capitulo 48

1228 Words

O Zezão saiu tropeçando, parecendo cachorro chutado. A porta do barracão bateu atrás dele. Silêncio. Silêncio pesado. Silêncio que até o rádio teve vergonha de chiar. O Dido ficou ali, parado, coçando a nuca, o olho miúdo tentando entender o tamanho da merda que tinha acabado de acontecer. Ele puxou o ar. — Patrão… — falou baixo, quase pedindo licença. — O senhor acha que ele iria mesmo… vender a própria filha? Eu ri sem humor. Um riso curto, seco, daqueles que não divertem ninguém. — Dido… — eu falei, lento, olhar grudado na porta por onde o verme saiu. — Qual é o papo? Quem vende a alma por cinquenta conto de pó… vende a filha por desespero, por medo… ou por oportunidade. Virei pra ele. — E o Zezão? Esse arrombado venderia por tudo isso junto, mermão. Dido balançou a cabeça

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