes. A gente tinha algo especial, Scarlett. Algo que eu nunca consegui encontrar de novo. E você também não. — Isso é presunçoso e arrogante. — Então diga que estou errado. Meu olhar cai para os lábios dela, mas me forço a voltar para os olhos. Não vou me precipitar. — Você se lembra? De como a gente ria? De como fazia planos? Eu nunca deixei de desejar isso. Nunca deixei de te esperar. E agora... aqui está você. Ela funga, e vejo lágrimas começarem a se formar. — Dylan... isso foi há quase uma década. Éramos só dois adolescentes presos numa fantasia. — Não era fantasia. Era real. Eu te amava. Ainda amo. Seus olhos se arregalam. Por um instante, vejo a garota que um dia me amou. Mas logo ela se esconde de novo. — Pare. Ela se afasta. Mas não consigo parar. — Diga que você também sentiu. Diga que ainda sente. Você sente, Scarlett. Eu sei que sente. Antes que ela proteste, tomo seu rosto entre as mãos e a beijo. Ela fica tensa. Espero o tapa. O empurrão. Mas nada disso vem. Em vez disso, ela se rende. Se derrete. Me puxa pelas lapelas do casaco e me beija de volta. E, por um instante, tudo desaparece. O mundo some. É só ela e eu. O gosto, o toque, a sensação… tudo é novo e antigo ao mesmo tempo. Como voltar para casa depois de uma longa guerra. Ela é minha. E dessa vez, não vou deixá-la escapar.
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