Calada, foi assim que Bia ficou durante a volta da excursão, deitada no colo de sua amiga, mas sem conseguir fechar os olhos, ela se via amedrontada. Em sua cabeça o olhar de seus pais desaparecendo perante seus olhos lhe dava medo, o que causava arrepio era a expressão que eles tinham, não possuía terror, era superioridade e orgulho, não parecia alguém prestes a ser levado. Bia não sabia o que esperar se é que ela não estava ficando maluca, a chama que queimava em seu coração, comparava-se com as borboletas em sua barriga, negando-se a sumir. De repente ela ouviu um estrondo olhou para o lado e tudo que viu era verde, maravilha, o ônibus havia empacado no meio de uma floresta, não que houvesse muitos lugares diferentes, mas poderia ter sido perto de alguma cidadezinha, ela suspira levantasse e sai do ônibus, o ar parado já a estava sufocando, percebendo que Lara a segue, vai ate a entrada da floresta, sentasse em uma pedra e espera sua amiga chegar.
-Bia, você esta bem?
Pensei em contar, se naquele momento o tivesse feito a pressão teria sido menor e talvez somente talvez as coisas diferentes, mas não o fiz, dizer do o medo que algo acontecesse com os meus pais por causa de uma visão mostrada a mim em um poço parecia burrice, então eu escapei do assunto:
-Conheci um garoto.
Os olhos dela brilharam pois essas palavras saindo da minha boca, ainda por cima como uma demonstração de interesse podia-se considerar uma missão quase impossível, pensando bem não sei se foi a melhor saída, porque Lara já estava com o interrogatório pronto:
-Era bonito? Qual o nome? cor do cabelo? Olho azuis ou verdes? Cheirava bem?-nem me pergunto por que ela queria saber isso- Qual o nome? Idade? Quanto conversaram? Como se conheceram?- jurei que chegaria o momento que ela me perguntaria até mesmo sobre a pulseira que ele usava, aliais parecia floco de neve, não que estivesse reparando eu simplesmente percebi.
- O nome dele era Endrew e...
Não terminei de responder quando o vento aumentou, ok, parece idiotice entretanto esse estava quente, bem quente, ao olharmos para o lado percebemos uma passagem entre as arvores, eu tinha certeza que ela não estava ali antes ou pelo menos eu jurava que não, Lara me chamou e puxou, mas como no poço fui atraída, ela me seguiu, minha mente estava focada e com o objetivo incerto de encontrar o lugar para o qual estava sendo levada. Entro em uma enorme clareira com uma espada de gelo no centro, olhando mais de perto vejo o rosto intrigado de Endrew, como se ele também pudesse me ver, esse levanta mão mas não chega a me tocar pois eu o toco primeiro entretanto o que eu sinto é o frio da espada, que por sinal parecia que meus dedos estavam presos no congelador, beleza focando, eu lembro de ter olhado para cima e visto o céu ficar vermelho e refletindo a terra tornam-se gelo, sinto começar a chover suco de morango, pensado melhor agora talvez fosse sangue, da espada sai uma onda de poder neutro mas mortal, ela brilha e explode deixando apenas uma frase para traz ´´TRAIDORA DE SANQUE`` levo um susto viro procurando a Lara mas ela não esta ali quando ouço sua voz:
-Bia, Bia, Biaaa!!!
Quando eu grito para ela:
-virou espirito foi?
Olho para o lado e vejo todos dando risada, eu estava dormindo, agora fazia sentido ou talvez não, minha amiga me olha como maluca e diz:
- vamos, já chegamos no colégio
Para dizer a verdade eu não sei como passei as ultimas horas no colégio, explicações, chamada, e não sei mas o que, minha mente só tinha três palavras cravadas: casa, pais, aconchego. Passando o que pareceu uma eternidade, me despeço de minha amiga na entrada e sigo meu caminho como uma bêbada sem ver exatamente por onde ando, apenas andado pelo instinto involuntário, ao me aproximar de minha casa começo a escutar sons de conversas altas, sirenes, levanto o olhar e vejo um monte de carro de policia. O poço, os sussurros, os gritos me desemperro e chego perguntando:
- cadê eles? cadê meus pais?????
Todos me olham com dó, chega alguém ate mim e diz:
- eu sinto muito, eles sumiram
-cadê meus pais- eu insisto mas o que recebo é pena e só pena, olho envolta e desacreditada solto uma risada e digo:
-Beleza pode sair equipe de pegadinha.
Bem, no final não era a uma piada eles se foram eu estou sozinha com os meus medos, quando ouço uma voz.
-filha, filha - vou ate ela e suspiro a abraçando mas passo direto, eles não estão aqui é apenas uma sombra, uma visagem
-não minha princesinha ardente, eu sou real apenas fraca, quero que me encontre amor, estarei esperando te esperando e seu pai também, amamos você.
-Mãe não...não mãe
Assim ela se vai e com ela um grito sai de minha garganta expulsando o fogo que queima em meu coração, transformando esse em combustível, meus olhos se abriram, eu não via mas, vermelhos, e toda a casa pegou fogo queimando vagarosamente até ficar em ruinas e sobrar no centro dela uma menina que chorava e implorava por seus pais.
Bia não persebeu quando um garoto chegou e colocou sua pulseira nela discutindo com seu amigo, nem quando esse lançou um sinal de alerta e saiu correndo, ela não viu uma mulher e um homem sair da terra pega-la no colo e levá-la para sua casa, nem mesmo sua amiga debruçar-se sobre ela implorando sua volta e tentar remover a pulseira o que fez com que seu corpo se incendiasse novamente, causando uma grande comoção.