Era mais um dia de extremo cansaço para Pen, estava indo para casa, foi um longo dia e tudo que pretendia fazer ela relaxar na sua banheira.
Esse era o seu plano até encontrar Gavin, seu pai, bem ali em frente a sua casa encostado em seu carro, tudo que menos precisava para aquele dia cansativo era encontrar o pai.
O amava, mas sabia que sua mãe não devia ter consciência que ele estava ali, e sempre que descobria ela fazia uma grande confusão.
--- Pai.
--- Minha Pen.
Foi abraçada, recebeu um beijo no rosto, não podia negar que seu pai mesmo distante sempre demonstrou o mesmo amor por ela.
Os dois foram para dentro, Pen foi para a cozinha e voltou com uma bandeja, havia feito um chá para esquentar o frio da noite.
Gavin sorriu para a filha, sempre foi bom estar na companhia de sua filha caçula e a mais adorada aos seus olhos, não negava que tinha preferência de filhos.
Pen sempre foi a mais próxima a ele, ela sempre esteve colada no pai desde pequena, e foi isso que o fez a preferir.
Amava seus filhos de todo os seu coração, cada um deles, mas Pen era um caso diferente, era sua filha caçula e a que mais esteve com ele.
--- Aconteceu algo?
--- Nenhuma novidade, só vim para te ver, eu não devo?
--- Claro que deve pai, mas sabe que a mamãe odeia quando vem até a minha casa.
--- Ela um dia vai se conformar que você tenha seguido a sua vida e tenha conseguido um grande emprego.
--- Como ele está?
--- Deveria visitá-lo, Noah a ama tanto quanto eu.
--- Eu não posso pai, você sabe que não.
--- O emprego que conseguiu para ele, sabe que ele jamais vai aceitar sabendo que você sairá do seu porque não quer vê-lo.
--- Mas ele precisa muito mais que eu pai, eu consigo arrumar outro emprego.
--- Ele é irredutível, não vai ceder mesmo que você queira.
Pen suspirou, tomou um gole do seu chá enquanto apreciava o gosto quentinho que aquela bebida tinha, era mesmo daquilo que estava precisando.
Antes que pudesse saborear ainda mais o seu chá, batidas insistentes na porta foram ouvidas, os dois já sabiam muito bem quem era.
Gavin foi até a porta, abriu, Amélia entrou como um furacão, olhou para todos os cantos procurando por Pen, não aguentava mais aquilo.
Foi até ela, virou a bandeja que estava em cima da mesa, o líquido quente derramou sobre os braços e pernas de Pen, estava quente, ela sentiu o ardor intenso.
Se levantou ficando em frente a Amélia, Gavin até queria interferir mas sabia que se interferisse sua esposa faria algo ainda pior.
--- Você não se cansa de interferir nas nossas vidas? Já causou tanta desgraça e ainda quer acabar com o resto que sobrou da nossa família?
Ficou em silêncio, todas as vezes ela ficava em silêncio, as palavras sempre fugiam da sua boca antes mesmo de pensar em proferir alguma palavra.
--- Perdeu a capacidade de falar? Sua língua foi arrancada da sua boca? Fica longe da minha família, garota imunda, eu tenho nojo de você, tenho nojo de ter te gerado, e queria que jamais tivesse nascido.
Amélia saiu pela porta, Gavin quis ficar e ajudar a sua filha, mas Pen silenciosamente pediu para que ele fosse com ela ficando ali sozinha.
Queria evitar que as lágrimas corressem pelo seu rosto, mas foi impossível, rapidamente sentiu seu rosto sendo molhado pelas lágrimas que pesavam.
Seu coração se sentia mais triste pelas palavras que a sua mãe lhe disse, do que pela a queimadura que estava em seus braços e pernas.
Queria ignorar aquela dor e ir para um hospital de carro, porém isso era impossível, suas mãos estavam com queimaduras feias, não conseguiria dirigir até o hospital.
Suspirou, reuniu todo o fôlego e coragem que ainda tinha, decidiu pedir ajuda a pessoa mais próxima que tinha de si.
Andou devagar até a casa de Ethan, a cada passo sentia como se sua pele estivesse cedendo, não aguentava mais tanta dor.
Chegou na porta de Ethan, não pôde tocar a campainha porque logo caiu no chão sem forças, a dor era cortante e insuportável.
Bateu na porta dele com a única força que ainda lhe restava, a cada minuto que ele demorava uma lágrima caía, se ele não estivesse ali estava perdida.
A única pessoa que estava bem ali perto da sua casa era ele, não aguentaria esperar mais tempo para ir ao hospital.
Abrindo a porta de casa Ethan olhou para todos os lados, não encontrou ninguém, até sentir a sua calça moletom ser agarrada por uma mão.
Olhou para baixo, Pen estava ali, chorando e parecia com muita dor, observou atentamente para ver de onde vinha tamanha dor.
--- Pen, calma, pode me contar o que aconteceu?
--- São queimaduras Ethan, eu não aguento mais essa dor horrível, me leve ao hospital... Por favor.
Ethan decidiu não fazer mais perguntas, pegou Pen no colo com muito cuidado, colocou ela no banco do passageiro e entrou no carro também.
Dirigiu rapidamente até o hospital, a cada gemido e lágrima de dor de Pen, sentia uma dor cortante em seu coração como se estivesse sendo arrancado.
Já no hospital desceu do carro aos tropeços, pegou Pen no colo e entrou correndo no hospital, gritou com todo o ar dos seus pulmões por ajuda.
Médicos e enfermeiros se encaminharam até ele, colocaram Pen em uma maca e ela foi levada para uma sala, não pôde acompanhá-la, ficou ali com seu coração na mão.
Pela primeira vez na vida Ethan sentiu medo, muito medo, aquele sentimento de medo jamais existiu para ele, mas estava sentindo na pele.
Aquele não era um caso em que Pen morreria, ainda assim Ethan estava com medo, ver o sofrimento dela era algo que jamais iria querer presenciar aquela cena novamente.
Já estava decidido, não deixaria mais aquele sentimento escondido, não podia fazer isso, não tinha como, não havia solução.
Tentou, tentou de todas as formas amar aquela mulher, mas não atrapalhar a vida dela, mas agora as situações eram outras.
Cuidaria de Pen, iria se assegurar de nunca mais ver aquele sofrimento nos olhos dela novamente, a sua mulher não passaria mais por situações como aquela.
De alguma forma iria conquistar o coração dela, não sabia como, mas iria, tinha determinação o suficiente para fazer isso.
Seu corpo estava inquieto, se lembrava do choro doído de Pen, e a cada vez era uma pontada diferente no coração, sentia também a mesma dor insuportável que ela sentia, mas sem ter se machucado como ela.