POV – LORENZO ROSSI
A nova base estava finalmente pronta. O que antes era um esqueleto de aço na zona sul, agora se erguia como uma fortaleza geométrica de vidro fumê e concreto blindado. Era a obra-prima do meu Conselho. O andar superior era o nosso santuário: uma mesa circular de carvalho n***o com doze cadeiras de couro, cercada por telas que monitoravam cada transação financeira e movimento suspeito na cidade.
Dez cadeiras estavam ocupadas pelos meus. Mas, hoje, duas cadeiras extras esperavam por quem havia mudado o curso da nossa segurança.
As portas duplas de titânio se abriram. Vittoria e Vinícius entraram. Ela usava um terno de seda bordô que gritava autoridade, e ele, uma jaqueta de couro escura, mantendo as mãos nos bolsos com uma arrogância que eu estava começando a respeitar.
— Sejam bem-vindos ao coração do Conselho — eu disse, levantando-me. A possessividade que eu sentia por aquele lugar agora se estendia à mulher que caminhava em minha direção. — Depois do que Vinícius fez pela Maya, não há mais dúvidas. O Conselho dos Herdeiros quer formalizar uma aliança com a família Vitale.
POV – VITTORIA ORTEGA VITALE
Olhei ao redor. A tecnologia ali era superior a qualquer coisa que eu já tinha visto, exceto talvez nos bunkers do meu pai. Mas o que realmente me impressionou foi a lealdade nos olhos de cada um daqueles herdeiros. Eles olhavam para Lorenzo com respeito, e para Maya com uma proteção feroz.
— Nós aceitamos — eu disse, minha voz ecoando na sala acústica. — Os Vitale não esquecem lealdade, e o fato de vocês terem cuidado do meu irmão na mansão de vocês selou o nosso acordo. A partir de hoje, a segurança de elite dos Vitale e das Sombras é a muralha deste Conselho.
Um murmúrio de aprovação percorreu a mesa. Maya sorriu para Vinícius, um sorriso tímido que fez meu irmão desviar o olhar, coçando a nuca — algo que ele só fazia quando estava genuinamente sem jeito.
— Ótimo — Lorenzo disse, aproximando-se. Ele estava a centímetros de mim, o perfume amadeirado dele tentando nublar meus sentidos. — Vamos assinar os contratos de integração agora. Lucas já preparou os acessos digitais para vocês.
— Há um detalhe, Lorenzo — eu o interrompi, sentindo o prazer de ver a sobrancelha dele se erguer em dúvida. — Nós aceitamos o lugar no Conselho. Mas a oficialização pública e a integração total terão que esperar duas semanas.
— Por quê? — a voz dele ficou mais baixa, carregada de uma curiosidade que ele tentava disfarçar com autoridade.
— Eu e Vinícius precisamos viajar. Temos uma missão pendente que não pode ser adiada.
POV – LORENZO ROSSI
"Missão". A palavra soou estranha para uma empresária de segurança. Minha mente de arquiteto começou a desenhar cenários. O que uma mulher de 20 anos e seu irmão de 19 fariam em uma "missão" secreta?
— Que tipo de missão? — perguntei, mantendo a pose de líder inabalável. — Como parceiros, o Conselho deve saber onde seus membros estão.
— Há coisas que nem mesmo o Conselho está pronto para ouvir, Arquiteto — Vittoria deu um sorriso de lado, aquele que me deixava em chamas. — Digamos que é um assunto de família. Sangue chamando sangue.
Ela não ia me contar. A frustração subiu pelo meu pescoço, mas eu não podia demonstrar fraqueza na frente dos outros.
— Duas semanas — eu disse, fixando meus olhos nos dela. — Se você não voltar no prazo, eu mesmo irei buscar você, Vittoria. E não serei educado como fui no leilão.
— Eu contaria com isso — ela sussurrou, passando por mim em direção à saída.
