Uma mulher, com cabelos loiros como ouro e um sorriso ao mesmo tempo encantador e tímido, se destacava no meio da multidão na pista de dança. Ela se movia de um jeito desajeitado, que quase me fez rir. Era fofa e completamente desengonçada. Seu cheiro era algo que nunca tinha sentido antes, excitante e irresistível. De repente, ela abriu os olhos e, mesmo à distância, vi o azul profundo que me hipnotizou.
— Demetrius... Aconteceu alguma coisa? — Matias perguntou, mas eu não conseguia tirar os olhos dela.
— Aquela mulher... — Apontei para a pista. Ele seguiu meu olhar.
— Qual delas? Tem muitas pessoas ali. — Ele franziu a testa, tentando encontrar a mulher que eu via.
— A de vestido azul e cabelos loiros. — Falei com impaciência, mas ela não estava mais lá. Como se só eu pudesse vê-la, o que me deixou inquieto. Olhei novamente, e ela reapareceu. Seus olhos estavam cheios de medo, e um arrepio percorreu meu corpo. Algo estava muito errado.
Saí da área VIP com pressa, o cheiro dela me puxando como um ímã. Algo dentro de mim, meu lobo, gritava: “Nossa Luna!” A sensação era tão intensa que me causou náusea.
— Demetrius, o que está acontecendo? — Victoria tentou acompanhar meu ritmo enquanto eu descia as escadas.
— Não sei... tento me conectar mentalmente com ela, mas só vejo vermelho. Sinto suas emoções e estão carregadas de pavor. Nunca senti algo assim. — Desci as escadas respirando fundo, tentando seguir o rastro dela.
Matias e Victoria estavam logo atrás de mim. Muitos abaixavam a cabeça quando passávamos; outros simplesmente saíam do caminho. O cheiro dela estava mais forte quando chegamos à porta da boate. Ela saiu por ali, e agora o cheiro de medo e dor estava mais intenso.
— Tem algo errado, Matias... — Avisei, e ele ficou alerta ao meu lado, pronto para qualquer coisa.
Tentei abrir nossa conexão mental novamente e fui inundado por um medo avassalador. A dor dela era tão palpável que quase me derrubou. Eu sabia que o errante estava por perto. O cheiro da morte estava no ar.
— Ele está aqui... — Victoria rosnou e se transformou, fazendo com que Matias e eu fizéssemos o mesmo, junto com nossos guardas.
Corremos juntos pela rua, meu peito queimando com uma mistura de medo e raiva. Estávamos perto. Assim que chegamos a um beco escuro, ouvimos uma voz masculina gritar:
— Não... Não... Você! — Victoria chegou na frente, mas, como da última vez, o espectro sumiu antes que pudéssemos alcançá-lo.
Ela soltou um rosnado de pura frustração.
— Nãããoooo...
Me aproximei e vi a mulher. Ela estava desmaiada, mas ainda respirava, seu coração batendo fracamente. Enquanto Victoria permanecia de guarda ao meu lado, Matias saiu do beco.
Peguei-a nos braços, meu lobo gritando em minha mente: "LUNA... LUNA..." O cheiro dela, uma mistura de coco e menta, era intoxicante.
— Ela ainda está viva. Leve-a para a clínica da família o mais rápido possível. — Ordenei. Victoria se transformou de volta, pegou a mulher e correu até nosso carro.
Matias me trouxe roupas novas, e rapidamente me transformei de volta em humano.
— Aqui, senhor. Estávamos perto de novo.
— Sim, mas ela não morreu. Está fraca, mas não morreu. — Falei enquanto nos dirigíamos para outro carro que nos esperava.
— O que aconteceu, Demetrius? — Matias perguntou, preocupado.
— Não sei... Nunca senti algo assim. As emoções dela eram como as minhas. Mas não consegui ver o que ela via.
— Talvez ela seja uma humana... — Matias sugeriu.
— Não. Ela é tudo menos humana. Senti algo poderoso dentro dela, mas não consigo identificar o que é.
Chegamos ao hospital da família. Victoria estava lá, terminando de se vestir.
— Onde ela está? — Perguntei, a impaciência crescendo.
— A médica está terminando os procedimentos. — Respondeu Victoria.
O cheiro dela enchia o ar, e eu tive que me controlar para não perder a cabeça.
— Alfa... — Uma mulher se aproximou. — Sou Rafaela, a médica. A moça que trouxeram está bem. Fraca, mas bem. Ela só precisa descansar e ficará boa assim que acordar.
— Posso vê-la? — Perguntei, já indo na direção que ela apontava.
— Sim, senhor. Por aqui...
Fui conduzido até o quarto onde ela estava. Meu lobo dentro de mim quase explodiu quando entrei. Ela era o ser mais celestial que já vi. Seus cabelos loiros brilhavam como ouro, sua pele era tão branca quanto a neve, e suas sardas a tornavam ainda mais perfeita. Seu cheiro... ah, aquele cheiro era puro êxtase.
Sentei-me ao lado dela, incapaz de desviar o olhar. Passei a mão pelos seus cabelos, ajeitando os fios rebeldes. Senti as batidas do seu coração como se estivessem sincronizadas com as minhas. Olhei para seus pulsos e vi uma marca de queimadura em um deles e uma mancha no outro. O maldito espectro...
Victoria e Matias entraram no quarto, me observando em silêncio.
— Consigo ouvir seus pensamentos, Matias... — Disse, porque os questionamentos em sua mente eram altos e claros. "Por que ele está sentado ali? Por que está tocando nos cabelos dela?" Nem eu sabia ao certo.
— Alfa, a médica disse que as queimaduras e a mancha vão sarar com o tempo. — Victoria informou, tentando me tranquilizar.
— O que ela é? — Matias perguntou, confuso.
— Não faço ideia. — Respondi, distraído. De repente, um pensamento estranho, que não era meu nem dos meus amigos, tomou conta da minha mente. Olhei para a mulher à minha frente e me levantei de um salto.
— Demetrius... O que foi? — Matias perguntou, alarmado.
Vi um lobo em chamas avançando na escuridão. A visão não era minha. A intensidade do que sentia me fez segurar na beira da cama para não cair. O cheiro dela estava tão forte, e a visão do lobo em chamas era tão avassaladora que me ajoelhei, enquanto meu lobo interior se encolhia de medo.
— Demetrius... — A voz de Matias parecia distante enquanto eu tentava cortar a conexão com a mulher. Mas era como areia movediça, e eu estava sendo sugado para dentro dela. Até que tudo ficou escuro e eu desmaiei.