Capítulo três

2372 Words
23 de agosto de 1940: Acordo com o sol batendo no meu rosto e aquilo estava me irritando. Espreguicei-me ainda deitada na cama e olho para o filete de luz que entrava no meu quarto, já tinha se passado vinte dias desde que eu comecei a morar nessa casa. E nenhuma sensação r**m se fez presente no meu corpo nesse meio tempo. Sentei-me na cama e olhei para todos os lados, tentando ver se alguém tinha vindo no meu quarto. Mais uma vez estava tudo impecável. Levantei-me da cama e comecei a arrumá-la manualmente. Eu precisava fazer alguma coisa, antes que eu ficasse louca dentro dessa casa. Os dias estavam passando tão devagar que parecia que eu estava fazendo as mesmas coisas todos os dias e talvez eu esteja. Terminei de arrumar a cama e vou até à toalha que estava na cadeira da minha penteadeira. Mamãe que comprou. Saio do quarto com a toalha em mãos e vou até o banheiro que era a primeira porta da esquerda. Abro a porta do banheiro e depois a fecho. Giro a chave e me olhei no espelho do banheiro bege. Coloco a minha toalha em cima da pia e começo a retirar a minha camisola branca de bolinhos. A coloco no cesto de roupa suja. Retiro o sutiã e a calcinha e elas vão para o mesmo destino da camisola. Abro o chuveiro e sinto a água morna descer por aqueles furos do chuveiro, a água estava excelente. Pego o sabonete e passo no meu corpo. Limpando cada parte do meu corpo, depois retiro o sabão do corpo e não demorou muito para que eu desligasse o chuveiro. Pego a minha toalha que estava em cima da pia e me enrolo, destranco a porta e saio por ela. Vou andando calmamente para o meu quarto, e o cheiro de ovos e bacon fazia a minha barriga roncar. Entro no meu quarto e fecho a porta, vou até o guarda-roupa e retiro uma roupa e lingerie qualquer. O vestido era bege que ia até os meus joelhos e tinha uma cordinha de amarrar na cintura. Coloco o sutiã bege e a calcinha da mesma cor e me olho na penteadeira. Eu parecia bonita, meus cabelos eram ondulados e pretos, que iam até o meio das minhas costas, meus olhos verdes eram uma marca registrada para os meus vizinhos. Meus lábios rosas e pequenos eram desejados por quase todos os meninos do bairro e minha pele clara como leite era motivo de discórdia entre as meninas. Mas eu não me importava com isso. Saio do quarto e a campainha toca, minha mãe secava os braços no pano de prato e foi até a porta abrindo para um homem de olhos azuis e barba por fazer, ele tinha um porte um pouco atlético, em resumo, ele era bonito. _ Bom dia, o que o senhor deseja? - Minha mãe perguntou envergonhada. _ Venho de muito longe, minha senhora, e venho em busca da senhorita Leesa Granger. - Sorriu olhando para mim que estava no pé da escada. _ Por mim? - Me faço de desentendida. _ Venho lhe convidar para uma escola senhorita. _ Mas eu já vou em uma. - Ergo uma de minhas sobrancelhas. _ Por favor, entre. - Lisandra deu espaço para que o homem entrasse e deixou o pano em cima de um móvel qualquer. _ Aceita alguma coisa para beber? _ Chá, por favor. - Ela assente e eu me sento no sofá o olhando. _ Você deve ser a senhorita Granger, eu presumo. _ Sim, minha irmã está no internato. - Digo cordial. _ O senhor disse escola, poderia me explicar o porquê? Eu fiz alguma coisa que chamou atenção de... _ Vamos esperar a sua mãe chegar e poderemos conversar. - Aceno com cabeça. Não demorou muito para que mamãe chegasse trazendo uma bandeja com petiscos e chá. _ Eu espero que seja do seu agrado. - Falou sobre o chá. Ela pegou uma xícara e bebeu um pouco e Dumbledore fez a mesma coisa. _ Me chamo Albus Dumbledore, sou professor de Hogwarts, uma escola para pessoas especiais. _ Minha filha é um gênio e eu não estou sabendo? - Sorriu educada. _ Sua filha já demostrou algo que a senhora diz não ser possível? - O clima da casa ficou estranho. _ Eu disse alguma coisa errada? _ Não. - Mamãe respondeu de pressa. _ Só que a minha pequena menina é um pouco estranha. Com o senhor dizendo isso, eu posso listar várias coisas estranhas que ela já fez, como, por exemplo, me fazer flutuar. - Ele sorriu. _ Isso se chama magia e eu venho para convidar a senhorita Granger a estudar em Hogwarts, escola de magia e bruxaria. - Mamãe primeiramente riu e depois ficou seria. _ Me perdoe, mas isso é sério? _ Sim. - Balançou a cabeça. _ Eu posso lhe mostrar se você não acredita em mim. _ Não será necessário. - Digo e eles me olham. _ Temos vizinhos meio que fofoqueiros e não será... _ Verdade, eu tinha me esquecido disso. - Mamãe me cortou. _ Os vizinhos podem ver e não queremos isso ou queremos? _ Não, senhora, eu venho lhe entregar esse envelope. - Tirou do bolso da calça social e nos entregou. _ Essa é a carta de sua aceitação e ela tem o bilhete para o trem e a lista de material.