Não dei importância quando vi a motocicleta estacionada no acostamento da estrada. Só franzi a testa, me perguntando quem teria deixado aquela bonita Honda Storm sozinha ali, sendo lentamente coberta pela neve que já começara a cair. Meia milha depois, sob uma nevasca que ficava mais densa, vi alguém caminhando na mesma direção que eu seguia. Era um homem — claramente. Alto e esguio, com o porte atlético e flexível de um dançarino. Usava uma jaqueta de couro preta estilo motociclista, jeans e botas de montanha da mesma cor, a cabeça m*l envolvida por um cachecol roxo com trama xadrez. Era pouca roupa para andar naquele tempo. Ainda faltavam mais quatro milhas e meia para chegar à cidade. Naquela estrada, com uma tempestade se aproximando, quase ninguém passava em nenhuma direção. Honesta

