TIGRE — O VENENO NA BOCA Eu desci as escadas da fortaleza como um demônio que acabou de ser expulso do paraíso. O ódio circulava no meu sangue junto com a testosterona acumulada. O p*u latejava de dor dentro da cueca, a pele da Catarina ainda queimava na ponta da minha língua, e aquela p***a de rádio não parava de chiar. Eu não queria conversa. Eu queria sangue. Quando cheguei na base da boca, o silêncio caiu como uma lona pesada. Os moleques que tavam de plantão, sentados em cadeiras de plástico com os fuzis atravessados no colo, levantaram num salto. Eles conhecem o meu andar. Sabem que quando eu piso forte desse jeito, alguém vai servir de saco de pancada. — QUEM É O RESPONSÁVEL POR ESSA MERDA?! — meu grito cortou o ar, fazendo o Dido, que tava de costas, quase derrubar o radinho de