- Se levantou estendendo a carta. Pego a carta da mão do homem e a abro, ali estava escrito que eu fui aceita em Hogwarts e que eu estaria cursando o quinto ano. Eu seria dois anos mais velha que o Lorde? Por Merlim. _ Quinto ano? Eu achei que seria primeiro. _ Você terá mais aulas que os outros alunos, o ministério só nos informou sobre a senhorita uma semana atrás e quando vimos sua idade ficamos confusos, mas no mundo mágico tudo é possível. _ Entendo, primeiro de setembro estarei em Hogwarts como diz a carta. _ Irei lhe aguardar. - Sorriu saindo da sala e a minha mãe o acompanhou. Alguns segundos depois ela voltou e me olhou apreensiva. _ O que foi? Ele disse mais alguma coisa? - Deixo a carta em cima da mesinha de centro. _ Não, apenas que você ficará longe de mim, igual a sua irmã. - Deu batidinhas no peito. _ Sentirei saudade, querida. - Ela poderia não ser a minha mãe biológica, mas eu também sentiria saudades. Abraço a pequena mulher e a escuto fungar, ela estava chorando. _ Não se preocupe, mamãe. Estarei de volta em dezembro. - Digo me distanciando. _ E eu estou com fome. _ Por Deus, eu aqui chorando e você querendo comer. Tenha respeito por mim. - Me empurrou para cozinha. _ Eu tenho, mamãe. Eu tenho. - Sorrio me sentando na cadeira. _ E sua comida é dos deuses. - Digo a fazendo corar. _ Não diga asneiras e coma. - Se sentou na minha frente e arrumou o rádio. _ Será que Leôncio ficará com Marriet? _ Eu o prefiro com a vilã, a mocinha é muito sem sal. - Mamãe riu. _ É sério, mamãe. Morgana tem mais falas e a narrativa e a voz é muito melhor, até mesmo o passado trágico é melhor. _ Você e seus vilões, só falta me dizer que vai se casar com Hitler. - Bato três vezes na mesa. _ Não diga isso, mamãe. Eu posso me casar com um vilão, mas ele será muito melhor que esse Hitler. _ Que Deus te ouça. - Sorrio comendo um pão com manteiga. Continuo comendo e conversando com a mamãe sobre a novela da rádio e no final eu a ajudei a retirar as coisas da mesa. _ Você quer ir nesse Caldeirão Furado hoje? - Perguntou mamãe sentada na sala e lendo a carta e as informações que tinha nela. _ Aqui também diz que tem uma poupança para os nascidos trouxas. - Era só falar que era nascido trouxa na loja e o vendedor iria confirmar se era verdade, se fosse, o dinheiro seria descontado. _ A senhora está mais ansiosa que eu. - Vou até ela e me sentei no chão, pegando a sua mão. _ Se a senhora que ir, nós vamos. _ Então pegue o seu chapéu, coloque um sapato e vamos. - Se levantou animada. Retiro o meu chapéu no cabideiro e meu sapato estava na entrada da porta. Me sento no chão e o coloquei _ Está pronta? - Me levanto concordando. _ Então vamos. - Ela pegou sua bolsa de mão e o seu chapéu estava na cabeça. Saímos de casa sorrindo e até mesmo cumprimentamos os fofoqueiros de plantão. Andamos um pouco e logo já avistamos o Caldeirão Furado, ele era um pouco próximo da nossa casa, se eu soubesse disso antes, eu não teria pegado Nôitibus. Entramos no estabelecimento e vimos um jovem atendendo os clientes, vou até ele com a minha mãe no meu lado e digo: _ Gostaríamos de ir ao Beco Diagonal. - Falo sorrindo e o jovem sorriu de volta. _ Por aqui, senhorita. - Estendeu o braço mostrando os fundos do estabelecimento. _ Tente decorar essa sequência, você precisará dela futuramente. _ Que jovem educado. - Mamãe sorriu e o garoto ficou envergonhado. _ Daria um bom esposo, o que acha querida? _ Mamãe, não me faça passar vergonha. - Abaixei a minha cabeça por vergonha O jovem faz a sequência e nós entramos no Beco Diagonal. Seguro