O retorno ao salão não passou despercebido.
Você sentiu os olhares antes mesmo de vê-los. Sussurros discretos, pausas longas demais nas conversas. Dominic caminhava ao seu lado como se o mundo abrisse passagem — e, de certa forma, abria. Não havia toque entre vocês, mas a proximidade dizia tudo.
— Relaxe — ele murmurou, sem olhar para você. — Quem observa não morde. Quem morde… eu já conheço.
Você engoliu em seco.
— Está todo mundo olhando — sussurrou de volta.
— Estão tentando entender por quê — respondeu. — E isso os incomoda.
Vocês pararam perto de uma mesa onde homens mais velhos bebiam em silêncio. Um deles, de cabelos grisalhos e olhar afiado, encarou você por tempo demais.
— Domenico — disse ele, a voz arrastada. — Não sabia que madrinhas faziam parte das negociações agora.
Dominic virou-se lentamente, o sorriso sumindo por completo.
— Não fazem — respondeu, frio. — E é exatamente por isso que não é da sua conta.
O homem estreitou os olhos.
— Cuidado. Pessoas fora da família costumam ser… vulneráveis.
Você sentiu o ar mudar. Dominic deu um passo à frente, colocando-se sutilmente à sua frente. O gesto foi pequeno, mas definitivo.
— Se alguém tocar nela — disse, em tom baixo e perigoso — eu pessoalmente me encarrego de ensinar o significado de vulnerabilidade.
O silêncio caiu como uma lâmina.
O homem ergueu as mãos em rendição disfarçada.
— Foi apenas um comentário.
— Comentários matam — Dominic respondeu. — Às vezes, mais rápido que balas.
Ele segurou seu cotovelo e a afastou dali sem pedir permissão. Você não resistiu. Não conseguia.
— Isso foi necessário? — perguntou quando chegaram a um canto mais afastado.
— Foi um aviso — ele disse. — Para você… e para eles.
— Aviso de quê?
Dominic inclinou-se levemente, os olhos fixos nos seus.
— Que você não está sozinha.
Antes que pudesse responder, um dos seguranças de Dominic se aproximou, claramente tenso.
— Chefe… — ele murmurou algo no ouvido dele.
O rosto de Dominic endureceu. A mudança foi imediata. O homem que flertava minutos antes deu lugar ao chefe da máfia.
— Onde? — ele perguntou.
— Estacionamento. Um dos convidados… não é da lista.
Dominic fechou os olhos por um segundo e depois voltou-se para você.
— A partir de agora, você não sai do meu lado.
— O quê? Por quê?
— Porque alguém decidiu testar limites — ele respondeu. — E você acabou no meio.
— Isso tem a ver comigo?
— Tem a ver com o fato de que olharam para você do jeito errado.
Ele fez um gesto curto, e dois homens se posicionaram discretamente perto.
— Dominic, eu não pedi isso — você disse, tentando manter a calma.
— Eu sei — ele respondeu, mais baixo agora. — Mas a máfia não espera convites.
Ele aproximou-se o suficiente para que só você ouvisse.
— Enquanto estiver aqui, você é minha responsabilidade. Minha proteção.
Seu coração batia forte.
— E se eu não quiser?
Os olhos dele suavizaram por um segundo — não muito, mas o suficiente para você perceber.
— Então eu vou proteger mesmo assim.
Lá fora, sirenes distantes ecoaram brevemente. O clima da festa nunca mais foi o mesmo.
E você entendeu, naquele instante, que não era apenas atração.
Era perigo real.
E Dominic Moretti não protegia ninguém sem um motivo.