05.SOPHIE

1604 Words
Sophie Cavaunagh. Eu conseguia entender por que Christopher estava tão sobressaltado com toda a reviravolta, se alguém estivesse me perseguindo eu ficaria da mesma maneira. Quero dizer, ele só foi quase atropelado e mandaram uma bomba para ele, e mesmo assim ele continuava sendo extremamente teimoso, mais do que eu esperava. Sim, eu sabia que ele quase foi atropelado, e aquilo realmente não foi nada comparado ao que ele não sabia. Troy e eu conversamos bastante enquanto eu examinava o local onde Christopher trabalhava, a segurança era mínima mesmo que existisse, e paro o caso dele, precisava realmente de mim. Meu grande amigo me contou algumas coisas que aconteceram, e eu percebi que aquilo seria mais complicado. Não era a primeira vez que mandavam alguma coisa para o Christopher, uma semana antes da minha presença ser solicitada mandaram uma caixa, onde uma cobra altamente venenosa estava guardada. O Scotter não sabia daquilo, e eu não culpava o pessoal por não querer preocupá-lo. Os atentados já vinham acontecendo a mais de um mês, e ele só sabia de uma semana para cá, que foi quando sofreu a tentativa de atropelamento. Christopher estava preso até o pescoço por quem quer que seja, e não sabia disso. Eu não era a favor dele ficar sem saber das coisas, mas por enquanto, a preocupação dele era desnecessária, contaria quando se tornasse necessário. – Estou pronto. – Ele anunciou descendo as escadas e eu o encarei – Está esperando o que? – Suas chaves. – Respondi firmemente lhe estendendo a mão – Não vai dirigir, até porque se o carro estiver sabotado eu preciso que esteja com as mãos longe do volante, para dar tempo de pular pela porta. – Ele pareceu impressionado com a minha suposição – É apenas uma ideia do que pode acontecer. Ele parecia relutante antes de me entregar as chaves, se eu ouvisse alguém falando que talvez o meu carro estivesse sabotado e que eu supostamente precisasse pular, eu também relutaria, mas ele precisava entender que tudo aquilo agora era um procedimento padrão. – Sabe que vamos ter que brincar de atores, não é? – Perguntei depois de ligar o carro. – Como assim? – Ele parecia perdido. – Você começa a sofrer atentados e do nada aparece uma mulher andando com você? Seu inimigo no máximo vai pensar que sou da polícia. – Ironizei odiando aquela parte do contrato mais do que todas as outras – O caso é que vai precisar fingir que está dando em cima de mim, ou que somos um casal, porque não podemos ser da mesma família, ou amigos de trabalho assim do nada, precisamos de algo convincente. – Sim minha querida Sophie, só que dá para ver na maneira como você fala, que está odiando isso tanto quanto eu, e que não. quer nada comigo, então meu "inimigo" – ele me imitou – vai no máximo pensar que você é da polícia. – Tornou a me imitar, o que era desnecessário, eu sabia que ele estava tentando soar irônico. – Conversando com Troy descobri que você tem mania de aparecer com uma mulher diferente toda semana, talvez eu dure uma semana ou duas, não vai ser nada tão assustador. – O peguei desprevenido ao falar desse assunto. – E talvez eu precise beijar você. – Ele cruzou os braços como uma criança emburrada. – Não se preocupe Christopher, vamos fingir que tenho malaxofobia, e que sou transtornada demais para ficar com você. Respondi e percebi quando ele me olhou franzindo o cenho, na verdade era só uma cara de quem não tinha entendido uma sílaba do que eu tinha dito, e eu entendia aquilo, ninguém nunca parou para pensar o que era malaxofobia. – Sabe que eu não entendi o que disse né? – Estacionei o carro dele na frente de uma casa simples, sem me importar de perguntar o endereço, porque eu já tinha, coisa que ele também não percebeu, mas isso não faz m*l, que ele não era muito observador, eu já sabia. – Malaxofobia. – Dei uma pausa ao descer do carro – Do grego malakós, que significa suave e fobia significa medo como você sabe. É aversão a jogos de sedução, e achar que um cara está me cantando é um caminho para a infelicidade, pelo simples fato dele não ser direto. – Parei com Christopher na porta da casa – Em outras palavras Scotter, eu tenho medo de amar. Apontei para a fechadura esperando que ele a abrisse, e depois que ele o fez eu pude ver que na verdade Christopher era uma pessoa normal, mesmo com o salário que tinha ele conseguia manter as coisas normais em sua casa, nada muito pobre ou muito rico, fazendo o local ser normal. O hall