no braço de mamãe e começamos a andar por aí. _ Não se acanhe, querida. Você ainda é jovem e bonita. Temos que arranjar um bom marido para você. - Concordo com ela. Vejo a loja de varinhas e aponto para a mamãe e, ela apenas acena com a cabeça indo até à loja. Ela estava vazia e o senhor Olívaras estava fazendo uma varinha. _ Bom dia, senhoritas. - Acenou o senhor. _ Segunda varinha? _ Não, senhor. Será a primeira. - Digo indo até o balcão com a Lisandra ao meu lado. _ Certo, vamos lá. - Foi até a segunda fileira da estante e me trouxe uma caixinha. _Tente essa. - Abriu a caixinha e me mostrou a varinha e começou a dizer: _ Trinta e cinco centímetros, flexível, madeira de espinheiro-n***o com núcleo de fibra de dragão. _ E o que eu faço? - Olho para ele e para a minha mãe, eu sabia o que tinha que fazer, mas fazer o quê? Eu tinha que mentir. _ Apenas balance ela. - Sorriu o senhor. Balancei a varinha e a vidraçaria da loja se partiu em milhares de pedaços e até mesmo a minha mãe levou um susto. _ Não me mate de susto. - Bateu no peito para tentar acalmar o coração. _ Eu terei que pagar por isso? - Perguntou, temendo a resposta do senhor. _ Não, senhora, pode ficar tranquila. - Lisandra deu um suspiro de alívio. _ Mas sua filha é muito interessante, se ela tivesse onze anos seria explicável o descontrole da magia, mas a senhorita parece ter dezesseis anos. - O interrompo. _ Quinze, eu tenho quinze. _ Por que a senhorita só entrou para Hogwarts agora? - Ele deduziu por conta de ser a minha primeira varinha. _ Eu não sabia que eu poderia fazer magia. _ Entendo. - Suspirou fraco. _ Como a senhorita não estudou em nenhuma escola de bruxaria, isso deve ser levado em conta. Sua magia vai estar descontrolada, já que você nunca tentou controlar. - E novamente, o senhor foi até uma prateleira para pegar outra caixinha. _ Maleável, 39 cm, feita da árvore do salgueiro lutador, com núcleo da serpente chifruda, vamos, tente essa. Fiz o mesmo movimento com a mão e uma jarra de água voou pela parede. Coloco a varinha em cima do balcão e com toda a certeza minhas bochechas estavam coradas. _ Me desculpe. - Ele apenas balançou as mãos e sumiu de nossa vista. _ Ele até que é simpático. - Disse mamãe pegando uma varinha e fazendo o mesmo movimento que eu fiz com a mão. _ Também queria ter poderes, deve ser divertido. _ Até agora não está sendo. - Digo rindo. O senhor voltou carregando duas caixinhas, uma era avermelhada e a outra era belíssima. A caixinha era de um azul noturno e ela tinha estrelas por toda sua estrutura e, elas brilhavam como se fossem de verdade. _ A caixinha é linda. - Minha mãe falou e eu tive que concordar. _ Quais são suas especificações? - Pergunto abrindo a caixinha e um clique pôde ser ouvido. Eu pego a varinha na mão e vejo que ela era linda. _ Tem 34 cm, flexível e madeira eu não sei. - O olho. _ Como assim não sabe a madeira? Pensei que você tivesse a criado. _ Quem a criou foi Salazar Slytherin, o único que sabia de suas especificações. - Meu coração bateu mais forte no peito e eu sorri. _ O conhece? _ Não, apenas sorri por causa das vibrações que a varinha está emitindo. A varinha era azulada e tinha desenhos de estrelas por todo o seu corpo, as estrelas eram brancas e piscavam como a caixinha. _ Eu sei que na composição da madeira tem sangue cristalizado de basilisco e o núcleo é pó de estrela. Experimente. Eu faço mais um movimento com a mão e um ar quente jogou os meus cabelos ondulados para trás. _ Salazar fez essa varinha para uma pessoa muito especial para ele, nem mesmo sua esposa, Morgana, conseguiu colocar as suas mãos na varinha. - Salazar mesmo morto continuava me ajudando. _ Eu acho que a varinha me escolheu, quanto... _ Essa varinha foi uma doação e não posso receber nada em troca dela. _ Já que é de graça, não vamos reclamar. - Mamãe sorriu de orelha a orelha. Pego a caixinha e aliso minha mão nela, até mesmo a caixinha vibrava por conta da minha magia. Saímos da loja e fomos terminar de comprar os meus livros, penas, pergaminhos, etc. Aquela tarde foi regada de risos, brincadeiras e principalmente, magia.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD