A casa parecia respirar silêncio.
Você estava sentada no sofá há tempo demais, os dedos entrelaçados, enquanto Dominic falava baixo ao telefone em italiano. O tom dele era contido, mas havia algo ali — uma rigidez que não existia antes.
Quando ele desligou, ficou alguns segundos parado, encarando a janela escura.
— Ele sabe — Dominic disse, finalmente.
— Quem? — você perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
— Lorenzo.
Seu estômago afundou.
— Como?
Dominic virou-se para você. Os olhos estavam frios, mas havia algo diferente por trás deles. Preocupação. Verdadeira.
— Ele mandou um recado — disse. — Não para mim. Para você.
Seu coração disparou.
— Que tipo de recado?
Dominic caminhou até a mesa e pegou um celular. Colocou-o à sua frente.
Na tela, uma foto.
Você reconheceu imediatamente a rua. O prédio. Sua antiga rotina. Um registro feito de longe, mas claro o suficiente para provar uma coisa: você estava sendo observada.
— Isso foi tirado ontem — Dominic disse. — Antes da festa.
— Então… — sua voz falhou — isso começou antes de você?
— Começou quando você entrou no campo de visão errado — ele respondeu.
Você se levantou de uma vez.
— Dominic, isso é sério demais. Eu não posso ficar aqui.
— Pode — ele disse, firme. — E vai.
— Você não decide isso!
O olhar dele escureceu instantaneamente.
— Eu decido quando se trata da sua segurança.
Você se aproximou, o peito subindo e descendo rápido.
— Ou isso é sobre controle?
Por um segundo, o silêncio foi perigoso.
Então Dominic fez algo inesperado.
Ele deu um passo para trás.
— Você tem razão — disse, lentamente. — Por isso a decisão precisa ser sua.
Você piscou, surpresa.
— Lorenzo quer me atingir usando você — continuou. — Se você sair agora, eu consigo apagar seus rastros. Ele perde o interesse.
— E se eu ficar?
Dominic se aproximou novamente, devagar.
— Então ele vai tentar te quebrar para me atingir.
— E você?
— Eu vou impedir — ele disse. — Custando o que custar.
O tom dele não era uma promessa vazia. Era um fato.
— Dominic… — você sussurrou. — Até onde você iria?
Ele levantou a mão, segurando seu rosto com firmeza contida. O toque não era carícia. Era proteção. Posse. Conflito.
— Já fui longe demais — disse, a voz baixa. — Porque não deveria me importar assim.
O olhar de vocês se prendeu. O mundo pareceu encolher.
— Isso é perigoso — você murmurou.
— Você também — ele respondeu. — E mesmo assim… está aqui.
Um barulho seco ecoou do lado de fora. Um estouro distante. Vidro se quebrando.
Os dois se viraram ao mesmo tempo.
Dominic puxou você para trás dele em um movimento rápido, o corpo servindo de escudo.
— Fique aqui — ordenou.
— Dominic—
— Agora.
Homens surgiram no corredor. Um deles assentiu.
— Foi o portão lateral. Um aviso.
Dominic fechou os olhos por um segundo.
Quando abriu, algo tinha mudado.
— Lorenzo cruzou a linha errada — disse.
— O que você vai fazer? — você perguntou, com medo da resposta.
Ele se virou para você.
— Algo que eu evitei por muito tempo.
Ele segurou suas mãos.
— E é aqui que você decide — disse. — Se ficar comigo, nada será simples. Nada será leve. Mas eu não deixo ninguém te tocar.
— E se eu for embora?
— Eu te deixo ir — ele respondeu. — Mesmo que isso me custe mais do que deveria.
Você sentiu o peso da escolha cair sobre seus ombros.
Ficar significava perigo.
Ir embora significava deixar algo que já era forte demais para ignorar.
Você respirou fundo.
E então deu um passo em direção a Dominic.
— Eu fico.
Por um instante, ele fechou os olhos. Não em vitória.
Em rendição.
— Então — disse, encostando a testa na sua — ninguém mais decide nada sobre você… além de nós dois.
Lá fora, Lorenzo Vitale tinha feito sua jogada.
E Dominic Moretti tinha escolhido a guerra.