Capítulo doze

2143 Words
"Ela é a filha do demônio! - Gritou mais uma vez o meu avô." Eu estava em pé no escritório dele, vendo-o discutindo com a minha mãe. Ela estava escutando tudo que aquele homem tinha para falar. Eu me lembrava desse dia, foi o dia que a minha mãe descobriu que eu sofria nas mãos do meu avô, ela gritava tão alto que no dia eu pensei que eu iria ficar surda. "Então o seu filho também é um demônio! - Gritou para ele." Eu me sentei no sofá que tinha ali e fiquei vendo aquelas cenas de grito e de angústia passar, mas meus olhos apenas observavam a pequena garota que tremia e tentava de todos os modos não chorar. A pequena garota que tinha tranças nos cabelos era eu. Seus olhos estavam vermelhos e seu nariz escorria, mas os seus lábios estavam sendo mordidos pelos seus dentes pequenos e brancos. Suas mãozinhas abraçavam a perna da mulher que gritava em plenos pulmões. "Sua v***a! Você disse para o meu filho que esse capeta era filha dele! Ele acreditou. - Empurrou a menina no chão, pegou nos ombros da mulher e a sacudiu. "Me largue, me largue. - Repetiu a mulher tentando retirar as mãos fortes do homem. _ Ela realmente é filha dele, eu sempre... - Levou um tapa no rosto." "Eu sei que não é, eu sei que essa é a cria do d***o. Eu irei contar para o meu filho e você. - Apontou para a minha mãe que passava os dedos no seu rosto." Mamãe apenas riu e olhou para a menina que se levantava do chão. "Ela é uma cópia de minha. - Disse a mulher com seus olhos verdes vibrando de raiva. _ Mas só porque ela não se parece com o seu filho, ela vira um demônio para você. Ela é filha dele, eu nunca me deitei com nenhum outro homem além de... - Meu avô tentou mais uma vez bater na mulher, mas sua mão foi parada no ar." Todos que estavam no escritório olharam para a menina que mordia os lábios fortemente. Ela protegeu a sua mãe. "O senhor pode me bater. - Sangue escorria pelo seu queixo. _ Mas na minha mãe não." Sorri para a pequena menina que tentava proteger a sua mãe com sua magia. Seu rosto estava manchado de sangue, mas ela não se importava. "Olha o que o senhor fez! - Minha mãe se ajoelhou e começou a limpar o rosto da menina. _ O meu amor, por que você mordeu os seus lábios? Não precisa se machucar." "Eu não queria chorar. - Fungou o nariz. _ Eu sou forte. - Tentou sorrir." Meu avô via aquela cena enojado e por conta disso, ele petrifica a minha mãe e me leva daquele escritório. Levantei-me do sofá e sigo ele, eu sabia o que ele iria fazer comigo, mas os meus pés não me obedeciam. Eu não queria ver me apanhando. Mas eu já tinha perdido o controle do meu corpo. Entrei no quartinho vendo o meu avô jogar a menina no chão. "Filha do d***o me desobedeceu. - Pegou a varinha e apontou para a menina." Eu não queria ver ou ouvir os gritos. Mas eu vi tudo, tudo que eu tentava esquecer, eu vi. Tudo que eu guardei dentro de um baú, foram expostos. Eu vi todas as punições que eu levei durante anos e no final, eu apenas fiquei chorando em algum canto daquele sonho. "Você ainda não superou. - Disse meu subconsciente. _ Mas será que um dia irá superar?" "O dia que eu superar esses anos de sofrimento, eu devo ter morrido. - Solucei vendo uma eu mais velha." Ela se sentou a minha frente e começou acariciar os meus cabelos. Eu me encostei nela e eu comecei a chorar novamente. Enquanto a Leesa chorava no seu quarto, Tom caminhava para o segundo andar. Tom entrou no banheiro e falou a palavra para entrar na câmara, e ela se abriu. Tom se sentou no chão e deu impulso para frente, escorregando pelo túnel rapidamente. O corpo da Murta já tinha sido devorado pelo basilisco e era um dos motivos que Tom não deu de cara com um cadáver no túnel que ele escorregava. O corpo do homem perdeu a velocidade na última curva