📖 MARLA — A ARMA MAIS ANTIGA DO MUNDO A ideia me tomou antes mesmo de o vento bater no meu rosto. Eu tinha acabado de sair do puteiro, o cheiro de perfume barato e cerveja azeda ainda grudado na pele. A raiva era meu combustÃvel, a peruca loira minha máscara, e o morro inteiro meu tabuleiro. Mal atravessei a primeira viela e já senti o olhar. Um vapor novato. Magrelo. Cheio de tatuagem m*l feita, corrente dourada falsa, e aquele olhar de macho que se acha irresistÃvel só porque segura um radinho e um fuzil. Ele me comeu com os olhos, degrau por degrau: boca, peito, cintura… coxa. Claro que ia olhar. Claro que ia babar. Loira platinada descendo o morro? Ele achou que ganhou na loteria. Eu virei o rosto de leve, jogando o cabelo aquele giro lento, calculado, ensinado pela rua e

