đź“– MARLA — O GOSTO DO VĂ”MITO E O CHEIRO DO Ă“DIO O balde de plástico azul bateu no chĂŁo com um estalo seco, espalhando água com desinfetante barato por cima de uma mancha de vĂ´mito que parecia estar ali desde o sĂ©culo passado. Eu respirei fundo e o que veio nĂŁo foi ar; foi o cheiro de urina, suor de homem bĂŞbado e aquela fragrância de "limpeza" que sĂł servia pra deixar a náusea mais forte. Minhas mĂŁos, que antes sĂł serviam pra segurar copo de uĂsque e fazer carinho em fuzil de patrĂŁo, agora estavam vermelhas, queimadas pelo cloro, com as unhas quebras e sujas de crosta de lixo. — Desgraçado... — sussurrei, sentindo uma lágrima de puro Ăłdio queimar meu rosto e cair direto na água suja. O Tigre nĂŁo me matou. Ele fez pior. Ele me deu a morte em vida. Ele me jogou aqui, no puteiro da Rosinha

