Episódio 18

1307 Words
— Os restaurantes que ele exigiu estão entre os mais famosos da cidade e você tem que reservar com quase um mês de antecedência. Como é possível conseguir tudo isso em apenas meia hora? É óbvio que ele está fazendo isso para me irritar. — A propósito... Fabian se virou para acrescentar: se você não os trouxer em meia hora, prepare-se para ser transferida para o departamento de limpeza. Eu senti vontade de cerrar os punhos e gritar: desisto! Quando os meus lábios se moveram, as palavras ficaram presas na minha garganta. Naquele momento, Dante entrou no elevador. Quando ele se virou, sorriu dia*bolicamente para mim. — Eu... Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a porta do elevador fechou. Fechei os olhos com força e apertei os dentes. Eu gritei comigo mesma por ser tão inútil. — Adriana, Adriana! A voz do David quebrou a minha linha de pensamento. — Você está bem? — Estou bem. Eu respondi com vontade de chorar. — Eu deveria ter calado a boca. Por que me ofereci para ir buscar o café da manhã do Dia*bo? — O dia*bo? Você quer dizer o Senhor Licano? David ficou nervoso imediatamente. — Não deixe ninguém te pegar dizendo isso ou você estará acabada. Da próxima vez, você não deve se quer pensar em chamá-lo assim. — E agora o que faço? Eu estava à beira das lágrimas. — Comprar isso em meia hora é impossível. — Eu nem tinha ouvido falar sobre esses restaurantes. David me olhou com simpatia. — Eu não estive antes em lugares de tão alto nível. Quase sempre comemos no restaurante do sétimo andar. — Há uma sala de jantar no sétimo andar? Eu fiquei surpresa. Antes disso, eu só comia no vigésimo primeiro andar. — O restaurante do sétimo andar serve comida local, enquanto o vigésimo primeiro andar serve cozinha internacional. A maioria dos funcionários de colarinho branco como você vai para o vigésimo primeiro andar enquanto operários como eu, vão para o sétimo... — Já sei o que fazer. Eu me apressei em entrar no elevador porque sabia que não havia tempo a perder. Eu só tinha meia hora. Quando eu cheguei ao restaurante no sétimo andar, pedi ao cozinheiro que preparasse pizzas, sanduíches de carne e algumas outros coisas. Depois disso, eu fui ao vigésimo primeiro andar pegar um café. Depois que eu já estava com tudo, eu fui em direção aos elevadores. Como tudo era parecido, eu não acreditava que o Di*abo pudesse notar a diferença. Daquele momento em diante, eu só tinha nove minutos restantes. Quando entrei correndo no elevador com a comida, eu percebi que o meu distintivo de segurança não permitia o acesso ao sexagésimo sexto andar. Só então eu me lembrei que era Pablo, da administração, que me concedeu acesso ao andar com o seu cartão. Quando fui limpar a piscina. — O que eu vou fazer agora? Eu considerei pedir a ajuda de Roy. Mas ao lembrar como ele me evitou, eu logo conclui que seria uma perda de tempo. Ao tentar pressionar os outros botões, eu percebi que o cartão me permitia acessar apenas até o andar quarenta e oito. Assim que cheguei, eu continuei subindo as escadas. Do quadragésimo oitavo ao sexagésimo sexto andar ainda tinha dezoito andares. Ainda com frio, eu subi a escada com as pernas trêmulas. Mas, eu não daria esse gosto de eles acharem que eu era uma perdedora. Quando finalmente cheguei, ao sair da escada, cansada, eu quase caio na entrada da sala de reuniões. No momento crucial, um par de mãos me agarrou. — Obrigado... Eu disse me virando ofegante. Foi quando eu vi um rosto familiar. E o meu corpo congelou em choque. No momento em que Heitor viu Adriana, também ficou atordoado. A lembrança do passado, também deixou ele desconfortável. — Sr. Ferrera! O guarda-costas ao