Deusa, como ela a odiava. Roxy olhava para Ria na frente de todos com seus grandes olhos de cervo e tremia ligeiramente para adicionar drama à sua manipuladora performance. Ela sempre fazia isso. Cada encontro com ela era uma apresentação.
Riannon costumava ser constantemente reservada em relação a ela, tornando sua prioridade suprimir seus sentimentos e esconder o quanto estava magoada com toda a situação. Roxy, por sua vez, habilmente usava as respostas de Ria a seu favor, pintando-se como a doce garota e sua Luna como a rainha fria.
Bem, Riannon não ia mais deixar ela se safar disso. Esse padrão tinha que mudar. Felizmente, ela tinha a melhor professora, a própria Roxanne. Roxy a colocou em tantas situações constrangedoras e humilhantes no passado que agora Ria estava preparada para qualquer coisa. Além disso, ela sabia que o que fez antes não funcionou. Então, ia tentar algo novo.
"Desculpe, Luna", Roxy fungou, preparada para cair de joelhos novamente, mas Riannon se apressou em ajudá-la e deu a ela um abraço apertado. As duas mulheres congelaram enquanto a sala se enchia de um silêncio desconfortável. Alguém deixou cair um garfo e, pelo canto do olho, Ria percebeu que era sua amiga, Maya.
"Roxy", Riannon falou, finalmente se afastando e suspirando com um sorriso triste no rosto, "Posso te chamar assim, certo? Quero que saiba que este é um lugar seguro para você. Ninguém nunca vai te machucar. Nós não somos nada como a matilha de onde você veio. Aqui você será sempre bem tratada, já que agora é uma m****o. Seus dias difíceis acabaram."
Ela rapidamente varreu os olhos pela sala e viu expressões chocadas nos rostos de seus companheiros de matilha. Eles não esperavam por isso. Em sua vida passada, ela tentava ignorar Roxanne o máximo que podia enquanto permanecia educada quando precisavam conversar. Todos entendiam, mas quanto mais Roxy chorava, mais pena sentiam dela. Ela se insinuou no coração das pessoas. Com o tempo, muitos ficaram ao seu lado porque ela era, afinal, a verdadeira companheira do Alfa deles, e teve uma vida difícil antes.
Enquanto isso, Riannon nasceu em berço de ouro. Por melhor que fosse sua Luna, eles achavam que não era grande coisa já que ela nasceu e foi treinada para isso. Ninguém entendia o quanto ela havia trabalhado e sacrificado para alcançar essa perfeição.
De repente, Roxy se jogou nos braços de Ria novamente.
"Obrigada!", ela choramingou, fazendo Riannon querer estrangulá-la.
Se Onyx, seu lobo, estivesse aqui, tudo poderia ser resolvido rapidamente. No entanto, Onyx não estava por perto, e ela sabia que agora isso se tornou uma batalha de habilidades de atuação.
Enquanto isso, Roxy continuava:
"Eu tinha certeza de que o pesadelo em que vivi todo esse tempo se repetiria aqui também. Mas você é tão gentil! Estou pronta para fazer qualquer trabalho! Por mais difícil que seja, serei sua empregada pessoal, se for preciso."
Na cabeceira da mesa, seu marido, Brayden, as observava com os lábios cerrados. Era difícil para Ria segurar o riso, já que sabia pelo olhar dele que ele havia ficado ocupado a noite toda procurando o invasor. Ele odiava que sua companheira estivesse pronta para se tornar uma faxineira. Além disso, sua esposa não se comportava como ele esperava. Ela estava certa de que tinha chocado ele para sempre nesse ponto.
Acostume-se com isso, meu amor.
"Não seja ridícula, Roxy!", Ria respirou e até forçou uma pequena lágrima a rolar por sua bochecha. Afinal de contas, abraçar sua pior inimiga era horrível, e uma parte dela queria chorar mesmo, "Você já sofreu o suficiente, e meu coração está com você. Vou te designar um trabalho de acordo com suas habilidades, e se elas não forem suficientes no momento para um emprego decente, vamos mandar você estudar na faculdade local. Tudo ficará bem, não se preocupe. Você não será maltratada aqui. Nossa matilha é justa. Brayden e eu a construímos ao longo dos anos. Todo mundo recebe o que merece. E você também."
A ômega franziu a testa, mas rapidamente se recuperou. Ela sabia que era uma promessa?
"Sou a garota mais sortuda do mundo", ela ofereceu e sorriu inocentemente, piscando os cílios, "Não é à toa que meu companheiro, quer dizer, o Alfa está tão apaixonado por você, Luna. Agora vejo que o que as pessoas dizem sobre você é verdade."
"Oh, você vai ter que me contar mais tarde!", Ria riu e empurrou Roxy de volta para a cadeira em que estava sentada.
Felizmente, ela não arriscou pegar o lugar da Luna ou o próximo a Bray. Ela ocuparia em breve, é claro, mas pelo menos Ria não teria que lidar com isso hoje.
"Ficarei feliz em fazê-lo!", Roxane sacudiu seus cabelos vermelhos, e a camiseta folgada que ela estava vestindo, "acidentalmente", caiu de seu ombro, fazendo Brayden olhar para ela com olhos cheios de luxúria. A maldita ligação de companheiros já estava funcionando. O tempo deles estava se esgotando.
"Aliás", Riannon falou enquanto tomava um gole de seu café, parecia mais amargo que o habitual, "Precisamos destinar um orçamento para Roxanne."
Mais uma vez, a sala toda ficou em silêncio.
"Você tem certeza, Luna?", o Beta Asher falou, "Ela é apenas uma ômega e…"
"Ela não é uma ômega comum", Riannon interrompeu, erguendo o queixo e colocando um sorriso perfeito no rosto, "Ela é a companheira do nosso Alfa. Ele não a rejeitou, e agora ela faz parte da nossa matilha. Ela precisa parecer à altura, então é hora de jogar fora as camisetas usadas e jeans."
"Isso é muito gentil da sua parte, Luna", interrompeu Maya, incapaz de ficar em silêncio por mais tempo, "Alguns diriam até demais. Quero dizer, considerando…"
"Eu faço o que posso", retrucou Ria enquanto lançava um olhar de advertência para sua melhor amiga. Como sempre, Maya a entendia sem palavras, "Vamos deixar isso claro de uma vez por todas. Eu estava muito séria em relação a Roxy ser tratada de forma apropriada aqui. Não quero que ninguém a intimide apenas por estarmos em uma situação peculiar. Não desejo m*l a ela e não vou tolerar ninguém que tente fazer algum tipo de m*l a ela."
Com isso, ela começou a comer sua omelete como se nada fora do comum tivesse acontecido, lançando discretos olhares para seus companheiros de matilha.