Inicio da Viagem

799 Words
Acho engraçado como essa proximidade com o Alfa mexe comigo. Ele simplesmente apareceu do meu lado, e, de repente, nunca me senti tão segura e confortável com alguém. Houve tantas vezes em que era só Bianca e eu, tantas vezes em que saí pelos fundos para evitar os olhares e cochichos. — Olha a menina sem lobo... — sussurravam. — Ela vai ser rejeitada pela matilha e acabará como uma ômega errante, sem casa e sem família... — diziam outros. Minha mãe lutou muito para se tornar uma anciã, só para impedir que os anciãos me expulsassem. Meu pai trabalhou incansavelmente para se tornar o Grã-Mestre e assim evitar os julgamentos. Eu sempre fui um fardo. Às vezes, à noite, vou até a fonte da cidade e imploro à Deusa da Lua que liberte minha loba. — Anya, você ouviu? — Demetrius me chama, tirando-me dos meus devaneios. — Me desculpe, Demetrius. Estava perdida em pensamentos. Ele sorri, um sorriso lindo. Alguém já disse a ele que é a coisa mais bonita deste mundo? — Teremos que descansar. Vamos fazer uma parada. Callagher está a dois dias de distância. Que tal pararmos em Uligam para comer e descansar? — Ele pergunta, voltando a olhar para a estrada. Estava escurecendo, e ele já devia estar dirigindo por umas dez horas. — Claro, podemos parar e esticar as pernas — respondo. Ele faz um gesto e noto que está se comunicando com o Beta. O carro atrás de nós pisca os faróis em resposta. Gostaria de saber como é essa sensação, mas, ao mesmo tempo, temo que ter alguém mais na minha cabeça enlouqueceria meus pensamentos. Quando olho para frente novamente, vejo as luzes da cidade de Uligam. É muito maior e mais iluminada que Tannor. Talvez, depois dessa viagem, eu possa sugerir algumas ideias para melhorar nossa cidade. — Você nunca saiu de Tannor, não é? — Não, nunca. Mamãe dizia que as outras comunidades talvez não me aceitassem — digo, e o vejo apertar o volante. — Eu sei que sou uma ômega, o elo fraco da matilha. Mesmo que o Alfa Rei tenha aberto nossas fronteiras, ainda seguimos o código: os três lobos mais fortes prevalecem, e os mais fracos são exilados para o lado sul. Uma vez, um ômega errante tentou se estabelecer na nossa cidade. Os anciãos o desafiaram em combate, e ele perdeu. Foi enviado para o sul. Ninguém que vai para o sul volta. Fico imaginando o que há lá. — Alfa, posso perguntar uma coisa? — Sim... — O que há no lado sul? Ele fica em silêncio por um momento, perdido em pensamentos. — Demetrius... — toco seu braço suavemente, tentando chamar sua atenção. Seus olhos estão escuros. — A escuridão, bestas, dor, ódio e tormenta, Anya. Mas você nunca precisará ir para lá. Eu não permitirei — sua voz é sombria e firme, diferente do habitual tom suave e gentil. Não sinto medo; pelo contrário, sinto como se pudesse ser seu Lycan. Abaixo a cabeça em respeito, mas ele me interrompe. — Não precisa abaixar a cabeça. Argus só queria dizer oi para você... Quando olho novamente, é Demetrius de volta. Nunca imaginei que estaria tão perto de um Supremo, muito menos ouvir a voz de seu Lycan. As luzes da cidade passam pelo vidro do carro. Paramos em frente a um hotel muito bonito. Victoria desce do carro e vem até mim, passando o braço pelo meu pescoço. — Menina, já estava ficando louca para sair daquele carro. Estou faminta e querendo correr um pouco — ela diz. Eu rio, deixando-a sem graça. Fiz Victoria, uma das guerreiras de Demetrius, corar. — Bom, eu também estou faminta, mas deixar para correr depois — digo, sorrindo. — Desculpa, Anya. Foi um impulso. — Relaxa... Vamos entrar. O hotel é lindo, com uma arquitetura fantástica. — Queremos cinco quartos, por favor — Demetrius diz à recepcionista, que abaixa a cabeça em sinal de respeito. — Desculpe, senhor, mas temos apenas três quartos, todos de casal. Estamos recebendo um casamento, e quase todos os hotéis da cidade estão lotados — ela responde. Demetrius nos olha. Somos eu, ele, Victoria, Matias e dois guardas. Como vamos nos acomodar em apenas três quartos? Olhamos uns para os outros. — Posso ficar com Victoria, e vocês dividem os outros dois quartos — sugiro, mas Victoriaparece desconfortável. — Ah, a parte complicada de se ter um companheiro... — Desculpa, Anya... — murmura Victoria. — Entendi. Olho para os outros dois rapazes e sinto uma repulsa inexplicável. Olho para Demetrius, que não mostra nenhuma reação. — Ok, ficaremos com os quartos — ele diz, fazendo as reservas. Depois, entrega as chaves para os dois guardas, para Matias e Victoria, e restamos eu e Demetrius com o mesmo quarto.
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