Sophie Cavaunagh.
Agradecida pelas palavras de Troy, que sem dúvidas só estava preocupado comigo, resolvi ir para a sala de meu cliente. Assim que entrei na mesma puder ver o quanto era desprotegida, e ele estava sofrendo constantes ataques, não era porque estava em uma sala que nada poderia atingi-lo. A trava da porta só tinha mesma a maçaneta e eu logo pensei em mandar colocar uma trava digital. A sala era grande, talvez ele tenha conseguido aquilo depois de participar da prisão do Miller.
− Gostou da minha sala? – Escutei sua voz e me virei de frente para o mesmo que entrava na sala fechando a porta.
Ele fechou com o próprio pé, se um assassino estivesse atrás dele, eu teria rido. Talvez ajudado, mas rir é mais importante. O comportamento dele era bastante comum, apesar dos apesares. Na prateleira de livros haviam coisas jurídicas que não me despertavam nenhum interesse, e no canto direito da ultima prateleira, bem escondido, estava a coleção de 50 Tons de Cinza. Ele podia guardar a leitura abusiva e erótica para casa.
− Lê com frequência? – Perguntei me virando para observar o mesmo se sentar em sua cadeira parecendo muito confortável em seu próprio escritório mesmo querendo ser morto por alguém.
− Gosto de variar um pouco, e aproveitando que você ficou olhando para a coleção de livros eróticos, gostaria de explicar que Troy me presenteou e só estão ali para ele achar que eu li. – Então ele não ocupava o tempo lendo esse tipo de coisa, pelo menos uma noticia boa.
− Troy é um amor de pessoa, na verdade. – Comentei vendo que seu olhar em minha direção havia mudado, parecia querer insinuar que eu e meu amigo tivéssemos alguma coisa. O que eu ignorei, porque todos pensavam isso, mas nunca aconteceu nada, eu mesma nem acreditava que meu amigo pudesse sentir algo por mim.
− Você e Troy parecessem ser muito amigos.
Dei um sorriso de lado sabendo que aquela frase não insinuava amigos, só como amigos, era como se ele perguntasse se éramos amigos com benefícios. Sem decoro.
− Somos, somos muito amigos. Mas eu considero minhas armas, minhas melhores amigas, até mesmo antes que Troy. – Respondi dando de ombros e do jeito mais psicopata que eu pude encontrar dentro de mim. Caminhei pela sala até o sofá, me deitando no mesmo como se me colocar de maneira confortável fosse afrontar Christopher. Minha cabeça pendeu pelo braço do sofá me fazendo olhar o advogado de cabeça para baixo, e eu sorri em sua direção. – Vou fazer mudanças na sua sala, senhor Scotter.
Vi sua careta, mesmo de cabeça para baixo, de quem não tinha gostado muito da ideia, mas ele teria que se acostumar.
− Mudar como?
Soltei um suspiro me endireitando no sofá, olhando muito seriamente para o rapaz.
− Sinceramente Christopher, o pessoal desse lugar é muito desorganizado, a segurança é muito padrão.
− Eu não me importo em ter uma guarda-costas, mas eu não quero que mande na minha vida, nem em casa, nem em meu escritório. Eu moro sozinho, não coloco a vida de ninguém da minha família em risco. O fato é que, eu não quero mudar minha vida porque alguém quer me matar.
Revirei os olhos vendo o problema que havia na minha frente. Se ele não estava preparado para algumas pequenas mudanças, para salvar a própria vida, o que eu podia fazer? De qualquer forma, eu já tinha assinado o maldito contrato.
− Não tem muito o que fazer por aqui Christopher, serão pequenas coisas, eu prometo. – Tentei acalmar a fera que se erguia a minha frente. – Amanhã, quando chegar aqui, não vai haver muitas diferenças, mas uma coisa ou outra você vai perceber.
Sorri tentando lhe passar um pouco de confiança, era o mínimo que eu podia fazer.