JUNINHO — A TRAIÇÃO NAS SOMBRAS Enquanto o som dos graves testando lá embaixo fazia as janelas da boca tremerem, eu me enfiei num beco estreito atrás do depósito de bebidas. O cheiro de urina e mofo era forte, mas era o único lugar onde o sinal do rádio clandestino, aquele que eu mantinha escondido no fundo falso da minha mochila, pegava sem interferência. Tirei o aparelho com as mãos suadas. Aquele desgraçado... ele acha que manda em tudo, mas não perde por esperar. Apertei o botão de frequência criptografada. O chiado foi curto até que a voz rouca e impiedosa do Gavião surgiu do outro lado. — Fala, entulho. O que tu tem pra mim? — a voz do Gavião era como uma lixa. — Sou eu, chefe... o plano de atrasar as coisas pro baile deu certo, mas quase que a casa cai pra cima de mim. — falei

