Analisando a agenda de Ethan, Pen se deu conta de que naquele dia seria o jantar na casa do pai dele, um jantar que seria oferecido aos acionistas da empresa.
Ele era o pai, devia estar oferecendo um jantar para o filho que havia acabado de chegar e não para os acionistas que sempre estiveram ali.
Ethan estava irredutível, não queria ir para aquele jantar de modo algum, Pen estava sem saída, não sabia mais o que argumentar para fazê-lo ir.
Suspirou cansada, ele era mais difícil que uma criança birrenta, se o jantar estava na agenda dele com certeza era algo importante.
Aquele jantar foi marcado antes mesmo que ele chegasse em Nova York, ela mesma havia adicionado o compromisso à agenda dele.
--- Ethan por favor, se você não comparecer eles dirão que não fiz o meu trabalho direito.
--- Pen, eu não vou naquele lugar, aquelas pessoas são hipócritas, eu as odeio.
--- Por favor, juro que só vou te pedir isso.
--- Vá comigo.
--- O que?
--- Vá comigo e eu irei, não vou para o meio daquelas pessoas sozinho sem ter uma campainha.
--- Mas o convite é para você e não para mim.
--- Eu vou lidar com isso, Pen, não vou comparecer lá sozinho e aturar aquelas pessoas sem ter você comigo.
--- Qual o sentido disso?
--- Me sinto melhor se você está por perto.
Pen continuava pensando nessa frase, as palavras que saíram dos lábios dele estavam rondando a sua mente.
Estava no chuveiro tomando um banho rápido, precisava se arrumar para acompanhá-lo até o bendito jantar, claramente não estava contente em ir.
Odiava estar no meio de pessoas esnobes, hipócritas e que não tinha nem um grão de bondade, achava que os acionistas eram pessoas más.
Desde que entrou na empresa sempre viu eles de cara fechada e reclamando com cada funcionário que fizesse um mínimo erro.
Naquele momento estava começando a odiar o seu chefe, ele não devia tê-la chantageado de tal forma, para ela aquilo foi uma chantagem.
Não fez uma produção tão elaborada, apenas se vestiu com um vestido nude longo, um salto simples e um gloss, somente isso.
Seus cabelos estavam soltos, a brisa da noite fazia com que os fios fossem balançados como as ondas do mar.
Andou a passos largos até a casa de Ethan, o combinado era que esperasse em sua casa, mas não teve paciência para esperar.
O carro dele estava estacionado do lado de fora, se encostou na porta do passageiro e esperou de braços cruzados.
Esperou pacientemente, não que tivesse paciência, estava quase batendo na porta para que ele saísse logo, não gostava de esperar.
A porta se abriu no mesmo instante em que pensou nisso, Ethan apareceu vestido em uma calça social preta e uma blusa social preta.
--- Você é fã de cores escuras.
--- Você está linda Pen, como sempre.
--- Eu nem me arrumei tão bem assim.
--- Não precisa se arrumar para ficar bonita.
--- Vamos, quero voltar para casa o mais rápido possível.
Pen se virou para abrir a porta, Ethan a impediu, abriu a porta para ela e deu espaço para que ela passasse.
Balançou sua cabeça em negativa enquanto se apoiou na mão de Ethan para entrar no carro, depois de fechar a porta ele deu a volta e entrou no carro.
Enquanto o carro passava pelas ruas Pen suspirava, já estava cansada antes mesmo de chegar na casa do pai dele.
Aquele lugar era pesado, Pen já havia ido lá e não gostou do ambiente, as pessoas pareciam sempre estar com ódio no coração.
Lugares assim eram desconfortáveis para ela, por isso não gostava de ir até lá, pior ainda para um jantar, Ethan com certeza pagaria por aquilo.
--- Tudo bem com você?
--- Nem um pouco Ethan, não gosto de lá.
--- Somos dois.
Chegando na casa de seu pai, Ethan respirou bem fundo antes de sair do carro, aquela noite pelo visto seria muito longa.
Pen saiu antes dele quando viu que ele demoraria, andou até a porta principal da casa, carros estavam ali estacionados pelo lugar.
Para alcançar ela, Ethan teve que dar uma leve corrida, a alcançando já na porta principal, ela mesma tocou a campainha.
Uma empregada da casa abriu a porta para eles e foram direcionados ao salão que aconteceria o jantar.
Olhou atentamente cada rosto ali, Pen constatou que havia mais pessoas do que imaginava, pensou que só os acionistas iriam comparecer.
Acompanhou Ethan enquanto ele andava até o pai, precisava cumprimentá-lo, já que o jantar era na casa dele.
--- Pai.
--- Trouxe sua assistente? O convite era para você.
--- Eu tinha que ter alguém para me acompanhar, não dá para aturar isso aqui sem uma companhia.
Ethan disse apenas isso e saiu, bufou, o pai realmente nunca mudava, ele nem mesmo perguntou como o filho estava, já que era a primeira vez que o via desde que chegou.
Estava acostumado com a indiferença dele, mas sempre que acontecia sentia o mesmo sentimento, vazio por não ser amado pelo próprio pai.
Ficaram os dois em um canto mais reservado, Pen agradeceu por isso, queria mesmo fugir da atenção de todas aquelas pessoas.
Tudo estava uma maravilha antes de se sentarem à mesa para o jantar, porque foi ali que toda a intriga começou novamente.
--- Achei que convidados não poderiam convidar.
--- Se fosse assim os acionistas não poderiam trazer acompanhantes Margarida.
--- Está me desafiando, garoto? De onde veio toda essa m*l criação?
--- Não tive mãe e muito menos uma boa madrasta, o resultado só poderia ser r**m.
--- Amor, vai deixar o seu filho falar assim comigo?
--- Respeite a sua madrasta Ethan, ela criou você como um filho e te deu tudo que tem, não seja m*l criado.
Ethan bateu suas duas mãos na mesa e se levantou bruscamente, afastando a cadeira, esse ato deixou todos assustados.
Ao seu lado estava Pen, perplexa com a cegueira do pai dele por não enxergar a megera que a esposa estava sendo bem ali do seu lado.
--- Pare de falar bobagens, pai, eu não tive uma mãe, não tive madrasta, ninguém nunca cuidou de mim, eu tenho conhecimento, tenho dinheiro, tenho ligações, tenho educação, mas não por que sua mulher me deu tudo isso, eu conquistei tudo sozinho.
--- E as oportunidades que te dei?
--- Oportunidades? Você sempre me colocava na pior escola Margarida, me deixava de castigo sempre que eu era melhor que seus filhos em alguma matéria da escola, e agora está dizendo que me deu oportunidades? Eu tenho nojo de você Margarida, nojo.
A passos extremamente largos ele saiu da sala e Pen o acompanhou correndo, suas pernas eram pequenas para alcançar ele devagar.