25 de junho de 1943:
Querida mamãe, eu tenho tanto para lhe contar que eu estou contando os dias para te ver. Espero que a senhora esteja bem e que a minha irmã tenha dado notícias de sua faculdade.
Com amor e carinho, de sua filha.
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Dobro a carta e a coloco no envelope, aliso Serafin e ele piou bicando a minha mão. Eu entrego a carta para ele e ele alçou voo no céu nublado.
Eu me virei e dei de cara com uma pessoa, torço o meu pé e quase caio no chão. Uma mão forte segurou a minha cintura e eu olhei quem era.
_ Bom dia, senhor Riddle. - Mordi os meus lábios para tentar controlar o meu coração que batia fortemente. _ Me desculpe, eu não o vi e obrigada por me ajudar.
Ele continuava com sua mão em minha cintura e as minhas mãos estavam em seus braços. Seus olhos foram para os meus lábios mais uma vez e sua mão deslizou para os meus lábios os separando dos meus dentes. Sua mão estava fria e um arrepio involuntário surgiu no meu corpo.
_ Naquele dia, você me disse que eu não sabia flertar, mas eu acho que estou pegando o jeito. - Abri a minha boca para falar alguma coisa e seus dedos começaram acariciar os meus lábios.
Seu rosto se aproximava do meu e eu apertava seus braços para tentar pará-lo. Seus lábios estavam a centímetros dos meus, mas ele não os beijou, ele apenas acariciou os meus lábios com os seus, me instigando a querer colar os nossos lábios.
_ Se continuar, eu não serei responsável por minhas ações. - Digo o olhando.
_ O apelido que eles te deram realmente faz sentindo, rainha de gelo. - Retirou seu braço da minha cintura e do meu rosto, dou alguns passos para trás.
_ Obrigada pelas palavras. - Digo sobre o que ele tinha acabado de falar. _ Lhe vejo por aí. - Começo a sair do corujal, mas ele me para. _ Precisa de alguma coisa?
_ Quero que você ensine os meus amigos o patrono. - Disse sucinto.
_ Que horas? - Eu tinha tempo livre, já que eu já fiz todas as minhas obrigações.
_ Poderia ser agora? - Assinto com a cabeça. _ Meus amigos devem estar esperando em frente ao banheiro já que nós não conseguimos entrar no seu salão.
Eu descobri que quando eu estava no salão as pessoas que eu conhecia poderiam entrar sem falar a senha.
_ Tem que ter senha para entrar naquele lugar. - Digo saindo do corujal e ele andava atrás de mim. _ Quando eu estou na sala, as pessoas que eu conheço podem entrar sem senha. - Eu o olhei de esguelha.
_ Compreendo. - Disse pegando os meus materiais do meu braço. _ É o mínimo que eu posso fazer para você que vem me ajudando tanto nesse tempo. Obrigado. - Foi sincero e meu coração errou uma batida.
_ De nada, eu espero que eu possa fazer mais para lhe ajudar, desde que a minha mãe fique fora disso.
_ Estou na escola e eu ainda não posso fazer nada, mas quando eu sair, eu irei proteger vocês duas. - Eu não precisava de proteção. _ Sei que a senhorita é muito capaz e reconheço sua força, mas eu quero fazer algo por ti. - Minha respiração ficou desregulada e minhas mãos suavam, eu sentia tanta vergonha.
_ Protegendo a minha mãe é o bastante.
_ Mas para mim não é. - Me olhou e seus olhos tinha um sentimento desconhecido por mim. _ Chegamos.
_ Senhorita Granger. - Os amigos dele fizeram uma mesura e eu não entendi o propósito daquilo.
_ Bom dia. - Digo entrando no banheiro que a Murta morreu.
E falando nela, o diretor fez uma ronda pela escola toda, mas ninguém encontrou nada e todos começaram a pensar que ela fugiu. E assim ninguém saiu prejudicado.
Falo a senha e entro no salão e Tom e seus amigos vieram logo atrás, peguei o meu material dos braços de Tom e os coloquei em cima do sofá. Mostro a escada lateral e ele subiram correndo, como crianças de cinco anos.
Tom subiu devagar e eu estava logo atrás dele. Chegamos no salão e eu fico no meio já que a mesa flutuava e as cadeiras a mesma coisa.
_ Façam fila. - Digo pegando a minha varinha da manga. _ Peguem as suas varinhas. - Todos pegaram as suas varinhas. _ Vocês devem saber que o patrono precisa de um sentimento, precisa de uma lembrança que lhe façam sentir felicidade e sem ele, nada irá sair. - Os olhei atentamente.
_ E se a pessoa não tiver uma lembrança feliz? - Tom perguntou.
_ Não conseguirá fazer, nem mesmo um filete de magia irá sair de sua varinha. - Paro de andar de um lado para o outro e digo: _ Expecto Patronum!
Um filete azul saiu da minha varinha e logo em seguida uma águia começou a voar.
_ É assim, agora pensem na melhor memória e façam. - Todos tentaram, mas nada saiu. _ Tentem pensar numa memória mais forte.