de entrada na verdade chegava a ter fotos de pessoas que deduzi ser sua família, se por acaso a casa fosse minha eu as teria retirado dali imediatamente, mas infelizmente, aquele local não era meu, e também não era um lugar que eu ia querer passar muito tempo. – Então você nunca poderá ser feliz. – Ele soltou essa em cima de mim como se aquilo não o fizesse hipócrita. – Se é que você está falando sério. – Também não me faz hipócrita de sair com vários caras e depois falar de amor como se fosse a chave do meu sucesso. – Ele entendeu que tinha falado algo contra ele mesmo quando suspirou derrotado – Escute, não vou ficar discutindo minha vida amorosa com você, na verdade só vamos fingir que estamos juntos em locais que você frequenta na rotina, para que eu não pareça tão intrusa de um dia para o outro. – Abri a porta atrás de mim – Você entra no trabalho as 9h da manhã agora, e sai as 15h. – o encarei por cima do ombro – Amanhã vou pedir que Troy fique de olho em você, já que vou ficar ocupada, agora, descanse, e por favor se alguma coisa de r**m acontecer, me ligue. – Mas eu não tenho seu número, princesa. – Christopher disse com desdém apenas para me provocar. – Mas eu estou na casa do Hastings, e creio que o dele você tenha, princeso. – Lhe lancei um sorriso irônico e sai de sua casa. A teoria de que eu tinha Malaxofobia não era concreta, mas eu acreditava naquilo, e usar uma palavra complexa fazia com que as pessoas a minha volta realmente acreditassem aquilo. Na verdade, meus amores não faziam o tipo que sobreviviam a vida que eu levava, talvez um dia eu morra por amar mais do que necessário, e no fim ter dado com os burros n'água. Lembro-me de quando me apaixonei por Andrey sendo que na verdade eu o estava espionando. A rosa se apaixonou pelo cacto por que compreendia seus espinhos, e no fim o cacto mostrou que não precisava de água para sobreviver. Eu e Andrey éramos um casal estranho, por que ter um relacionamento é como ler um livro com outra pessoa, não dá certo se você não estiver na mesma página que ela, e eu e o Miller estávamos em páginas completamente diferentes. Peguei um taxi até a casa do Hastings, que percebi ser muito diferente de Christopher, Troy fazia o tipo "quanto mais eu ganhar mais eu vou gastar" e principalmente o tipo "cara ostentação", no entanto era raro vê-lo com alguma garota, e isso me orgulhava muito no meu amigo. – Que bom que está em casa. – Olhei o relógio em meu pulso indicando que estava cedo até para ele ficar me marcando – Pensei que você e o Scotter estivessem se conhecendo melhor. – Você sempre foi protetor assim? – perguntei me jogando no sofá como se nada mais importasse. Estava cansada, sabia que lidar com Christopher seria cansativo, mas ele conseguia me tirar do sério em alguns momentos. – Você é linda Sophie, até o Scotter pode ver isso. – Ele revirou os olhos indo para a cozinha onde havia uma a******a na parede para facilitar a visão da cozinha e a sala. – Beleza só serve nos primeiros quinze minutos que você vê uma pessoa, depois ela precisa ser bonita por dentro para poder agradar também, afinal moldura bonita não transforma foto feia. – Respondi o olhando pela a******a na parede – E acredite, eu não sou tão bonita por dentro. Ouvi Troy sorrir, como se eu tivesse falado uma piada. A coisa boa era que ele ria de verdade, realmente sentindo graça, e isso me contagiava de certa forma. – E quem disse que ele se importa pelo que você é por dentro? – Não conseguia entender por que tudo o que Troy falava sobre Christopher não era exatamente correto – Não te contei que Christopher sai com uma a cada semana? – Ele não me confirmou nem negou isso, para falar na verdade, ignorou. – Respondi me lembrando da maneira como eu tinha tratado Christopher – Ele já teve alguém de verdade? – Na verdade eu não me lembro de ver ele com um relacionamento realmente sério. – Troy respondeu dando de ombros chegando na sala com pipocas e refrigerante – Mas você não quer falar sobre o Christopher durante o filme né? Quando eu e Troy erámos mais novos costumávamos passar as tardes vendo filmes, infelizmente eu fiquei tão apaixonada pelo guarda-costas que quis ser uma. Troy gostava do filme o grande mentiroso, clássico, cômico, e agora sabíamos como ele decidiu virar advogado. Na verdade, Troy tinha total disposição para ficar em um escritório, coisas que eu por exemplo, nunca conseguia fazer.
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