Capítulo 36

994 Words
Escolhas Compartilhadas Olyver estava encostado na bancada da cozinha quando percebeu que sorria sem perceber. Não era um sorriso largo, daqueles que ele costumava usar em reuniões bem-sucedidas ou negócios fechados. Era diferente. Era leve. Quase bobo. Alice tinha pedido a opinião dele. Algo tão simples — e, ao mesmo tempo, tão grande. Para um homem que sempre foi desejado, disputado, cercado de mulheres que nunca perguntavam o que ele pensava, aquilo tinha um peso imenso. Alice não queria agradar. Queria dividir. Queria incluir. E isso o deixava feliz de um jeito que ele nunca tinha experimentado antes. Ela estava sentada na mesa, com as mãos apoiadas sobre a barriga já levemente arredondada, o rosto concentrado enquanto navegava no tablet. O cabelo caía solto pelos ombros, e Olyver pensou, mais uma vez, como aquela mulher pequena ocupava tanto espaço dentro dele. — Cherry… — chamou, a voz baixa. Ela levantou os olhos. — Oi? Ele se aproximou devagar, apoiando a mão na cadeira ao lado dela. — Fiquei pensando… — começou, com um meio sorriso — você pediu minha opinião sobre a camisola. Alice assentiu, já sentindo o calor subir pelo rosto só de lembrar. — Pedi. — E eu gostei disso — continuou ele. — Gostei mesmo. Ela sorriu, tímida. — Eu queria que fosse especial para nós dois. Olyver respirou fundo. O controle que exercia sobre si mesmo vinha se tornando um exercício diário. — Então… — disse ele, com cuidado — posso te pedir sua opinião também? Alice piscou, surpresa. — Minha opinião? Sobre o quê? Ele inclinou um pouco a cabeça, como se avaliasse a reação dela antes de prosseguir. — Sobre… o que eu vou usar. O silêncio caiu por um segundo. Alice ficou imóvel. — O-ol… Olyver… — gaguejou, sentindo o rosto esquentar imediatamente. Ele riu baixo. — Viu? — disse, divertido. — Agora somos dois. Ela levou a mão ao rosto, tentando esconder o rubor. — Você faz isso de propósito. — Talvez — admitiu. — Mas só porque confio em você. Alice respirou fundo, tentando se recompor. — Você quer… minha opinião sobre… cueca? — perguntou, quase num sussurro. Ele assentiu, sério, como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Quero. Porque essa noite é importante para mim. E eu quero que tudo seja escolhido junto. Ela abaixou os olhos, mexendo nos dedos. — Eu nunca pensei nisso — confessou. — Nunca pensei que alguém ia… querer saber o que eu acho sobre essas coisas. Olyver se aproximou mais um pouco, ficando à frente dela, sem tocar. — Eu quero saber o que você pensa sobre tudo — disse. — Mesmo que seja só uma cor. Um detalhe. Alice engoliu em seco. — Eu… — ela respirou fundo — eu acho bonito quando você usa cores escuras. Ele arqueou uma sobrancelha, interessado. — É mesmo? — É — confirmou ela, ainda vermelha. — Combina com você. Com… seus olhos. Olyver sorriu devagar. — Então algo discreto. Escuro. — Fez uma pausa. — Aprovado pela minha esposa. A palavra “esposa” fez o coração de Alice dar um salto. Ela sorriu, apesar da timidez. — Parece… justo — respondeu. O clima entre eles se aqueceu, mas sem pressa, sem urgência. Era como se estivessem aprendendo uma nova linguagem juntos — feita de pequenos gestos, palavras cuidadosas e escolhas compartilhadas. Alice respirou fundo, sentindo coragem crescer dentro de si. — Olyver… — chamou. — Sim? — Eu queria que… — ela hesitou — que a nossa noite fosse no meu quarto. Ele ficou sério imediatamente, atento. — Tem certeza? Ela assentiu. — É onde eu me sinto mais segura. Onde eu durmo. Onde… — sorriu de leve — onde você já ficou comigo tantas vezes, mesmo no sofá. Olyver sentiu o peito apertar de um jeito bom. — Eu gostaria disso — disse ele. — Muito. Ela levantou-se devagar, aproximando-se dele. Ainda havia uma pequena diferença de altura que sempre a fazia se sentir protegida. — Depois… — continuou ela — eu queria que a gente dormisse juntos. Não por obrigação. Só… juntos. Olyver fechou os olhos por um instante, como se segurasse algo dentro de si. — Alice — disse, com voz firme — eu posso te prometer uma coisa? — O quê? — Que nada vai acontecer se você não quiser. Que mesmo naquela noite… você vai continuar no controle. Ela assentiu, emocionada. — Eu sei. Por isso quero. Ele estendeu a mão, e ela colocou a dela sobre a dele. — Então vamos fazer assim — disse ele. — Você escolhe sua camisola. Eu escolho a cueca. E o resto… a gente descobre juntos. Ela riu, nervosa. — Eu vou ficar vermelha o tempo todo. — Eu gosto — respondeu ele. — Combina com você. — Cherry… — ela reclamou, rindo mais. Olyver inclinou-se e beijou a testa dela, com carinho. — Vai ser uma noite importante — disse. — Não porque tem que ser perfeita. Mas porque é nossa. Alice fechou os olhos, sentindo o coração bater tranquilo. — Nossa — repetiu. Mais tarde, sozinha no quarto, Alice organizou a cama com cuidado. Troçou os lençóis, ajeitou os travesseiros, abriu a janela para deixar o ar entrar. Chad observava tudo de cima da cômoda, curioso. Ela tocou o tecido da camisola ainda dobrada, sentindo um misto de ansiedade e felicidade. Não era medo. Era expectativa. No outro cômodo, Olyver sentou-se no sofá, respirando fundo. Pensava em Alice, no filho, naquela mulher pequena que o fazia querer ser melhor todos os dias. Pensava em como aquela noite não precisava provar nada para ninguém. Ela só precisava ser respeitada. Quando a noite chegasse, eles estariam ali. No quarto dela. No espaço onde Alice se sentia segura. Onde escolhera ficar. E, depois, quando dormissem juntos — de corpos próximos e corações ainda mais — Olyver sabia que aquele momento marcaria algo definitivo. Não era apenas desejo. Era compromisso. E isso, para ele, era tudo.
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