O sangue fresco era incrível, o gosto era algo inexplicável, algo como um manjar dos deuses, você podia sentir o gosto da vida nele. O cheiro me embriagava e era tão extasiante, como uma d***a, a cada pessoa que eu matava e tomava seu sangue, mais sangue eu queria.
Quantos eu já tinha matado? Sinceramente, não lembrava, e não me importava. No começo eu achava a caça prazerosa, mas no fim é sempre o mesmo. Quando se dão conta do que está acontecendo, por mais cheios de vida, os olhos deles sempre perdiam aquele brilho, eles desistiam.
Eles não queriam mais lutar, eles perdiam a vontade de viver. Mas ele não, mesmo impotente, mesmo chorando, em momento algum ele se entregou. Ele era interessante.
-Por favor, senhor não me machuque.
Os olhos dele me olhavam cheios de esperança, cheios de vida.
-Por favor, noona venha me salvar...
Eu não conseguia parar de olhar, ele era uma criança, com apenas um toque eu podia matá-lo. Mas porque ele tinha aquele olhar? Eu não entendia. Só sabia que aquele garoto tinha um cheiro especialmente bom, era doce e fresco. Se ele cheirava tão bem, como seria o gosto? Só a ideia de experimentar seu sangue já me deixava animado. Só de olhar para o seu pescoço minhas presas apareceram, meu corpo já não estava sobre controle.
Eu iria sugar todo o sangue dele, deixá-lo sem uma única gota. Seu pescoço era tão branco que parecia refletir a luz da lua. Enquanto me aproximava, ele me chutou. Ninguém nunca havia revidado, todos perdiam a vontade de viver. Mas ele ainda queria e lutava por isso. Mesmo assustado e chorando, ele tinha coragem.
-HAHAHAHA, você, eu gosto disso no seu olhar. Isso é o que Jay diz que vocês tem não é?! A vontade de viver!!! Isso é muito divertido. Hahahahha
Jay havia dito que todos os humanos têm isso. Mas eu já havia matado tantos, e no fim sempre era o mesmo. Essa vontade simplesmente desaparecia. Ele era diferente. Já havia matado crianças antes, mesmo elas desistiam quando me encontravam.
Os olhos brilhantes agora me olhavam como se não estivessem entendendo nada, em completa confusão e incredulidade. Será que ele perderia aquele brilho com tempo? Ou mesmo depois de anos ele continuaria o mesmo? Eu queria vê-lo no futuro, ver se ele seria como todos os outros, ou se ele seria diferente. Talvez se eu o tivesse matado naquele momento, hoje ele não seria minha perdição.
-Qual seu nome?
-minha mãe me disse para não falar com estranhos.
-HAHAHAHHA, você tem coragem, e eu gosto disso, então, eu não vou te levar hoje, mas eu ainda irei te buscar. A partir de hoje você é meu, e eu vou te marcar pra nunca te perder entendeu ?!
Marcação. Quando um vampiro marca alguém, ele injeta seu veneno no alvo, mas não o suficiente para transformá-lo, isso cria uma espécie de laço entre os dois, que faz com que você sempre saiba onde o alvo está. Na idade média a marcação era um contrato feito quando um vampiro se viciava no sangue de uma vítima em específico. E isso fazia com que outros vampiros não pudessem tomar seu sangue. Vampiros eram seres possessivos. E ele seria meu.
-Garoto, me diga seu nome.
Ele ainda se recusava a falar comigo, era como um filhote que se recusava a obedecer seu novo dono. Mas eu iria educá-lo. Olhei para ele como se desse um aviso.
-Garoto, eu te mandei dizer seu nome.
- Meu nome é Sammy
-Sammy,, agora eu vou te deixar a minha marca. Preciso que você me ajude, ok? Eu vou te morder, mas não irei te m***r dessa vez. Me mostre o seu pescoço.
E assim ele obedeceu.
-Você cheira bem.
Mordi seu pescoço e finalmente experimentei o que era o melhor sangue que eu já havia provado, eu não sabia o que ele tinha de diferentemente. Eu só sabia que eu amava aquele sangue. Mas eu tinha que parar, eu sentia ele amolecer enquanto o segurava. Ele estava quase desmaiando, eu não podia parar, eu não conseguia. Ele era tão bom, mais viciante que tudo que eu já havia provado.
Quando consegui o soltar ele já estava pálido. Quase. Quase o matei, aquele garoto era perigoso. Eu perdi o controle. E quase o matei.
-Meu Sammy, te vejo daqui a 7 anos.