e ele foi capaz de sair do túnel. Indo em direção da porta que tinha sete cobras. Ele diz mais uma vez em língua de cobra e a porta se abriu, recebendo o seu herdeiro com tamanha elegância. Tom não queria ver o basilisco ou treinar para talvez uma futura guerra. Ele apenas queria ir ao quarto de Salazar e pegar aquele objeto. Ele entrou no quarto do Sonserino e viu uma pintura de uma menina. Ela sorria com os quatro fundadores e seus olhos estavam borrados. _ Ela é linda, não é? - Tom retirou a varinha e se virou para a voz. _ Se acalme, garoto, sou apenas o dono desse quarto. - Sorriu o fantasma e Tom guardou sua varinha. _ Quem é ela? - Perguntou Tom alisando o seu dedo na pintura. _ Ela me parece familiar. _ Ela é a pessoa que eu amei, nem mesmo a minha esposa eu amei. - Lembrou da mulher que lhe envenenou. _ Ela parece ser bem simpática, ela morreu de quê? - Perguntou se sentando na cama de casal. _ Ela não morreu, ela era uma viajante do tempo e ela levou o meu coração para o futuro e eu fiquei contemplando o passado. - Sussurrou tentando alisar o quadro. _ Por que não disse que a amava? _ Eu a disse, mas ela tinha uma missão e ela não poderia ficar comigo no passado. Depois de meses ela se foi e eu tive que me casar com alguém que eu não gostava. _ Talvez em outra realidade você tenha se casado com sua amada. - O fantasma riu. _ Eu falei a mesma coisa para ela antes de ir embora. - Sorriu se sentando ao meu lado, como ele se sentou? Eu não sei. _ Você ama alguém? Tom olhou para ele e se lembrou da menina que já fazia parte de seus sonhos e pensamentos, seu coração bateu rápido e ele sorriu. Um sorriso que era sincero e mostrava o quanto ele estava apaixonado. _ Só por esse sorriso eu posso dizer que está apaixonado. Ela retribui o sentimento? - Perguntou alarmado. _ Eu acho que sim. - Ele não sabia, eles apenas se beijavam e andavam por aí, ele não a ouviu falar que o amava e nem ela o ouviu dizer que a amava. _ Acho que falta eu falar para ela o que eu sinto. Ela pode ser vidente, mas não sabe de tudo. _ Ninguém sabe de tudo, eu pensei que eu sabia de tudo e olha como eu estou? Morto. - Sorriu triste. _ Eu confiei em uma pessoa que só queria o meu dinheiro e fama. _ Morreu por causa da sua esposa? - Ele concordou. _ Entendo. _ O que veio fazer aqui? - Pergunto olhando para o nada. _ Bom, vim pegar o anel de consorte. - Salazar o olhou e concordou com a cabeça. _ Eu o comprei para presentear a minha menina, ela iria gostar do anel. _ Pensei que o anel fosse de sua esposa. _ Eu não permiti que ela usasse nada que era da minha pequena rata. - Tom apenas levantou a sobrancelha e Salazar entendeu. _ Ela era uma fofoqueira e para irritá-la, eu coloquei esse apelido e no final eu comecei a chamá-la de pequena menina. Tom se levantou da cama e foi até a mesa de cabeceira, pegando a caixinha de veludo que estava dentro de uma gaveta. Ele abriu a caixinha e viu o anel. Ele era um anel de ouro preto brilhante, esculpido em um elaborado design de folha no topo. Uma impressionante esmeralda ficava corajosamente no centro, cercado por pétalas de ouro preto, formando a imagem atraente de uma flor de lótus. _ Belíssimo. - Disse colocando no bolso. _ Eu pedi que fosse esculpido no melhor joalheiro da cidade e a peça ficou tão linda que fez sucesso por um longo tempo o modelo na loja. _ Minha pequena vai gostar desse anel, eu espero. - Sorriu batendo no bolso. _ Até algum dia, Salazar. _ Espere. - Tom parou. _ Qual é o nome da sua garota? _ Leesa, Leesa Granger. - Sorriu saindo do quarto e ele perdeu a tristeza na face do fantasma. Sua pequena menina já estava namorando, ele não poderia brigar com ela por causa disso. Ele apenas poderia dar suas felicitações, mas nem isso ele conseguia. Salazar estava