121- YAS-2

1007 Words

E eu pensei, pela primeira vez em dias, que talvez, só talvez, as coisas estivessem começando a se ajeitar. Nem sempre do jeito que a gente imagina. Mas do jeito que precisa ser. E se o Natal fosse acontecer, ia ser porque a gente lutou por ele. Por cada criança. Por cada sorriso. Por cada pedacinho de esperança naquele morro. E isso, ninguém ia tirar da gente. Eu desci do carro com o coração leve e os braços já doendo de tanto segurar sacola. O porta-malas parecia não ter fim: carrinho, boneca, papel colorido, laço, pacote de bala que a Rafa insistiu em pegar “pras crianças não ficarem só no presente”. Fechei a tampa com cuidado e respirei fundo antes de subir os três degraus da kitnet. — Vamo descarregar tudo aqui na sala — falei, já empurrando a porta com o quadril. A Rafa ent

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