Assim que se aproximaram da igreja, escutaram os cânticos proféticos. Felipe entrou com Antônia e ficaram parados na entrada observando o g***o rezando ardentemente. De repente todos pararam a oração e surpresos se entreolharam. Fascinados levantaram-se sem saber ao certo onde procurar. Uma das irmãs mais antigas olhou para trás soltando um rápido suspiro que chamou atenção dos demais. O padre lentamente mantendo os olhos fixos em Felipe se aproximou dele, seguido pelos outros.
-Ó... Meu Deus! -sorriu uma irmã encantada - Quem é você?
Antônia sorriu.
-É o meu neto. A irmã pode nos dizer se vai haver missa hoje?
A mulher sem prestar atenção na pergunta, emocionada suspirou profundamente.
-Você... Tem algo... - disse o padre com um belo sorriso bondoso tocando no rostinho da criança. -...Mas como isso é possível?
Antônia ao perceber que o neto parecia assustado pediu para ele se sentar no banco e chamou o sacerdote.
-Olha padre, a gente só veio aqui para saber se vai ter missa, senão tiver, a gente vai embora.
-Não, por favor, não vá.
-Não. - pediram as freiras.
-Você já sentiu isso? Essa... - o padre caçou palavras.
-Sinto todos os dias. -sorriu a mulher emocionada.
-Senhora, podemos descobrir o que é isso...
-Ele tem isso desde quando nasceu.
Felipe observava tudo ao longe sem entender.
-Tenho muito medo de perdemos isso de nossas mãos. - afirmou o padre pensativo - Antônia, não conhecia seu neto... Mas o vendo te digo que deve protegê-lo até ele amadurecer e descobrir quem realmente é.
-Eu sei.
-Ele veio enviado. - disse uma irmã ao fundo sem conseguir se conter.
Aos poucos sem querer assustar, as outras irmãs foram se aproximando de Felipe.
-Às vezes eu não consigo acreditar nisso, sabe? Como Deus me deu esse privilégio de ter ele como meu neto?
-Maria também pensou isso.
O padre sorriu serenamente para ela.
-Cuida bem dele viu? Se não se importa gostaríamos de ficar mais próximos a ele... Acompanhar, dar segurança...
-Pode deixar.
Uma das freiras fez um sinal de cruz na testa de Felipe. O menino confuso olhou incomodado para a avó ao longe que sorria bondosamente.
-Obrigada por vir pequeno. Que Deus esteja sempre com vocês. - sorriu uma das irmãs dando um rápido beijo na criança, fechando os olhos como se sentisse uma profunda paz.