Carolina passou a manhã deliberando ordens sobre o casamento da irmã, foi uma das primeiras a chegar no salão da festa, tudo tinha que estar organizado até as quinze horas, seu horário no salão onde a irmã estava.
Enquanto Íris era massageada e acalmada, Carol colocava todos sob o julgo do casamento perfeito da sua irmã caçula e única.
Neusa apareceu para o almoço e não foi surpresa que Bruno viesse a tira-colo.
Ela ofereceu-lhe um sorriso educado quando ele sentou-se ao seu lado na mesa e beijou-lhe a bochecha.
Bruno era um bom homem, um rapaz agradável, seria um marido e um pai maravilhosos, mas não para ela.
Carol podia estar apaixonada por Pedro, mas não se via largando o direito para ser babá ou dona de casa.
Foi um almoço muito agradável e gostoso, uma lasanha feita com cordeiro, Neusa havia escolhido um restaurante incrível.
A conversa durante o almoço era de quem não via a hora de ter o filho casado.
— Sentimos tanto sua falta, por que não volta para São Bernardo? — Neusa perguntou com sinceridade genuína. — Seria bom que os filhos deles tivessem a tia por perto, Íris quer ter quatro filhos.
Carolina sorriu, adoraria ser tia em tempo integral, mas não se via abandonando seu cantinho, a cobertura tinha a sua cara, amava o bairro e se sentia em casa.
— Neusa de São Paulo para cá leva pouco menos de duas horas. Bobeou eu estou aqui, mesmo em dias de trânsito caótico.
— Ah, mas tem tantos escritórios de advocacia aqui também e não tem trânsito.
— Neusa — Seu Jorge olhou para a esposa gentilmente. — Carolina tem sua própria vida, não tem?
— Ela arrumou um namoradinho lá, nada sério, mas eu a queria aqui.
— Pedro e eu estamos muito felizes juntos.
— Então, estou feliz por você — falou Neusa — Mas se quiser voltar, você tem a minha casa.
— Obrigada. — Carol suspirou, amanhã estaria em casa.
Como poderia explicar à mãe de Bruno que, por mais que valorizasse a amizade dele, era impossível amá-lo como um homem? Era estranho falar de t***o com quem queria ser sua sogra.
Quando se despediram, Bruno a levou novamente ao salão de festas, e num impulso, a beijou com firmeza e desejo.
Ela se debateu, até que ele, relutante, a soltou.
— Bruno, você está louco? Você sabe que eu...
— Em nome dos velhos tempos, Carolina?
— Eu não quero mais, p***a! Você acha que me agarrando, eu vou querer?
— Eu te amo, esse cara aí só te usa, eu caso com você, arrumo o melhor escritório pra você em São Bernardo e nunca mais falamos disso.
— Bru, nós já estivemos juntos e eu não sinto amor o suficiente pra você querer casar.
— Por favor... — Ela entrou no salão lhe virando às costas.
Ao sentar-se, checou seu iPhone e viu uma mensagem de Pedro.
Ligou para ele, precisava ouvir aquela voz.
— Oi.
— Está sentindo muita falta de mim, ou está correndo tanto que nem lembra de mim?
— Acabei de almoçar, estava tão concentrada na lasanha que te esqueci por um tempinho — permitiu-se mentir, e o ouviu dar uma gargalhada — Como foi seu dia?
Ele foi bastante evasivo e Carol decidiu sondar.
— Bruno me pediu em casamento, ele acha que eu morar em São Paulo é um erro, e esse assunto te incomoda? — ela perguntou tensa.
— Deveria me incomodar?
— Pobre de mim, achei que sentiria um pouquinho de ciúme.
— Eu o entendo, que homem não ficaria encantado ao te ter, ou devastado ao te perder? — ela engoliu em seco, podia ver que ele realmente não se importava — Não vai me responder, Carolina?
— Você quer uma resposta obscena ou quer que eu diga o que sinto?
— A última opção leva a uma coisa difícil de lidar. — Ele deu uma leve risada.
— Como vai o caso? — ela mudou de assunto.
— O promotor é dos bons, vai ser complexo.
— Difícil demais? — Carol olhou para as flores que começavam a enfeitar o ambiente.
— Difícil, não impossível — respondeu Pedro.
— Achei que você não soubesse perder.
— Eu não perco nada quando tenho interesse de ganhar.
— Não trabalhe demais, meu querido — ela sorriu mexendo numa pétala, será que ela valeria uma luta para ele?
E por que isso era importante?
Levantou-se rapidamente depois de desligar o telefone, sentiu uma tontura imediata. O estômago embrulhou e ela pensou na lasanha.
Era uma maravilha ficar enjoada justamente no dia do casamento. E em um clique notou que não estava menstruada, havia escolhido o vestido vinho por conta de seu fluxo.
Não seria possível, seria?
Foi até a esquina, entrou na farmácia e pegou um teste de gravidez e o guardou na bolsa. Se preocuparia com aquilo mais tarde.
