🕊️ CATARINA — ONDE EU NÃO ABAIXO MAIS A CABEÇA A porta bateu atrás de mim. Seca. Definitiva. Fiquei parada no meio do corredor por um segundo, ouvindo os passos dele se afastarem. Não corri. Não chorei. Não me encolhi. Só respirei. Fui pro banheiro. Liguei o chuveiro e entrei sem testar a água. Quente demais no começo, queimando a pele e eu deixei. Precisava sentir algo que fosse meu, não reação ao toque de ninguém. A água caiu pesada nos ombros. Depois nas costas. Depois no rosto. Fechei os olhos. Não era culpa. Não era vergonha. Era choque. Choque de perceber que eu tinha dito não. E o mundo não tinha acabado. Ensaboei o corpo devagar, como quem reaprende território. Cada movimento era um lembrete silencioso: aqui sou eu. Ninguém manda. Ninguém toma. Quando desliguei o chuvei

