Armstrong

1238 Words
 Cachoeira Véu de Noiva - Morretes/PR.- 20/03/20, 20:20 - Corte Sul  Rosalie Armstrong  Rosalie tinha seguido as regras de desintoxicação à risca, desde o primeiro mês separado para observar Malakai e ficar de molho entre os humanos para retirar qualquer resquício vampírico, até as quase 48h sem se alimentar para não cheirar à sangue. E ah, claro, como poderia se esquecer? Os ensaios idiotas sobre a nova personagem: uma jovem adulta aventureira. Quantos aos planos, ela e Ravi tinham feito dois: o A e o B. O plano A era claro: usar seu coração humano pra chegar perto do lobo e matá-lo sem se denunciar como vampira, depois confirmar a morte do lupino com Dacian, e por fim, forjar a própria morte pra viver seus felizes pra sempre. O plano B, bem mais real levando-se em conta o alvo, fora planejado para a possibilidade não tão remota de não conseguir matar Malakai. Assim, depois de ter absoluta certeza de que toda a preparação dela se reduzira a um nada em comparação às habilidades do alfa, Rosie entraria numa luta suicida com o lobo a fim de desfrutar de uma morta rápida e indolor. Bom, a parte da luta suicida acompanhada da morte rápida e indolor não existia para Raviel, que acreditava que Rosie se rastejaria de volta pra Corte Norte para se submeter à uma vida miserável até que o prazo de Dacian terminasse, e ela virasse uma escrava dos gêmeos do m*l. Ecat. Mil vezes, ecat.  Se o amigo pensava que ela faria isso estava muito, mais muito errado. Porém, para não correr riscos desnecessários, Rosie previra passo por passo, cheiro por cheiro. Mas então... Por que raios, agora que estava ali de pé na frente do maldito alfa ela parecera criar raízes no chão? Com apenas um olhar tudo parecera ir cachoeira abaixo, sendo a razão pela qual estava na execução do plano C. Qual era mesmo esse plano? Pois é, ainda não existia. Mas deveria fazer agora, porque o brilho nos olhos do lobo constatara que por algum motivo ele soubera que ela não era humana, e Rosie tinha acabado de chegar para se dar por vencida e ir correndo à uma morte rápida. Porém infelizmente estava ali, paralisada na frente daquele grande lobo branco com olhos cinzentos. Não de medo ou pavor, mas puro e simples fascínio. Malakai era magnífico de perto, e guardava uma serenidade fora do normal ao observá-la imponente, com a calda longa abanando o ar, como se estivesse analisando o que poderia fazer com ela. Ele levantou-se lentamente, atento a cada movimento de Rosie, que piscou algumas vezes saindo vagarosamente do transe e calculando as chances de correr e sair viva sem usar a velocidade paranormal. E tinha de admitir... a sorte não estava do seu lado. Malakai se sacudiu e empertigou a postura altiva. Uma posição que resguardava e alarmava qualquer um, um prenúncio claro de ataque.  Rosie pensou na corte dos pesadelos e na promessa de sangue e na possibilidade real de cair nas mãos dos gêmeos Ivanov, precisava que o odor que exalasse fosse genuíno. Logo, um medo real foi fabricado especialmente para aquele momento que não contava com a característica destemida que surgira de si ao se admirar do lobo. Ela levantou as mãos em sinal de rendição, e em resposta Malakai soltou um grunhido irritadiço. Rosie forçou-se a dar um passo para trás quando tudo o que queria era erguer os braços na direção dele e acariciar seu pelo. Seu gesto premeditado não surtiu o efeito esperado no lobo, que franziu o focinho, a farejando e expondo a mandíbula de dentes afiados. Ele rugiu, alertando-a do iminente perigo. Uma adrenalina ativou todos os músculos das pernas dela. Era agora ou nunca. Com um movimento rápido Rosie jogou no chão a mochila decorativa que tinha nas costas, e correu. Sem a velocidade paranormal, a mochila era um peso desnecessário, que a colocaria numa lentidão temerária. Malakai estava logo atrás, e Rosie conseguia sentir o cheiro predador sendo exalado dele junto com o odor pútrido do bafo lupino. De costas, a visão paranormal de Rosie foi ativada por instinto, iluminando o verdes dos olhos dela e lhe mostrando todas as possíveis soluções para se manter longe da mordida fatal. As penas trabalhavam sozinha, quase mecânicas. Ela pulou de um pedaço oco de tronco e se esgueirou por uma árvore quando ouviu um rugido que espantou todos os pássaros noturnos que dormiam nos galhos. Rosie arquejou, sem saber pra onde correr, mas continuando sem rumo algum. O rastro que o lobo vazia atrás de si era preocupante. Ela era perturbada por uma rajada de sons: folhagens sendo rasgadas, galhos se quebrando, animais correndo e fugindo. - SOCORRO! – a meia vampira gritou, encarnando a humana. Ela deu a volta em uma árvore, retornando pelo caminho percorrido. Malakai não parava, e pela respiração leve parecia brincar com um ratinho. Rosie chegou perto da cachoeira novamente, e sem opções, entrou na correnteza, rogando para que as pernas humana atravessassem e não sofressem de cãibras devido à água congelante. No entanto, o pior aconteceu: a meia vampira começou a afundar ao mesmo tempo em que era empurrada pela correnteza da água gelada, um frio que poderia colocar rapidamente sua natureza humana em hipotermia. E ela não estava exatamente forte e alimentada para se curar com rapidez. Rosie se equilibrou em cima de uma pedra escorregadia, que poderia contornar se... Bem, se Malakai não tivesse dado um pulo sobrenatural e agora estivesse menos de um metro à sua frente. Tão, tão perto que se Rosie erguesse o braço ele poderia arrancá-lo de uma só vez. Pânico real brotou nas entranhas dela, fazendo as pernas se tornarem duas toneladas. Os rápidos vinte e dois anos humanos passaram como uma história na mente dela. Mostrando o rápido retrato da mãe que a abandonara, o repúdio pelos machos Ivanov depois que Damien quase a estuprara. E por fim, o rosto de Raviel, com os traços marcantes sombreados pelo sorriso pós batalha. Aquele amigo protetor que a adotara depois de a achar aninhada com um ursinho de pelúcia dentro de uma casa destruída quando tinha 5 anos. Era assim o fim da vida? Sendo tomada pela angústia de não ter feito o bastante, quando poderia ter aproveitar mais? Afinal, Rosie poderia ter escolhido os humanos ao invés das criaturas da noite, onde ainda que tivesse tido uma vida destinada ao tédio, escondida no escuro sem poder expor a natureza vampira, teria uma vida. Ou seja, uma oportunidade de ter amado e ser amada, tido filhos, e os amado como a mãe jamais a amou. Mas não, escolhera m*l, destinando si mesma a uma vida de repúdios e nojos por parte dos vampiros. E por isso, pagaria com a vida. Raviel estava certo desde o início. Como fora burra! Era óbvio que jamais poderia matá-lo, e naquela altura, o plano C já estava orquestrado numa música fúnebre onde faria algo impensável, relaxando os músculos já tensos e se deixando levar pela correnteza para a grande queda da cachoeira. Algo vergonhoso de fato, mas não iria se dar como carne fresca em bandeja. Se Malakai a queria como jantar, que fosse buscá-la nas profundezas. Pois se não o fizesse, a meia natureza vampírica a manteria viva para que ela sobrevivesse mais um dia, e quem sabe, reunisse mais força para ter chances reais de matá-lo.
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