O casamento da irmã foi esplêndido, valsaram como dois pombinhos, saíram para a lua de mel.
Carolina acenava para Íris quando uma onda de enjoo a invadiu, ela correu para o banheiro e decidiu fazer o teste de gravidez.
Seguiu as instruções, fez uma prece silenciosa e esperou pelo resultado.
Duas listras fortes e rosas! Ela estava grávida.
Pegou o iPhone e marcou uma consulta em seu plano de saúde, pela manhã teria a certeza disso. Não ia se precipitar por um enjoo bobo e um teste de farmácia.
Não voltou para São Paulo, ligou para o escritório e alegou uma virose.
Colocou uma roupa simples e foi para o prédio onde sua consulta estava marcada.
O grupo do w******p fervia, Lana estava noiva de Pedro, um jantar havia acontecido no mesmo dia do casamento da irmã.
Por um momento, Carolina achou que o coração iria parar e que não poderia respirar, olhou para a porta do consultório e pensou no teste positivo que trazia na bolsa.
Pedro falou com ela na hora do almoço, por isso zombou enquanto a tonta pensou que lhe fazia ciúmes.
Ela era somente uma b****a fácil, é isso ela era fácil, ele nunca encontrou resistência, Carolina não saberia dizer d quanto tempo ficou sentada ali, até que a atendente lhe chamou.
Não saberia dizer o que sentiu quando viu a tela do ultrassom, quase oito semanas de gravidez, soube que o antibiótico que tomara para o canal cortava o efeito do anticoncepcional, o timing do universo era c***l demais.
Ela não sabia se ria ou chorava. Estava grávida de um homem noivo de outra mulher.
Queria falar com sua irmã, e Íris não deveria voltar para São Bernardo antes do próximo sábado.
O ideal era interromper a gravidez, mas sabia que não seria capaz de fazê-lo.
Filho de mãe solo, a especulação sobre quem seria o pai da criança, todo mundo saberia que ela foi só o depósito de p***a mesmo.
Riu desesperada ao pensar em Lana certa, logo ela veria sua barriga grande e zombaria ainda mais da situação.
Alugou um Airbnb em São Bernardo, pegou as chaves ao meio dia, ficaria uma semana ali, precisava de força para enfrentar o que viria a seguir.
E se Pedro pedisse que ela tirasse o filho? Suspirou triste, deitou na cama e dormiu pesadamente.
Acordou com o toque insistente do Iphone.
— Alô?
— Quero desculpar-me por ontem . Eu fiquei fora de controle – Era Bruno.
Carol começou a chorar, estava exausta e com medo.
— Bruno...
— Sim ou não?
— Me dê tempo? Eu estou com um problema e provavelmente vou ficar em São Bernardo indefinidamente, não faltará oportunidades de conversar.
— O que aconteceu?
Ela desligou o telefone sem responder, olhou a tela do Iphone, nenhum sinal de Pedro.
No grupo havia mais de seiscentas mensagens, ela ignorou e foi até a varanda.
O enjoo pelo menos havia sumido.
Ligou a TV e logou a Netflix, o toque do iPhone interrompeu sua busca por filmes.
— Por acaso a acordei? — A voz rouca de Pedro tinha um quê de divertida — Tenho novidades.
— Estava em um sono profundo — ela pensou na relação estranha deles.
— Você pareceu surpresa ao atender. Foi muito tarde para a cama? Se divertiu no casamento?
— Muito. E você?
— Bem, ontem teve um jantar íntimo, e hoje passei o dia todo no tribunal, acabo de sair...
Carolina fechou os olhos e custou para reabri-los.
— Eu soube, o jantar é sobre o rolê com a Lana?
— Rolê? Gostei, Sim, foi sobre isso.
Então era verdade, e ele falava como se não ligasse para os sentimentos dela.
— Devo lhe dar parabéns? Houve um segundo de silêncio.
— Ainda não... A notícia ainda não é oficial.
Carol jogou o iPhone pela janela numa atitude irresponsável e imatura, ligou o notebook, logou no ifood e desconectou do w******p.
Pediu uma pizza, mandou um e-mail para o escritório e sumiu do radar, precisava pensar, precisava saber como agir para poder voltar para casa com dignidade.
Foi para a casa da irmã e junto com Bruno a recepcionou na volta da Lua de Mel.
— Carol eu tentei te ligar todos esses dias, o seu escritório está ligando para mim, me disseram que você sumiu.
— Estou no centro de São Bernardo e estou sem telefone. Estou providenciando.
— O que aconteceu? — Íris alisou o cabelo da irmã que sorriu como se não estivesse em uma visita ao inferno.
— Deixe Carol viver — Wagner disse — Vamos comer algo.
O marido arrastou a irmã e ela saiu à francesa. Foi para seu cantinho.
Pediu comida e adormeceu.
Acordou com Íris batendo na porta do apartamento.
— Eu revirei São Bernardo e agora você vai me contar o que está acontecendo.