Escolhas Compartilhadas
Olyver estava encostado na bancada da cozinha quando percebeu que sorria sem perceber. Não era um sorriso largo, daqueles que ele costumava usar em reuniões bem-sucedidas ou negócios fechados. Era diferente. Era leve. Quase bobo.
Alice tinha pedido a opinião dele.
Algo tão simples — e, ao mesmo tempo, tão grande.
Para um homem que sempre foi desejado, disputado, cercado de mulheres que nunca perguntavam o que ele pensava, aquilo tinha um peso imenso. Alice não queria agradar. Queria dividir. Queria incluir.
E isso o deixava feliz de um jeito que ele nunca tinha experimentado antes.
Ela estava sentada na mesa, com as mãos apoiadas sobre a barriga já levemente arredondada, o rosto concentrado enquanto navegava no tablet. O cabelo caía solto pelos ombros, e Olyver pensou, mais uma vez, como aquela mulher pequena ocupava tanto espaço dentro dele.
— Cherry… — chamou, a voz baixa.
Ela levantou os olhos.
— Oi?
Ele se aproximou devagar, apoiando a mão na cadeira ao lado dela.
— Fiquei pensando… — começou, com um meio sorriso — você pediu minha opinião sobre a camisola.
Alice assentiu, já sentindo o calor subir pelo rosto só de lembrar.
— Pedi.
— E eu gostei disso — continuou ele. — Gostei mesmo.
Ela sorriu, tímida.
— Eu queria que fosse especial para nós dois.
Olyver respirou fundo. O controle que exercia sobre si mesmo vinha se tornando um exercício diário.
— Então… — disse ele, com cuidado — posso te pedir sua opinião também?
Alice piscou, surpresa.
— Minha opinião? Sobre o quê?
Ele inclinou um pouco a cabeça, como se avaliasse a reação dela antes de prosseguir.
— Sobre… o que eu vou usar.
O silêncio caiu por um segundo.
Alice ficou imóvel.
— O-ol… Olyver… — gaguejou, sentindo o rosto esquentar imediatamente.
Ele riu baixo.
— Viu? — disse, divertido. — Agora somos dois.
Ela levou a mão ao rosto, tentando esconder o rubor.
— Você faz isso de propósito.
— Talvez — admitiu. — Mas só porque confio em você.
Alice respirou fundo, tentando se recompor.
— Você quer… minha opinião sobre… cueca? — perguntou, quase num sussurro.
Ele assentiu, sério, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Quero. Porque essa noite é importante para mim. E eu quero que tudo seja escolhido junto.
Ela abaixou os olhos, mexendo nos dedos.
— Eu nunca pensei nisso — confessou. — Nunca pensei que alguém ia… querer saber o que eu acho sobre essas coisas.
Olyver se aproximou mais um pouco, ficando à frente dela, sem tocar.
— Eu quero saber o que você pensa sobre tudo — disse. — Mesmo que seja só uma cor. Um detalhe.
Alice engoliu em seco.
— Eu… — ela respirou fundo — eu acho bonito quando você usa cores escuras.
Ele arqueou uma sobrancelha, interessado.
— É mesmo?
— É — confirmou ela, ainda vermelha. — Combina com você. Com… seus olhos.
Olyver sorriu devagar.
— Então algo discreto. Escuro. — Fez uma pausa. — Aprovado pela minha esposa.
A palavra “esposa” fez o coração de Alice dar um salto. Ela sorriu, apesar da timidez.
— Parece… justo — respondeu.
O clima entre eles se aqueceu, mas sem pressa, sem urgência. Era como se estivessem aprendendo uma nova linguagem juntos — feita de pequenos gestos, palavras cuidadosas e escolhas compartilhadas.
Alice respirou fundo, sentindo coragem crescer dentro de si.
— Olyver… — chamou.
— Sim?
— Eu queria que… — ela hesitou — que a nossa noite fosse no meu quarto.
Ele ficou sério imediatamente, atento.
— Tem certeza?
Ela assentiu.
— É onde eu me sinto mais segura. Onde eu durmo. Onde… — sorriu de leve — onde você já ficou comigo tantas vezes, mesmo no sofá.
Olyver sentiu o peito apertar de um jeito bom.
— Eu gostaria disso — disse ele. — Muito.
Ela levantou-se devagar, aproximando-se dele. Ainda havia uma pequena diferença de altura que sempre a fazia se sentir protegida.
— Depois… — continuou ela — eu queria que a gente dormisse juntos. Não por obrigação. Só… juntos.
Olyver fechou os olhos por um instante, como se segurasse algo dentro de si.
— Alice — disse, com voz firme — eu posso te prometer uma coisa?
— O quê?
— Que nada vai acontecer se você não quiser. Que mesmo naquela noite… você vai continuar no controle.
Ela assentiu, emocionada.
— Eu sei. Por isso quero.
Ele estendeu a mão, e ela colocou a dela sobre a dele.
— Então vamos fazer assim — disse ele. — Você escolhe sua camisola. Eu escolho a cueca. E o resto… a gente descobre juntos.
Ela riu, nervosa.
— Eu vou ficar vermelha o tempo todo.
— Eu gosto — respondeu ele. — Combina com você.
— Cherry… — ela reclamou, rindo mais.
Olyver inclinou-se e beijou a testa dela, com carinho.
— Vai ser uma noite importante — disse. — Não porque tem que ser perfeita. Mas porque é nossa.
Alice fechou os olhos, sentindo o coração bater tranquilo.
— Nossa — repetiu.
Mais tarde, sozinha no quarto, Alice organizou a cama com cuidado. Troçou os lençóis, ajeitou os travesseiros, abriu a janela para deixar o ar entrar. Chad observava tudo de cima da cômoda, curioso.
Ela tocou o tecido da camisola ainda dobrada, sentindo um misto de ansiedade e felicidade.
Não era medo.
Era expectativa.
No outro cômodo, Olyver sentou-se no sofá, respirando fundo. Pensava em Alice, no filho, naquela mulher pequena que o fazia querer ser melhor todos os dias. Pensava em como aquela noite não precisava provar nada para ninguém.
Ela só precisava ser respeitada.
Quando a noite chegasse, eles estariam ali. No quarto dela. No espaço onde Alice se sentia segura. Onde escolhera ficar.
E, depois, quando dormissem juntos — de corpos próximos e corações ainda mais — Olyver sabia que aquele momento marcaria algo definitivo.
Não era apenas desejo.
Era compromisso.
E isso, para ele, era tudo.