A fera tinha algo na mão; naquele momento eu não conseguia distinguir bem o que era. Um pedaço de tecido branco, talvez. Gritei do fundo dos pulmões e bati a porta com toda a força quando vi aquele ser — tão belo e ao mesmo tempo tão terrível — recuar os lábios para me mostrar presas enormes e curvas. Atirei-me contra a porta, tentando encaixar os ferrolhos, mas sabia que seria inútil: aquele monstro me dobrava em tamanho e certamente era quatro vezes mais forte do que eu. Nem a madeira maciça nem os ferrolhos de metal o deteriam. O terror me invadiu quando aquela criatura empurrou a porta brutalmente, eu e toda a minha inútil humanidade junto, e enfiou um braço longo pela fresta que se abriu em consequência. Seus rugidos eram de abalar os ossos; eu já não sabia se estava gritando ou não