em choque. _ Eu espero que alguma realidade Leesa tenha me escolhido ao invés de sua missão. - E tinha, duas para falar a verdade. Tom saiu do túnel e fechou a câmara, ele estava feliz por ter conseguido o anel, mas a sua felicidade acabou quando viu Debby, a elfa que gostava da Leesa. Ela chorava e dizia coisas sem sentindo, mas quando ela disse: Leesa e enfermaria. Ele correu como se a sua vida dependesse disso. Ele entrou na enfermaria e viu que alguns alunos estavam olhando e chorando, uma sensação r**m assombrou o seu coração e ele andou com passos vacilantes para a cama que todos estavam em volta. _ Essa enfermaria só chega mais pessoas, vejo que a senhorita Granger é muito amada pelos alunos e professores. - Tom nem ligou pelas palavras da enfermeira, ele só queria ver a sua garota. Ele andou pedindo licença para todos e viu sua menina ofegante, ela estava vermelha e chorava. _ O que aconteceu com ela? - Perguntou Tom com a voz falha. _ Ela está presa em um sonho e me parece que é um bem r**m. - Berlinda disse dando lugar ao garoto. _ A elfa a trouxe e todos que estavam no corredor viram a professora ser levada para a enfermaria. _ Ela parece que está sofrendo. - Disse Canélio e ele era loiro de olhos azuis. _ Parece? Ela está sofrendo. - Tom disse colocando a mão na testa da menina e confirmou que ela estava com febre. _ Deram alguma poção para ela? _ Sim, para baixar a febre e para fazê-la acordar, mas nada adiantou. - Disse uma Lufana. _ Diretor Dippet ainda não sabe desse acontecimento, um aluno foi falar para ele. _ Irão levá-la para St.Mungus? - Perguntou Slughorn chegando na enfermaria, ele vestia um pijama e a estampa era de pirulitos de formatos diferentes. Como a Leesa passou por alguns alunos que estavam indo para os seus salões comunais por causa do toque de recolher, eles acabaram se separando e chamando quem viesse pela frente. Até mesmo bateram nas portas dos professores os chamando. Os impedindo de dormir. _ Precisamos do diretor para que ela seja transferida... - Alguém entrou correndo na enfermaria e se chocou com Tom _ Me perdoe. - Disse Malfoy ao seu lado. _ O estado da professora é muito grave? Todos gostavam da professora, desde que ela explicou para toda a escola que os bruxos precisavam dos trouxas. _ Não sabemos. - Disse a enfermeira trazendo uma bacia. _ Só sabemos que ela precisa se esfriar. - Pegou a bacia e a colocou na mesa de cabeceira. Molhou o pano na água fria e o colocou na testa de Leesa. _ Os alunos estão vindo para cá. - Disse Dumbledore vestindo uma camisola vermelha. _ Por Merlim, eu achei que eles ficariam nos salões comunais. - Disse a enfermeira secando o suor de Leesa. _ Essa enfermaria pode ser grande, mas não comporta tantas pessoas. - Disse estressada. _ Dippet está chegando, eu o vi pelo caminho. Ele já avisou St.Mungus. _ Graças a Merlim. - Disseram os alunos e Tom apenas estava olhando para a sua menina, tentando descobrir a origem desse acontecimento, mas nada vinha em sua mente. _ Ela vai ficar bem. - Disse Dumbledore olhando para o garoto. _ Ela é mais forte que todos nós juntos. _ Eu espero que ela melhore rapidamente. - Disse sério. _ Ela vai melhorar, tenhamos fé nela. - Deu um tapinha no ombro do garoto. _ Eu nunca disse que eu não tinha fé na minha futura esposa. - Dumbledore escondeu a repulsa dentro do seu peito e continuou olhando a menina que estava desacordada. Tom pegou uma cadeira e se sentou segurando as mãos de Leesa, ela apertou suas mãos e disse: _ Tom. - Todos ficaram em silêncio e olharam para as lágrimas que saiam de seus olhos. _ Não vá... - Chorava ainda mais. _ Diga que está aqui. - A enfermeira bateu no menino. _ Pequena? Estou aqui, não irei lhe abandonar.
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