Alice seguia à risca cada orientação médica. Os comprimidos estavam organizados em uma caixa transparente sobre o criado-mudo, separados por horários, cores e dias da semana. Ela sabia exatamente o que tomar, quando tomar e por quê. O coração, antes tão frágil e motivo de tantos medos silenciosos, agora respondia bem ao tratamento. As consultas estavam estáveis. O médico sorria mais do que franzia a testa. E isso, para Alice, já era uma vitória imensa. Sete meses. Ela pousou a mão sobre a barriga arredondada, sentindo um leve chute, como se o bebê confirmasse sua presença, sua força, sua vontade de viver. Sorriu sozinha. A vida ali dentro era o maior milagre que ela já tinha conhecido. A casa estava pronta. A reforma tinha transformado completamente o apartamento. Tudo agora tinha luz