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Horas e mais horas se passaram, mas nada saia daquele grupo de alunos.
_ Vocês realmente são infelizes. - Digo sentada no chão. _ Não tem problema, talvez um dia vocês consigam, mas agora vocês não vão conseguir nada.
Tom me olhou e eu o olhei de volta, ele apontou sua varinha para o alto e disse novamente o feitiço e dessa vez uma cobra saiu de sua varinha e eu me levantei para parabenizá-lo.
Os seus amigos sorriram e disseram que era de se esperar.
_ Parabéns, é um ótimo patrono, só que a minha águia vai acabar devorando sua cobra. - Digo rindo.
_ Ou a minha cobra vai se enrolar na sua águia e matá-la. - Respondeu à altura.
_ Veremos. - Sorri de lado e ele faz a mesma coisa. _ Foi um prazer ensinar vocês o feitiço, que pena que alguns de vocês não conseguiram.
_ Não tem problema, pelo menos nós sabemos que precisamos de memórias mais felizes e interessantes. - Concordo com Avery.
_ Isso é verdade, mas pratiquem o feitiço sozinhos e quando conseguirem pelo menos um filete de luz, venham até a mim.
_ A senhorita realmente tem vocação para dar aula. - Tom disse e os meninos desceram a escada, o moreno veio até mim e beijou a minha mão. _ Às vezes eu sinto inveja da senhorita, mas depois eu sinto orgulho, você está à frente do nosso tempo e eu acho isso fascinante. - Ele continuava com a minha mão.
_ Está flertando mais uma vez comigo, senhor Riddle. - Retirei a minha mão do seu aperto. _ Um dia acabará se sentindo envergonhado pelas suas ações... - Ele pegou a minha cintura e eu fiquei com as minhas mãos no seu peito.
_ Eu não irei ficar envergonhado se eu conseguir ganhar o seu coração, eu não estou flertando com a senhorita, estou cortejando. - Minhas bochechas ficaram quentes. _ Você é forte e eu tenho que ter uma pessoa de boa índole e forte ao meu lado. - Ele era maior que eu e eu odiava olhar para cima, eu me via como uma submissa.
_ E você terá, mas não será eu. - Saio de seu aperto. _ Te vejo na hora do almoço.
_ Leesa? - Olho para a porta e vejo Callysa corada. _ Atrapalhei algo? - Neguei com a cabeça. _ Que bom.
_ Se me dão licença, eu preciso arrumar as minhas coisas. - Faltavam poucos dias para que fossemos embora.
_ Claro. - Falamos juntas.
Callysa veio até mim e me levou para o meu quarto e ela quase pulava de alegria.
_ Eu sabia que ele gostava de você! Eu te disse. - Quase gritou.
_ Ele não gosta, só quer uma pessoa para passar o tempo e eu não serei a garota de Tom Riddle. - Me sentei na cama fazendo pouco caso. _ Mas, mudando de assunto, como ficará você?
_ Eu irei trabalhar no ministério e serei sua secretária de lá, qualquer coisa que acontecer e precisar de você, eu serei informada primeiro. - Eu tinha aceitado fazer parte do ministério.
_ Obrigada. - Me levanto para abraçá-la. _ Eu não sei o que seria de mim sem você.
_ Seria uma pessoa sem secretaria e sem amiga. - Riu. _ Sentirei um pouco de saudades desses encontros sem hora marcada.
_ Então somos duas. - Beijo sua bochecha.
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30 de junho de 1943:
Olho para o céu azul que estava no lado de fora e fico pensando em coisas que eu não sabia, até mesmo uma história veio na minha cabeça enquanto eu olhava os trilhos do trem.
Callysa estava em outra cabine e eu estava sozinha olhando para o tempo. Fechei os meus olhos por alguns segundos e sinto todas as pessoas no vagão, eu gostava de fazer isso às vezes. Eu aprendi isso com Lisandra, ela falava que meditar fazia bem para sua mente caótica.
Sinto um grupo de pessoas saírem de uma cabine e pararem na minha porta, eles abriram a porta e entraram.
_ Será que ela está dormindo? - Orion disse se sentando na minha frente.
_ Se estiver é melhor fazer silêncio, não queremos acordar a futura Lady. - Malfoy se sentou ao lado de Orion.
Tom não disse nada, apenas se sentou ao meu lado e ficou me observando de esguelha. Eu tinha que parabenizar mamãe por me contar sobre meditação, sem abrir os olhos eu já sabia de todos os movimentos que aqueles garotos faziam.
_ Ela ainda não aceitou ser a minha Lady. - Ele nem tinha tocado nesse assunto comigo e mesmo se tocasse a resposta seria não.
_ Mas é engraçado uma coisa, a gente a desprezou por dois anos, mas agora que ela salvou o nosso Lorde. - Falou baixo e todos prestaram atenção. _ Nós até mesmo cogitamos a ideia de ela ser a nossa Lady, não é engraçado?
