🕯️ RITA — QUINTA-FEIRA: O SILÊNCIO PROFANADO DA IGREJA O sol, naquele entardecer, tingia o horizonte com tons de pêssego e dourado, mas o caminho de volta era permeado por uma estranha calmaria. Demasiado tranquilo. Sinistro, até. As crianças tinham passado a tarde inteira rindo, jogando pedrinhas, inventando canções sem nexo. Havia barulho, vida, o movimento saudável da rotina. Agora, pairava um silêncio que não era de cansaço, mas de ausência. A ausência de tudo o que era familiar e seguro. A sensação começou a me enroscar os nervos como um cipó espinhoso. Uma normalidade fora do eixo, uma paz falsa que só existe como prelúdio de um grito. Eu conhecia esse pressentimento. Era o cheiro de uma coisa errada. Quando a igreja de pedra, imponente e antiga, se destacou contra o céu alaranja

