Sentimentos Ligados

1043 Words
Uma mulher, com cabelos loiros como ouro e um sorriso ao mesmo tempo encantador e tímido, se destacava no meio da multidão na pista de dança. Ela se movia de um jeito desajeitado, que quase me fez rir. Era fofa e completamente desengonçada. Seu cheiro era algo que nunca tinha sentido antes, excitante e irresistível. De repente, ela abriu os olhos e, mesmo à distância, vi o azul profundo que me hipnotizou. — Demetrius... Aconteceu alguma coisa? — Matias perguntou, mas eu não conseguia tirar os olhos dela. — Aquela mulher... — Apontei para a pista. Ele seguiu meu olhar. — Qual delas? Tem muitas pessoas ali. — Ele franziu a testa, tentando encontrar a mulher que eu via. — A de vestido azul e cabelos loiros. — Falei com impaciência, mas ela não estava mais lá. Como se só eu pudesse vê-la, o que me deixou inquieto. Olhei novamente, e ela reapareceu. Seus olhos estavam cheios de medo, e um arrepio percorreu meu corpo. Algo estava muito errado. Saí da área VIP com pressa, o cheiro dela me puxando como um ímã. Algo dentro de mim, meu lobo, gritava: “Nossa Luna!” A sensação era tão intensa que me causou náusea. — Demetrius, o que está acontecendo? — Victoria tentou acompanhar meu ritmo enquanto eu descia as escadas. — Não sei... tento me conectar mentalmente com ela, mas só vejo vermelho. Sinto suas emoções e estão carregadas de pavor. Nunca senti algo assim. — Desci as escadas respirando fundo, tentando seguir o rastro dela. Matias e Victoria estavam logo atrás de mim. Muitos abaixavam a cabeça quando passávamos; outros simplesmente saíam do caminho. O cheiro dela estava mais forte quando chegamos à porta da boate. Ela saiu por ali, e agora o cheiro de medo e dor estava mais intenso. — Tem algo errado, Matias... — Avisei, e ele ficou alerta ao meu lado, pronto para qualquer coisa. Tentei abrir nossa conexão mental novamente e fui inundado por um medo avassalador. A dor dela era tão palpável que quase me derrubou. Eu sabia que o errante estava por perto. O cheiro da morte estava no ar. — Ele está aqui... — Victoria rosnou e se transformou, fazendo com que Matias e eu fizéssemos o mesmo, junto com nossos guardas. Corremos juntos pela rua, meu peito queimando com uma mistura de medo e raiva. Estávamos perto. Assim que chegamos a um beco escuro, ouvimos uma voz masculina gritar: — Não... Não... Você! — Victoria chegou na frente, mas, como da última vez, o espectro sumiu antes que pudéssemos alcançá-lo. Ela soltou um rosnado de pura frustração. — Nãããoooo... Me aproximei e vi a mulher. Ela estava desmaiada, mas ainda respirava, seu coração batendo fracamente. Enquanto Victoria permanecia de guarda ao meu lado, Matias saiu do beco. Peguei-a nos braços, meu lobo gritando em minha mente: "LUNA... LUNA..." O cheiro dela, uma mistura de coco e menta, era intoxicante. — Ela ainda está viva. Leve-a para a clínica da família o mais rápido possível. — Ordenei. Victoria se transformou de volta, pegou a mulher e correu até nosso carro. Matias me trouxe roupas novas, e rapidamente me transformei de volta em humano. — Aqui, senhor. Estávamos perto de novo. — Sim, mas ela não morreu. Está fraca, mas não morreu. — Falei enquanto nos dirigíamos para outro carro que nos esperava. — O que aconteceu, Demetrius? — Matias perguntou, preocupado. — Não sei... Nunca senti algo assim. As emoções dela eram como as minhas. Mas não consegui ver o que ela via. — Talvez ela seja uma humana... — Matias sugeriu. — Não. Ela é tudo menos humana. Senti algo poderoso dentro dela, mas não consigo identificar o que é. Chegamos ao hospital da família. Victoria estava lá, terminando de se vestir. — Onde ela está? — Perguntei, a impaciência crescendo. — A médica está terminando os procedimentos. — Respondeu Victoria. O cheiro dela enchia o ar, e eu tive que me controlar para não perder a cabeça. — Alfa... — Uma mulher se aproximou. — Sou Rafaela, a médica. A moça que trouxeram está bem. Fraca, mas bem. Ela só precisa descansar e ficará boa assim que acordar. — Posso vê-la? — Perguntei, já indo na direção que ela apontava. — Sim, senhor. Por aqui... Fui conduzido até o quarto onde ela estava. Meu lobo dentro de mim quase explodiu quando entrei. Ela era o ser mais celestial que já vi. Seus cabelos loiros brilhavam como ouro, sua pele era tão branca quanto a neve, e suas sardas a tornavam ainda mais perfeita. Seu cheiro... ah, aquele cheiro era puro êxtase. Sentei-me ao lado dela, incapaz de desviar o olhar. Passei a mão pelos seus cabelos, ajeitando os fios rebeldes. Senti as batidas do seu coração como se estivessem sincronizadas com as minhas. Olhei para seus pulsos e vi uma marca de queimadura em um deles e uma mancha no outro. O maldito espectro... Victoria e Matias entraram no quarto, me observando em silêncio. — Consigo ouvir seus pensamentos, Matias... — Disse, porque os questionamentos em sua mente eram altos e claros. "Por que ele está sentado ali? Por que está tocando nos cabelos dela?" Nem eu sabia ao certo. — Alfa, a médica disse que as queimaduras e a mancha vão sarar com o tempo. — Victoria informou, tentando me tranquilizar. — O que ela é? — Matias perguntou, confuso. — Não faço ideia. — Respondi, distraído. De repente, um pensamento estranho, que não era meu nem dos meus amigos, tomou conta da minha mente. Olhei para a mulher à minha frente e me levantei de um salto. — Demetrius... O que foi? — Matias perguntou, alarmado. Vi um lobo em chamas avançando na escuridão. A visão não era minha. A intensidade do que sentia me fez segurar na beira da cama para não cair. O cheiro dela estava tão forte, e a visão do lobo em chamas era tão avassaladora que me ajoelhei, enquanto meu lobo interior se encolhia de medo. — Demetrius... — A voz de Matias parecia distante enquanto eu tentava cortar a conexão com a mulher. Mas era como areia movediça, e eu estava sendo sugado para dentro dela. Até que tudo ficou escuro e eu desmaiei.
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