🕊️ CATARINA Eu abracei a sacola contra o peito como se fosse um escudo. Meu corpo tremia aquele tremor miúdo, quase infantil, que nem vergonha consegue segurar. A voz, quando saiu, não era firme. Não era religiosa. Não era santa. Era só humana. Fraca. — Eu… eu queria ver meus pais. — minha voz quebrou no meio, como vidro rachado. — Eu quero voltar pro convento. Quero voltar pra minha vida. Bruna me olhou… e por um instante, eu juro que vi pena de verdade ali. Não zombaria. Não deboche. Não nojo. Pena. Pura. Daquelas que doem mais que a crueldade. Ela encostou as costas na pia, cruzando os braços. E quando falou, a sinceridade veio como um tapa que não machuca por maldade machuca porque é verdade dura. — Se eu fosse você… — ela começou devagar — …eu me acostumava com a nova