_ Também estou cogitando a ideia de mudar meus ideais. - Tom disse olhando para todos. _ Leesa é uma nascida trouxa e sua mãe é uma trouxa, se ela souber que eu matei algum trouxa ou nascido, ela ficará...
_ Brava e chateada. - Disse Cygnus concordando com a cabeça. _ Que ideologia você seguirá?
_ Essa é uma coisa que eu não sei no momento, contarei a vocês quando eu tiver uma.
_ Tom, qualquer ideologia que você tiver, nós o seguiremos. Fizemos o juramento. - Avery disse fazendo todos concordarem. _ Ela não está desconfortável? - Minha cabeça estava encostada na parede da cabine.
Tom calmamente pegou a minha cabeça e a colocou no seu colo.
_ Ela até que parece uma pessoa normal quando está dormindo. - Um dia eu mataria o Malfoy.
Tom apenas o olhou e balançou a cabeça em negação e eu continuei fingindo a dormir.
_ Você terá que se esforçar muito para conquistar ela, um mês se passou e nada aconteceu. Se fosse outra. - Orion deixou a frase no ar.
_ Ele está certo, se fosse outra você já estava até se casando. Mas não achamos isso r**m, ela tem fibra e tem um caráter difícil, perfeita para você. - Todos já estavam bolando planos para o meu casamento e eu, a noiva, ficou sabendo de tudo nesse momento e apenas queria rir.
Paro de prestar atenção neles e fico imaginando coisas e acabo pegando no sono.
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_ Leesa. - Alguém me sacudiu e eu abri os meus olhos irritada. _ Já chegamos na estação. - Me espreguiço e olho para a pessoa que me acordou.
_ Obrigada, senhor Riddle.- Digo me levantando e pegando a minha mala.
_ Pode me chamar de Tom, senhor Riddle me faz parecer velho. - Se levantou e ficou na minha frente, impedindo que eu saísse.
Ele não parecia um Lorde que matava qualquer um apenas por falar o seu nome trouxa. Parecia mais um homem que tinha uma boa educação.
_ Não acho que... - Pegou a minha mão e a beijou.
_ Eu lhe vejo em setembro Leesa. - Bufo contragosto. _ Fica linda com raiva. - Beijou a minha bochecha.
_ Um dia eu irei acabar com você, Tom. - Sorriu abertamente.
_ Espero loucamente por esse dia. - Saiu da cabine e eu saio logo em seguida.
_ Bochechas coradas e respiração ofegante, alguém lhe beijou e você está com raiva. - Callysa aparece atrás de mim.
_ Você sempre acerta, Tom beijou a minha bochecha. - Digo corando.
_ Eu já lhe disse que ele gosta de você, você foi a única que não caiu em seus encantos, até mesmo eu já caí. - Sorriu. _ Você será um troféu se ele conseguir te conquistar.
_ Não serei troféu, não serei sua garota, eu não serei nada desse libertino educado. - Digo ríspida.
_ Ódio e amor sempre andam juntos, cuidado para não tropeçar no amor em vez do ódio. - A olho estupefata. _ Não me olhe assim. - Saímos do trem e eu vejo a minha mãe. _ Olá, tia, eu não posso ficar muito tempo, só quis lhe dar um oi. - Abraçou a minha mãe e se foi.
_ Eu adoro aquela menina. - Sorriu abobada. _ Deveríamos convidar os pais dela para jantarem qualquer dia, eles são muito engraçados. - Peguei o seu braço e vamos andando para a saída da estação.
_ Como tem passado? - Pergunto andando calmamente com ela do meu lado.
_ Bem, sua irmã me mandou notícias e disse que estava com saudades. Papai teve um infarto e está sendo cuidado pela tia Elnice, acho que é só e você? Você não me contou muita coisa com aquele bilhete.
_ Não mandei um bilhete. - Atravessamos a rua.
_ Mas parecia, o tamanho de sua carta era do tamanho de um bilhete ou uma lista de compras. - Disse com raiva. _ Eu comprei suas penas caríssimas e papéis que valeria um rim, para que você pudesse me mandar cartas maravilhosas e não bilhetes.
_ Mamãe. - Falo vendo-a abrir a porta de casa, nós morávamos em um bairro que era próximo de muita coisa, principalmente a estação.
Ela me olhou e mandou que eu entrasse. Entrei na casa e coloco a minha mala no chão do hall de entrada, mamãe se sentou no sofá retirando seu chapéu e luvas.
_ Agora sente-se e me diga.
Sentei-me na ao seu lado e comecei a falar do meu cargo de professora e no ministério. Contei sobre esses meses que se passaram e ela só faltava chorar de felicidade.
_ Sua irmã está na faculdade para ter um emprego bom e você já tem um emprego, esse mundo bruxo é um pouco melhor do que o nosso.
_ Só é um pouco retrógrado.
_ Sim, vá para cima e tome um banho, tire esse uniforme para que eu possa lavar.
_ Mamãe, eu não precisarei mais dele...
_ Custou dinheiro e é uma lembrança, temos que guardar com carinho, pode ter sido dois anos, mas foram os seus dois anos.
_ Entendo. - Me levanto indo para a escada.