lado dele chamou a sua atenção em voz baixa. Ao ouvir o guarda-costas, Heitor recuperou o bom senso. Ele se soltou rapidamente e deu meio passo para trás. As suas ações me devastaram. Eu senti que o meu coração tremia e as lágrimas se acumulavam nos meus olhos. Ao perceber que Heitor estava olhando para mim, e eu não sabia o que fazer com as mãos. Com uma mão eu segurava a comida e com a outra enxugava o suor do rosto e arrumava o cabelo bagunçado. — Sr. Ferrera, temos que ir porque ainda temos uma reunião. O guarda-costas o lembrou novamente. Heitor deu outra olhada em Adriana antes de passar por ela e sair. Ele não disse uma palavra o tempo todo. De pé, eu ouvi os passos de Heitor enquanto ele saía. O meu coração parecia um pedaço de vidro se quebrando. Ele não me reconhece mais? Ou ele decidiu me ignorar? Talvez eu seja apenas uma sombra no seu coração. Uma mancha na sua vida. Ele não quer tocar no assunto, não que ter nada a ver comigo. Com esse pensamento em mente, eu senti como se uma faca cortasse o meu coração. — Chegou tarde! A voz de Dante soou atrás de mim e como se o próprio Di*abo estivesse lhe dando um aviso. Eu levei a comida para a sala de reuniões olhando para ele. — Este é o café da manhã que você comprou? Fabián tirou a comida das minhas mãos e colocou elas sobre a mesa, uma por uma. Pizza, sanduíches de carne, café... Foi o que ele pediu. No entanto, algo não parece certo. — De onde você tirou isso? Fabian perguntou. — Da cantina? Eu fiquei inexpressiva, enquanto os meus pensamentos continuavam girando em torno de Heitor. Eu sempre fantasiei sobre como seria quando nos encontrássemos novamente. Porém, nada foi como eu esperava. Heitor deve ter me desprezado quando me viu em circunstâncias tão miseráveis. O fato de ele ter dado meio passo para trás e me olhado indiferente, fez com que eu sentisse como se ele não me conhecesse. — Como isso é aceitável? Fabian repreendeu-me, eu disse a você que o Sr. Licano quer pizza da La Bella Italia, os sanduíches de carne do Listón Azul, o café artesanal de San Lorenzo... — Ele é um ser humano, como qualquer um de nos. Se podemos comer isso, por que ele não pode? Eu não aguentei mais e comecei a desabafar a minha frustração. Se eu não tivesse me oferecido para trazer o café da manhã, eu não teria esbarrado em Heitor. Isso era tudo culpa dele. Dante, que estava sentado numa cadeira giratória de couro, ergueu os olhos dos documentos na sua mão e olhou para Adriana. — Isso é um absurdo! Fabian retrucou. — Como você ousa falar assim com o Sr. Licano? Eu o ignorei enquanto me virava para sair. — Você pode se apresentar amanhã no departamento de limpeza. Fábian declarou atrás dela. Eu parei e me virei. Tirei a etiqueta de funcionário e joguei sobre a mesa. — Eu desisto! Desta vez, eu finalmente disse isso. Não havia necessidade de reunir coragem ou pensar nas consequências. — Erm... Fabián ficou atordoado. — O que você disse? Dante estreitou os olhos e olhou profundamente para ela. — Disse que... Eu desisto! Eu levantei a cabeça e olhei diretamente para ele. — Não vou entreter as suas voláteis e irregulares emoções! Incrivelmente, Dante não ficou bravo. Em vez disso, um ligeiro sorriso apareceu no seu rosto enquanto ele olhava para ela com interesse. Fabian e os outros guarda-costas ficaram atordoados. Foi a primeira vez que alguém se atreveu a responder a Dante. — Você é louca? Eu sugiro que você vá consultar um psicólogo. Ele deveria curar a sua doença o mais rápido possível. Depois de encarar Dante, eu sai com a cabeça erguida. Nesse momento, eu achei que a melhor coisa que eu poderia fazer na minha vida.
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