Capítulo I

1032 Words
Capítulo I Aquele homem ia de passo apressado pelas ruas adjacentes à Stazione di Roma-Termini. Vinha da Via Volturno e virou para a Viale Enrico de Nicola, atravessou a passadeira quando tinha condições de segurança para isso. A forma de conduzir dos italianos era mundialmente conhecida e ele sabia-o, não valia a pena arriscar! Levava com ele um envelope, o qual deveria ser entregue na Embaixada Portuguesa em Roma. Estava um pouco distante, mas ia apanhar um táxi e era mais fácil dirigir-se à Termini, então, virou à esquerda para a Piazza dei Cinquecento, e apressou-se a contornar rumo à zona dos táxis. Ao chegar lá, constatou que estava imensa gente à espera de transporte. “Que azar! Parece que hoje toda a gente resolveu vir apanhar táxi.” Pensou o homem. Claro que teve de esperar, aquele envelope tinha de ser entregue hoje na Embaixada, sem falta, e eram, neste momento, 15h30. Olhou para a entrada da Termini e viu dois militares do Exército que faziam segurança às imediações da estação, mais à frente um carro dos Carabinieri com dois agentes junto a ele que olhavam ao redor em busca de algum movimento suspeito. Ele sorriu, Roma era uma das cidades no mundo com mais polícia nas ruas, devido ao medo constante de um possível atentado. A Stazione Termini era um dos pontos mais movimentados da cidade. Ali confinavam Metro, Comboios e Autocarros e o movimento era constante. Passaram 15 minutos e ele começava a impacientar-se, ainda tinha umas 8 pessoas à frente para apanharem o táxi. “Mas o que raio se passa?” As ordens eram específicas, tinha de apanhar um táxi para não levantar suspeitas, e estava a cerca de 15 minutos do objetivo, mas não se adivinhava fácil. Foi neste momento que chegaram 5 táxis que levaram as últimas pessoas que o separavam do transporte, e, logo de seguida, chegou mais um, ele entrou e disse para o condutor: - Leve-me à embaixada de Portugal. O taxista olhou-o pelo espelho e respirou fundo. “Que azar.” – pensou – “Tantos turistas que podia apanhar, logo tinha de apanhar com um tipo que quer uma corrida de 15 minutos.” Apercebendo-se da má cara do taxista, o passageiro disse: - Há algum problema? - Não! Problema nenhum, Signore. Embaixada de Portugal, é isso? - Sim, e rápido. Então o taxista acelerou a fundo para chegar rápido à embaixada de Portugal, na esperança de que, se chegasse depressa, o cliente lhe desse uma boa gorjeta. Seguiu para a Via Marsala em direção ao destino, lá atrás o passageiro estava perdido nos seus pensamentos, olhando para o telemóvel, pois sabia que, do outro lado, estariam impacientes a aguardar a chamada dele. Aquela demora não estava prevista, e então olhava o horizonte e recordava as ordens que recebera. Tinha de recolher um envelope, o qual deveria ser entregue na Embaixada de Portugal, tinha de apanhar um táxi na estação Termini, e pagar a corrida em dinheiro. Era esse o motivo de não poder socorrer-se de um transporte de plataforma digital, era obrigatório evitar deixar rasto. Foi quando estava perdido nos seus pensamentos que sentiu o táxi fazer uma travagem brusca, fazendo-o olhar para a frente, vendo alguém a atravessar numa passadeira, com o taxista a soltar alguns impropérios. Claramente os italianos são loucos a conduzir! O homem, lá atrás, bateu no vidro separador e disse para o taxista: - Vamos embora, deixe-se disso. O taxista voltou a respirar fundo e olhou o passageiro: - Sim Signore. E pregou a fundo. Estava desejoso de terminar aquela corrida, e, enquanto fazia a viagem, ia olhando para o passageiro e pensava no que iria fazer um italiano à Embaixada de Portugal àquelas horas. Olhou para o relógio, o mesmo marcava 16h15, quando chegou ao número 5 da Via Guido d’Arezzo e travou. - Chegámos Signore! O homem pagou, deixando uma gorjeta generosa ao taxista. - Grazie. – Após dizer isto, o homem saiu do táxi e apeou-se chegando junto do edifício que ficava perto da esquina da Via Vicenzo Bellini e a Via Guido d’Arezzo. No topo da entrada a bandeira verde e vermelha da República Portuguesa dizia que estava a chegar à Embaixada daquele país. Ao entrar no número 5 tem umas escadas, que subiu, chegando ao cimo, virou à esquerda onde está o balcão de atendimento, depois de passar pela segurança da Embaixada. Chegando ao balcão, colocou o envelope em cima e entregou à senhora que estava no atendimento que, viu na identificação, chamar-se Teresa e disse: - Por favor, este envelope deve ir por via diplomática para o Presidente da República. Ao ouvir aquilo, a funcionária prendeu a atenção no envelope. Olhou o timbre no topo direito do envelope que continha o selo papal do Vaticano. A funcionária estranhou aquela abordagem e questionou: - Via diplomática? - Sim, per favore signora. Teresa chamou o chefe de gabinete e informou do pedido daquele homem. O chefe olhou o envelope e olhou o homem e perguntou: - Isto vem de onde? - Da Secretaria de Estado para as relações com os Estados do Vaticano. Tem pedido expresso de entrega direta ao Senhor Presidente da República de Portugal, Signore. - Muito bem. – Depois virou-se para Teresa – Coloque na bandeja das verificações para, caso esteja tudo certo, ir no correio diplomático. – A seguir disse para o homem – Isto tem meios próprios de entrega, mas, não havendo nenhum problema, vamos remeter o envelope. - Grazie Signore. Este envelope tinha mesmo de seguir. Eu sou apenas o mensageiro. - Obrigado. – E recolheu ao gabinete. O homem agradeceu e dirigiu-se para a rua. Ao sair do edifício virou à direita em direção à Via Vicenzo Bellini. Ao início da rua pegou no telemóvel e fez a chamada. Quando atenderam do outro lado disse apenas: - A encomenda está entregue. Agora aguardamos. E desligou. Continuou a descer a rua em passo apressado até chegar à Via Giovanni Paisiello, aí apanhou um táxi e, quando entrou, disse: - Aeroporto Fiumicino, rápido. – E o táxi saiu à velocidade possível.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD