O silêncio da noite foi cortado pelo som de um salto estalando no cimento. Eu ainda estava com o cigarro na boca, a mente vagando entre o rosto da Catarina e a missão do Dido, quando uma sombra cruzou a entrada da boca. Não precisei de dois segundos para sentir aquele perfume barato estragado e cigarro mentolado. O estômago virou na hora. Olhei para o lado e vi a Marla parada ali, com uma peruca loira que brilhava sob a luz morta do poste, um vestido vermelho que gritava desespero e um olhar que tentava sustentar uma marra que ela já não tinha. Antigamente, ver a Marla era sinônimo de um prazer sujo, um lazer rápido antes da próxima guerra. Eu olhava para ela e via carne. Mas agora? Agora o que eu sentia era um nojo visceral. Comparar ela com a pureza da minha santinha era como comparar

