Cinco

1168 Words
Hatake Naomi. Minha cabeça dói assim como todo meu corpo, como se eu tivesse sido surrada sem parar e o local em que eu me encontro é bem iluminado para ser um esconderijo, o que me deixou confusa já que fui sequestrada. A chuva caía lá fora e o som de brigas e xingamentos foi o motivo de eu ter acordado assustada. Não sei bem o que aconteceu depois que desmaiei e também não sei como vim parar aqui já que meu corpo estava com quase nada de chakra. Foi aquela maldita espada, disso eu sei. - Finalmente acordou. — Dou um pulinho por conta do susto e olhei para o homem de antes, onde ele estava?! - Pain certo? O que eu faço aqui? — Sussurro porém minha voz estava muito rouca e minha garganta doeu, provavelmente por estar seca. - Konan vai lhe trazer algo para beber e comer. — O homem sentou na cama me olhando. - Vai alimentar uma prisioneira? — Questiono com deboche. - Não, vou alimentar a filha de dois grandes ninjas e mostrar seu verdadeiro potencial para o mundo... Se ficar do nosso lado. - Está dizendo para eu entrar na Akatsuki e trair minha aldeia? - Sim. Como sempre. - Então você é mais pirado do que parece e eu não sou a filha de dois grandes ninjas, só de um... Infelizmente. — Ele apenas se manteve com a mesma aparência enquanto a porta era aberta e por ela Itachi entrou ao invés da única mulher da Akatsuki. - Konan está ocupada com Tobi e Deidara, vim trazer por ela. — O Uchiha esclareceu e eu apenas consegui focar na fome enorme que me devorava de dentro para fora. Peguei a bandeja das mãos de Itachi ignorando a presença de ambos e passei a focar nos lanches junto do copo de suco. Não levou mais de dez minutos para eu estar terminando de comer e quando isso aconteceu, Pain tirou a bandeja de cima da cama e se afastou a deixando distante de mim enquanto voltava a se aproximar. - Você vai passar por uma cirurgia, ficará dois meses de repouso para garantir que não haja problema no novo coração. Você ficará aqui, é meu quarto mas eu não o uso e é uma forma de garantir que ninguém venha salva-la ou que você fuja. — Ergo a sobrancelha olhando para ele que se manteve com a mesma postura. — Alguma pergunta? - Você tá brincando com a minha cara seu fodido de merda?! — Grito me levantando porém quase caí ao sentir a ausência de chakra me "espancar" o que resultou em minha fraqueza porém o portador do rinnegan me segurou pelo braço. - Não deveria se estressar ou usar sua energia, até termos confiança em você Kisame alimentará a SameHada com seu chakra. Pedirei a Konan para que ajude você em seu banho e recomendo que durma, os médicos de Amegakure a encheram de perguntas amanhã. - Legal, vocês me sequestraram mas não pegaram meu histórico médico, patéticos. — Me sento na cama fazendo com que ele me solte. — Por que eu? - Sua mãe era Uchiha Sayuri, você é uma grande chave para o mundo conhecer a paz através da dor. — Arregalo os olhos me virando para ele que sequer piscava. - Ela não é minha mãe... Sayuri é... Uma assassina... E traidora. Como ele. — Falo com ignorância me referindo ao Uchiha no cômodo. - Você é filha dela, um teste de DNA foi feito antes de você acordar... Questione seu pai se reencontra-lo um dia. - Mais alguém sabe? - Todo o mundo shinobi sabe da existência da filha de Uchiha Sayuri... — Ele começou a se afastar indo até a saída. — E em breve saberão que você caiu nas mãos inimigas. - Que patético. - Fique feliz, o selo que prendia mais da metade de seu chakra foi removido. — E eu tinha isso? Antes que eu possa perguntar o homem saiu me deixando sozinha e só então notei que Itachi tinha sumido. Provavelmente usando seus corvos. Velhos hábitos nunca morrem. Mas... Como Uchiha Sayuri é minha mãe? Ela é uma nukenin psicopata, uma traidora de Konoha, a pior que já existiu por ser da linhagem de... Uchiha Madara, rival do primeiro hokage. Um mês depois. - Vamos encontrá-la, Kakashi. — Tsunade falou e o Hatake abaixou o olhar para o livro no colo. — Não se preocupe. Ele não disse nada apenas se levantou e pegou seu colete de jounin o vestindo enquanto era observado pela Senju, ele ficou preso em um genjutsu no último mês por conta de Itachi, que escapou e levou sua filha. - Precisa descansar. - Eu perdi meu pai, meus melhores amigos morreram por minha culpa, meu sensei morreu e eu não pude fazer nada, minha noiva se tornou uma nukenin e provavelmente foi morta. — Kakashi olhou para Tsunade com a expressão vazia e olhar gélido. — Eu vou descansar quando minha filha estiver me xingando em casa e mandando todo mundo a merda. - Recrute quantos ninjas precisar, boa sorte. Mas lembre-se, mesmo que seja sua filha, não abaixe sua guarda. — Ele concordou com apenas um aceno na cabeça e olhou pela janela vendo a chuva cair. — E precisa tomar cuidado com seu chakra, ainda está bagunçado. - Meu chakra é o menor dos problemas, eu nunca devia ter mentido para ela ou afastado ela. — Kakashi falou com arrependimento na voz. — As mentiras causaram o seu sequestro. Hatake Naomi. - Quer bolo? — Konan ofereceu mas apenas afastei o prato sentindo meu corpo pesado. - Não estou com fome. - Garota, você emagreceu dez quilos e sequer precisa. — Olho para Kisame e abraço meu corpo. - Quando tiver o maldito Pain na sua cola 24horas por dia pode falar algo, até lá mantenha a p***a da boca fechada. — Me levanto caminhando para fora da cozinha e pude sentir os olhares em mim porém nada disseram. Eu não aguento mais isso, ficar aqui e descobrir que o coração que estou usando pertence a alguém que foi morto simplesmente por ser a pessoa perfeita para a doação. Será que alguém está me procurando? Será que eles vão pensar em vir para Amegakure? Será que meu pai está me procurando? Eu nunca imaginei que sentiria falta de Kakashi como senti no último mês. Subi até o último andar e não estava ofegante como seria normal graças ao coração novo, Pain estava em seu quarto/escritório e como costumo fazer, passei por ele indo até a varanda. Me sentei na grade sentindo as gotas d'água molharem meu corpo e pude deixar as lágrimas rolarem soltas enquanto os raios começavam a ecoar no céu. - Logo eu, que odeio cliches estou fazendo o mesmo que uma garota ao ser sequestrada pelos vilões. – Sussurro observando o céu e abaixei o olhar. – Eu sinto saudade de vocês... Mas eu não tenho outra escolha.
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