O plano do meu sogro, apesar de ser muito elaborado, tinha seus problemas, então eu teria que ser muito cuidadosa para que Fernando não descobrisse o contrato. Eu gostava da ideia de incomodar um pouco ele e Paola. Aos 18 anos, minha Nana tinha sido um pouco permissiva com a minha educação como uma dama da sociedade, mas depois do que aconteceu com Fernando, ela se tornou mais rigorosa sobre como uma dama da minha categoria deveria se comportar. Eu nunca deveria mostrar minhas verdadeiras emoções, nunca deveria parecer fraca, sempre deveria sorrir, para que ninguém pudesse ler através do meu rosto.
Meu sogro e eu procuramos o momento perfeito para o meu retorno, algo que não permitisse que Fernando escapasse, então tinha que ser um evento público com muitos jornalistas. Iríamos pegá-lo de surpresa e, a partir daí, o obrigaríamos de forma indireta a me devolver ao meu lugar, o que faria Paola ficar furiosa.
O dia chegou, era um evento de premiação, cheio de celebridades, pessoas da alta sociedade e, acima de tudo, jornalistas. Então me preparei: escolhi um elegante vestido de seda vermelho, com decote em coração e mangas caídas, ajustado nos lugares certos, que mostrava minhas curvas sem ser vulgar, com uma f***a na perna. Prendi o cabelo e fiz uma maquiagem que ressalta meus olhos cinzentos.
Tudo estava planejado, me escondi entre as pessoas, esperando o carro dele chegar. E quando chegou, me aproximei. Ele desceu do carro e os flashes das câmeras começaram a disparar, o que me deu a oportunidade de me aproximar sem que ele percebesse. Segurei seu braço, o que o surpreendeu, ele me olhou e eu abri um sorriso.
- Querido, sentiu saudades de mim?
- Isabella, o que você está fazendo aqui?
- Parece que viu um fantasma, tire essa expressão do rosto, tem câmeras na sua frente. E respondendo à sua pergunta, quis acompanhar meu marido. O convite que você recebeu dizia que o Sr. e a Sra. Thompson e, até onde eu sei, essa sou eu. Então, por que não vir? Vamos, vamos - disse, fingindo arrumar seu terno e gravata, puxando-o um pouco para começarmos a caminhar pelo tapete vermelho.
Pelas câmeras, ele não teve escolha a não ser seguir o fluxo, mas em seus olhos eu pude ver que ele estava furioso. Chegamos onde estavam os entrevistadores e eles ficaram surpresos ao me ver.
- Sra. Thompson, parece que pela primeira vez decidiu acompanhar seu marido e não ficar em casa.
- Bem, você sabe, eu nunca participei desses eventos, não porque ficava em casa. Há uma explicação um pouco mais complexa do que isso - senti Fernando apertar minha mão, ele não queria que eu arruinasse sua imagem de marido compreensivo e amoroso.
- Sério? Pode nos contar? - perguntou o repórter.
- Na verdade, é uma história chata. Tenho uma mente um pouco privilegiada e, quando me casei, aos 18 anos, estava prestes a terminar a faculdade de medicina. Meu marido, para que eu pudesse levar uma vida de estudante normal, manteve meu verdadeiro paradeiro em segredo. Pude estudar tranquilamente, sem ter uma vida tão exposta à mídia. Ele se sacrificou pelos dois enquanto eu era residente de cirurgia. Graças a isso, pude concluir minha carreira sem me preocupar com esses eventos também.
- Sério? É uma surpresa uma mulher tão jovem e bonita ser médica.
- Fico um pouco ofendida que diga isso - disse em tom de brincadeira.
- Bem, você entenderá que isso não é normal para mulheres da sua classe. Nem todas se tornam médicas, muito menos cirurgiãs.
- Bem, você pode ver que meu marido não escolheu qualquer um para se casar. Ele escolheu uma mulher inteligente, não é mesmo, querido? - Fernando me olhou e fingiu seu melhor sorriso antes de responder.
- Claro, eu não iria me casar com qualquer pessoa.
- Entendi. Mas agora você está disposta a acompanhar mais frequentemente seu marido?
- Claro, não posso deixar meu belo marido sozinho por muito tempo. Agora, se nos da licença, acho que já foram feitas perguntas o suficiente por enquanto.
Assim que terminamos de percorrer o tapete vermelho, o assistente se aproximou de nós e nos guiou para nossos assentos. Presumo que o assento em que estou agora é o de Paola, pois Fernando está nervoso olhando para todos os lados.
- Está procurando alguém, querido?
- Não sei o que você está tramando, Isabella, mas esse jogo seu não vai funcionar.
- Primeiro, relaxe o rosto e mostre um sorriso, querido. Estamos em um lugar público, as pessoas vão pensar que estamos discutindo. E, em segundo lugar, não estou brincando com nada, só vim a um evento para o qual fui convidada para acompanhar meu marido.
- De onde você tirou essa história absurda de ser médica?
- Bem, querido, a verdade é que eu sou. Permita-me me apresentar: sou a Dra. Isabella Castrioti, neurocirurgiã no Hospital Universitário.
- Você acha que vou acreditar na história de que uma mimada como você fez algo como estudar? Com certeza você só fez compras e viajou esse tempo todo.
- Querido, você não precisa acreditar em mim, a verdade é que não me importa se acredita ou não. Mas acho que você está me confundindo com sua amante. Aliás, lá vem ela. Diga para ela não fazer um escândalo em público, tudo bem?
Paola começou a falar histérica, eu apenas a observei com um sorriso no rosto antes de responder.
-Paola querida, quanto tempo sem te ver, é uma pena que este lugar esteja reservado para a senhora Thompson e até onde me lembro, essa sou eu e não você. O convite também estava direcionado a mim acredito, querida, que você está sobrando aqui. Por que não se comporta um pouco e para de passar vergonha? Já permiti que se divertisse às minhas custas por muito tempo. Veja, Fernando, é por isso que você não deve sair com mulheres sem classe. Faça com que ela vá embora, se não quiser que eu chame a segurança para expulsá-la, já que ela entrou usando o meu nome - ela me encarou com os olhos arregalados - Sim, querida, você pensa que não sei que tem usado o meu nome todos esses anos? Isso me envergonha um pouco. As pessoas devem pensar que sou vulgar por sua causa.
-Fernando, você está ouvindo o que essa garota me disse?
-Isabella, chega.
-Não disse nada que não fosse verdade, querido. Se quiser, pode ir embora com ela, dou permissão. Só lembre da quantidade de repórteres lá fora. Se me virem saindo sem meu amado marido, vão fazer perguntas e não vou ter outra escolha senão dizer que você saiu com sua amante. Enquanto eu me esforçava nos meus estudos, meu marido estava se envolvendo com uma v***a. A escolha é sua, querido.
O olhar que Fernando me lançou estava cheio de raiva. Eu sabia que o tinha nas mãos e ele não teve outra escolha além de se livrar de Paola. Disse a ela que era a primeira e última vez que permitiria isso, mas que ela deveria entender que havia repórteres do lado de fora e que eu tinha ameaçado expô-los, o que seria prejudicial para a empresa dele. Ela me olhou com raiva e não teve outra opção além de ir embora. Eu me despedi dela.
-Adeus, Paola. Nos vemos em casa, querida.
Durante toda a noite, agi como uma esposa amorosa e Fernando não teve outra opção além de jogar junto comigo.