Felipe andou durante muito tempo. Um vento forte levava as folhas secas das calçadas da praça e o garoto acompanhava cada movimento, cada pessoa, cada carro... Cada qual com sua vida, suas preocupações, mas apesar de tudo, sua família. O que mais, bem no fundo de sua alma, sentia falta. O vento parecia levar aquela briga com Jorge. Na verdade, Felipe sempre sentiu que o velho um dia faria aquilo com ele. E por um lado, agradeceu por ter saído daquele lugar, tinha consciência de como sua vida e seu comportamento mudou desde quando entrou ali. Se sentia sujo. Não sabia o que seria de sua vida, mas já não sabia disso há muito tempo. Olhou-se na janela de um carro e observou o crucifixo em seu pescoço. Sempre que o tocava lembrava de sua infância e das pessoas que perdeu, nunca entendeu porq

