CAPÍTULO 6: A Revelação do Trono de Sombras

1152 Words
POV – LORENZO ROSSI O silêncio na sala de reuniões era tão denso que eu podia ouvir o tic-tac do relógio de platina no pulso de Arthur. Todos os doze assentos estavam ocupados. Doze mentes, doze poderes. Minha curiosidade sobre Vittoria e Vinícius não era mais apenas intelectual; era uma coceira sob a pele que me impedia de focar nos gráficos à minha frente. Eu os observava. Vittoria, mesmo com o corte no pescoço, mantinha uma elegância predatória. Vinícius, com o braço enfaixado pela Maya, parecia um lobo em repouso. — Lorenzo, se você continuar encarando a Vittoria assim, vai acabar furando o terno dela com os olhos — Aurora comentou, quebrando o gelo com seu tom sarcástico, enquanto girava uma caneta dourada entre os dedos. — Eu só quero entender com quem estamos sentados à mesa — respondi, minha voz ecoando com a autoridade de líder. — Ninguém resolve um atentado no México em uma semana sendo apenas "seguranças de elite". POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Olhei para Vinícius. Ele assentiu levemente. Era hora. Se íamos ser uma família, o Conselho precisava saber que nossa lealdade vinha com um preço de fumaça e pólvora. — Você quer a verdade, Arquiteto? — Eu me inclinei para frente, apoiando os cotovelos na mesa de carvalho n***o. — Então ouçam com atenção, porque esta é a última vez que explicaremos quem somos. O Conselho inteiro parou. Benjamin largou o arco do violino. Isabella fechou seu notebook jurídico. — Nossa vida não é feita de escritórios de vidro e reuniões de condomínio — comecei, minha voz fria. — Vinícius e eu fomos treinados desde o berço para o abate. Somos herdeiros da Vitale Enterprises e do Grupo Ortega, sim. Mas acima de tudo... somos herdeiros da Máfia de Chicago. Um suspiro coletivo percorreu a sala. — Máfia? — Lucas Duarte perguntou, os olhos brilhando com uma mistura de choque e reconhecimento técnico. — Isso explica por que eu não conseguia rastrear o sinal de vocês. Vocês usam tecnologia de criptografia militar de subsolo. — Somos o aço que protege o ouro — Vinícius completou, a voz rouca, olhando diretamente para Maya. — Enquanto vocês protegem legados, curam pessoas e gerenciam fortunas, nós eliminamos quem tenta tocar em vocês. Protegeremos este Conselho com as nossas vidas, porque agora vocês são o nosso clã. POV – CONSELHO DOS HERDEIROS (Vozes da União) — Isso muda tudo — Arthur disse, recuperando a compostura, seus dedos digitando rapidamente. — Se integrarmos o capital da máfia com nossas gestões financeiras, o poder de investimento do Conselho se torna, tecnicamente, inalcançável por qualquer governo. — E a parte jurídica? — Isabella interveio, seus olhos de futura advogada brilhando com o desafio. — Eu posso criar camadas de empresas de fachada que nem a Interpol conseguiria penetrar. Se vocês são a força, eu sou a invisibilidade legal dessa força. — Eu já desconfiava — Davi admitiu, cruzando os braços. — A logística de vocês é limpa demais. Com a frota de caminhões do Conselho e as rotas seguras de vocês, podemos mover qualquer coisa para qualquer lugar do mundo sem deixar rastros. — Do ponto de vista médico — Maya disse, sua voz suave mas firme, mantendo o olhar fixo em Vinícius — isso explica os ferimentos de combate. Minha ala médica agora precisa de um protocolo de trauma de guerra. E eu vou garantir que nenhum de vocês morra enquanto eu for a médica deste grupo. — E as fazendas! — Vitor Rossi exclamou, olhando para Helena. — Nossas terras no interior podem servir como centros de treinamento discretos ou locais de refúgio. O império agro é o esconderijo perfeito. — Eu cuido da imagem — Aurora disse, com um sorriso astuto. — Vou transformar o Conselho na face mais caritativa e brilhante de Chicago. Ninguém suspeitará que, por trás das festas luxuosas que eu organizo, existe um exército pronto para a guerra. — E eu trarei a paz para os nossos momentos de lazer — Benjamin murmurou, voltando a tocar uma nota suave no violino. — Porque mesmo no meio do sangue, precisamos de harmonia. POV – LORENZO ROSSI Eu ouvia cada um deles e sentia a estrutura do meu mundo se expandir. O que eu projetei como um grupo de herdeiros de negócios acabava de se transformar em uma potência avassaladora. — Vocês percebem o que estamos criando aqui? — perguntei, olhando para cada um dos doze. — Juntos, não somos apenas ricos ou influentes. Somos invencíveis. A técnica de vocês — olhei para os meus primos — e o instinto letal de vocês — olhei para os Vitale — formam uma união que causará tremores em qualquer um que ouse nos desafiar. — É uma união perigosa, Lorenzo — Vittoria disse, levantando-se e caminhando até a janela, observando Chicago aos seus pés. — Mas é a única que garantirá que todos nós cheguemos aos cinquenta anos com o sobrenome intacto. Aproximei-me dela, parando logo atrás. O Conselho começou a conversar entre si, discutindo os novos planos de integração. Naquele canto isolado da sala, o ar parecia rarefeito. — Você me escondeu isso por semanas — sussurrei perto do seu ouvido. — Por que contar agora? — Porque eu vi como a Maya cuidou do meu irmão — ela se virou, ficando a centímetros do meu rosto. — E porque eu vi como você olhou para mim quando eu voltei ferida. Você não estava curioso apenas pelos negócios, Lorenzo. Você estava com medo de me perder. — Não seja convencida, Vitale — retruquei, mas minha mão, por instinto, tocou a curva da cintura dela. A posse que eu sentia era irracional. — Eu só não gosto de perder meus investimentos. — Então cuide bem deste aqui — ela colocou a mão no meu peito, sentindo meu coração acelerado. — Porque a partir de hoje, a Máfia e o Conselho são um só. E eu não aceito nada menos que a vitória absoluta. POV – VINÍCIUS ORTEGA VITALE Enquanto Lorenzo e Vittoria travavam sua batalha silenciosa, eu me aproximei de Maya. Ela estava guardando alguns frascos na sua maleta médica. — Então, agora você sabe, Doutora — disse, observando-a. — Não sou um bom rapaz. Sou o herdeiro do Dom. Maya parou o que estava fazendo e me olhou nos olhos. Não havia medo neles, apenas uma determinação que me fascinava. — Eu sou médica, Vinícius. Eu vejo o que está por dentro. O sangue que você carrega nas mãos não muda o fato de que você se colocou na frente de uma bala por mim. No meu conselho, você é o herói que eu não pedi, mas que pretendo manter vivo. Eu dei um sorriso torto, sentindo que, pela primeira vez, eu não precisava esconder quem eu era para ser aceito. O Conselho dos Herdeiros era a nossa nova casa. E que Deus ajudasse quem tentasse derrubar nossas portas.
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