Dia de folga.

1038 Words
--- Pen? --- Hum... --- Pen? Você não vai trabalhar hoje? --- Não enche Brianna. --- Tio, tia, que surpresa boa. Penélope pulou da cama do mesmo instante, não havia nada que a despertasse tão repentinamente quanto a aparição dos pais. Eles não tinham uma boa relação, não eram a típica família feliz que viviam unidos. Cada família tinha seus problemas e singularidades, mas a família de Penélope não era comum, nunca havia sido. Ainda tinha vagas lembranças da época em que sua família era feliz e viviam bem, unidos, como uma família deveria ser mesmo existindo problemas. Mas isso fazia tanto tempo que não poderia sequer lembrar quando aconteceu, talvez tivesse acontecido quando ainda não havia arruinado a vida de alguém. --- Benício com certeza não te ofereceu sexo o suficiente essa manhã, porque está aqui me atormentando a essa hora? --- Já que você não vai trabalhar vamos sair comigo, preciso comprar algumas coisas para o bebê. --- Fala sério Brianna, a essa hora da manhã com um frio terrível aí fora e você vem me dizer que quer sair para fazer compras? --- Não há dia melhor, você é a tia, seu sobrinho já está nascendo, quer que ele nasça sem ter roupas para o inverno? --- Chantagem não vale, não é como se ele já estivesse nascendo, você está no sexto mês ainda Brianna. --- E o que isso importa? Se arrume, eu não vou sair sem a madrinha e tia do meu filho, você precisa me acompanhar. Penélope bufou enquanto se esforçava para sair da cama, especialmente naquele dia seus lençóis pareciam mais confortáveis e quentinhos. Isso se dava ao fato de lá fora estar uma temperatura quase abaixo de zero, com certeza sua amiga não tinha juízo algum. Nenhuma pessoa em sã consciência sairia às ruas com uma temperatura baixa e logo cedo pela manhã, mas dava pra ver que Brianna não era igual as outras pessoas. Era em momentos como aquele que Penélope se perguntava porque raios havia se tornado amiga de uma louca como ela. Não era como se tivesse tido alguma escolha, já que Brianna foi super insistente ao se aproximar de Pen quando elas estavam no fundamental. Naquela época, Pen era uma adolescente fria, tinha pouquíssimas amizades, já que era o tipo de garota que sofria bullying. Bom, seu óculos com armação super grossa não ajudava, e sua aparência, menos ainda, no passado ela nunca foi tão favorecida pela beleza. Enquanto arrumava seu cabelo no espelho passou a prestar atenção em seus traços, o tempo tinha corrido a seu favor finalmente. Havia abandonado os óculos horrendos, sua pele era cuidada e muito macia, lábios carnudos, traços bonitos e muito bem apreciados por ela. As sardas espalhadas pela região do rosto deixaram de ser algo indesejado para Pen a partir do momento que ela aprendeu a se amar do jeito que era. Obviamente que nem tudo em seu corpo a agradava, mas estava satisfeita sempre que se via no espelho. Seu corpo era bem formado, com curvas bonitas, resultado das suas idas à academia do prédio, gostava de se cuidar de todas as formas. Abriu o seu closet procurando pela roupa mais quente e confortável que poderia vestir naquela manhã tão fria. Optou por um moletom na cor bege, suas roupas se reduziam a tons neutros já que ela nunca gostou de cores fortes. Complementou com um sobretudo e um cachecol, estava pronta para colocar seu corpo para fora de casa. Essa ideia ainda não a agradava, mas se conhecia Brianna muito bem, ela não mudaria de ideia nem se começasse uma tempestade naquele momento. A encontrou na sala, assim que Brianna a avistou, andou até ela entrelaçando seu braço e a levando até o carro. Pen iria dirigir, sua amiga era esposa de um super CEO que não a deixava andar sem um motorista. Para ela Brianna havia desaprendido a dirigir fazia tempos, ela só não admitia isso ainda. Antes de irem às compras pararam em uma cafeteria, nenhuma das duas havia tomado café ainda. Fizeram seus pedidos, cada uma com escolhas totalmente diferentes, já que uma optou por doce. --- Uau, doce a essa hora da manhã, que loucura. --- Eu quero ver quando estiver grávida e o seu filho implorar por doces todos os dias. --- As vezes eu acho que você é quem deseja as coisas e fica colocando a culpa no meu sobrinho isso sim. --- E qual o problema nisso? Benício faz de qualquer forma. --- Claro que faz, aquele homem é maluco por você. --- Muitas vezes cheguei a pensar que não sou merecedora dele, imagina só, uma louca como eu ser casada com um homem tão calmo e gentil como ele. --- Você é assumida, ao menos isso. --- Justo no meu dia de folga você vem atrás de mim e me tira da cama logo cedo, que amiga incrível você é Brianna. --- Qual é, você nunca tem folga, essa é a primeira vez em anos, eu precisava aproveitar já que não sabia se você estaria livre pelos próximos meses. --- Benício com certeza deve ter te contado isso muito antes de me dar essa folga. --- Óbvio que sim, ele é o meu marido, como ele não me diria o que se diz respeito a minha única melhor amiga? --- Você é falsa, se eu fosse a sua melhor amiga não teria me tirado da cama justo na minha folga. --- Pare de reclamar e aproveita essa saída, você está sempre trabalhando, sem tempo para ir ao shopping e se cansar fazendo compras, eu irei proporcionar isso a você hoje. --- Nada do que você disser vai mudar o fato de que eu preferia estar em casa dormindo em meus lençóis super quentinhos. Brianna deixou de argumentar, não havia mais argumentos, ainda assim, o certo era que estava ali com sua grande amiga. A meses estava tentando sair com ela para fazer compras, a desculpa de Pen era que sempre estava ocupada no trabalho, dessa vez ela não conseguiu nenhuma desculpa. Sua amiga agora tinha que passar o dia com a expressão fechada dela, se tinha uma coisa em que ela era boa, era em ter sua expressão fechada.
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