POV – VINÍCIUS ORTEGA VITALE
Enquanto Vittoria e Lorenzo mediam forças, eu me aproximei de Maya, que estava ajustando alguns tablets na ala médica da mesa.
— Então, Doutora... — eu disse, encostando-me na mesa. — Vou ficar fora uns dias. Tenta não ser sequestrada de novo enquanto eu não estiver por perto para te segurar, beleza?
Maya riu, e o som era música para os meus ouvidos treinados para ouvir tiros. — Vou tentar, Vinícius. Mas para onde você vai? É perigoso?
Eu olhei para as mãos dela, as mesmas que cuidaram dos meus cortes com tanta doçura. Eu não podia dizer que estava indo para o México desmantelar um cartel que estava tentando infiltrar armas no território do meu pai.
— Apenas um treino avançado — menti, dando um leve toque no queixo dela. — Cuida do meu ombro até eu voltar. Quero ver se o curativo foi bem feito.
POV – O RIVAL (Inveja e Sombras)
Longe dali, em um escritório escuro e luxuoso no centro da cidade, um homem observava as fotos dos doze herdeiros entrando na nova base. Marcus Vanchini, o herdeiro de uma das famílias que o Conselho havia deixado para trás na última década, esmagou o cigarro no cinzeiro de cristal.
— Eles acham que são invencíveis — Marcus rosnou para seus comparsas. — Os Rossi já eram um problema. Mas agora eles trouxeram esses Vitale. Eles estão criando um exército.
— O que vamos fazer, senhor? — um dos homens perguntou.
— Se não podemos derrubar a fortaleza, vamos atacar as juntas — Marcus sorriu maldosamente. — Eles estão saindo em missão? Ótimo. Vamos descobrir para onde. Se os Vitale caírem fora de Chicago, os Rossi perdem o escudo. E o Conselho vai sangrar.
POV – VITTORIA ORTEGA VITALE (No Jatinho Privado)
O jato da família Vitale decolou rumo ao sul. Eu olhava pela janela, vendo as luzes de Chicago ficarem pequenas. Vinícius estava limpando sua arma preferida no banco à frente.
— Você viu a cara do Lorenzo? — Vinícius perguntou, rindo. — Ele quase teve um aneurisma tentando descobrir para onde estamos indo.
— Ele é um homem de controle, Vi — respondi, abrindo uma pasta com as fotos do nosso alvo. — E ele está começando a perceber que eu sou a única coisa no mundo que ele não pode controlar.
— E você? — Vinícius ficou sério. — O que sente por ele? Não é só negócios, eu te conheço.
Eu olhei para o símbolo da rosa e da adaga no meu tablet.
— Ele é a estrutura que eu nunca tive, Vinícius. E eu sou a paixão que ele tem medo de sentir. Se sobrevivermos a essa missão no México, Lorenzo Rossi vai descobrir que ter a Máfia ao seu lado é uma bênção... mas ter Vittoria Vitale no coração é um perigo que ele pode não sobreviver.
POV – LORENZO ROSSI
Voltei para a mansão dos herdeiros tarde da noite. A casa estava silenciosa, mas eu não conseguia dormir. Fui até o escritório e abri os arquivos de segurança que o Lucas tinha capturado sobre o carro que buscou os Vitale.
"Destino: Desconhecido."
Eles tinham sumido do mapa.
— Onde você está, Vittoria? — murmurei, socando a mesa de madeira.
Pela primeira vez em 22 anos, a arquitetura da minha vida parecia incompleta. Faltava uma peça. Uma peça perigosa, instável e absurdamente fascinante. Eu estava no topo do mundo, mas o mundo parecia vazio sem a provocação daqueles olhos cinzas.
O Conselho estava unido, a base estava pronta, mas a guerra estava apenas começando. E eu sabia, no fundo do meu peito, que quando Vittoria voltasse, ela não traria apenas contratos. Ela traria o cheiro do pecado e a marca do sangue.