Esperando por ela no final da escada, estava Beta Ash. Não era seu marido.
Vestido com um terno preto, ele ofereceu sua mão quando ela o alcançou, o que Ria estava inicialmente relutante em aceitar, mas depois reconsiderou. Ele ainda não a havia traído. Ela não podia contar com ele, embora ainda houvesse tempo para mudar os eventos em que ele posteriormente desempenhou um papel. Ou pelo menos tentar. Se o Beta a apoiasse no Conselho Alfa quando seu pedido de divórcio ocorresse, tudo poderia correr bem.
"Vestido bonito", ele a elogiou novamente, ao qual ela recompensou com um breve sorriso.
"Obrigada", eles estavam indo em direção a um carro que já os estava esperando, e ela franziu a testa quando percebeu que era uma limusine.
Que desagradável!
"Isso não é o que você costuma usar", disse o Beta, e ela olhou para ele, ligeiramente chocada por ele ter notado.
"Estou com vontade de fazer algumas mudanças, Ash", Riannon sorriu e inclinou um pouco a cabeça, percebendo que os olhos do lobisomem estavam escurecendo.
Bem, isso era novo.
Ele abriu a porta do carro para ela e ajudou-a a entrar, segurando a cauda de seu vestido e colocando-o gentilmente em seus pés. Talvez ela tenha exagerado um pouco? Dançar nele poderia ser problemático. Não que ela planejasse dançar muito. Esta noite tinha um propósito diferente.
Ela deu uma olhada rápida em Brayden e Roxanne, que estavam sentados muito perto um do outro. Até conseguiu segurar um sorriso quando viu a ômega usando o vestido cor de pêssego brega coberto de strass cintilantes. A cor não combinava nada com seus cabelos ruivos e a fazia parecer um pouco alaranjada demais.
"Luna", cumprimentou Roxy de forma desconfortável, se agarrando a Bray, enquanto ele removia cuidadosamente seus braços dos dele e mostrava a ela para mantê-los em seus joelhos.
Pelo menos ele estava tentando não ser tão desrespeitoso na presença de Riannon. Se é que se podia dizer isso, é claro.
"Ri", ele falou, nem mesmo conseguindo sorrir, "Você está deslumbrante."
"Obrigada", ela conseguiu sorrir falsamente sem nenhum problema, "Ash já me disse isso."
Um silêncio pesado pairou sobre todos eles enquanto o carro partia.
"Luna", Roxanne perguntou. Ela simplesmente não conseguia ficar quieta, "O vestido que você está usando é verdadeiramente requintado."
"Obrigada", Ria a olhou por um instante, "Acho que tenho bom gosto. O seu também é bonito. Espero que você tenha gostado de escolher sua roupa primeiro."
"Você escolheu primeiro?", Brayden parecia surpreso.
Isso não foi o que a ômega contou a ele sobre o processo de escolha do vestido. Ela mencionou que Luna foi gentil o suficiente para lhe dar um dos vestidos que ninguém queria. O que estava tudo bem, é claro, já que ela não precisava lhe dar nada.
"Você não sabia?", Riannon arqueou a sobrancelha, "Roxy ficou muito emocionada quando viu as araras de roupas. Pensei que a deixaria feliz escolher o que quisesse antes de qualquer outra pessoa fazê-lo, já que era a primeira vez dela e tudo mais."
O Alfa olhou para sua acompanhante com questionamento, mas a garota fingiu não notar.
"Eu não vi esse vestido, no entanto!", ela exclamou inocentemente, tentando destacar o que Ria fez.
"Você não olhou direito", os lábios de Luna se curvaram em um sorriso enquanto ela continuava, "Você só queria pegar o que eu estava segurando sem se dar ao trabalho de olhar o resto. Então eu deixei você pegar, e pronto."
Todos eles pareciam chocados. Ria virou-se para a janela e fingiu gostar da paisagem que passava.
Chegaram na matilha Estrela de Opala em algumas horas, momento em que Riannon estava farta das histórias de Roxy sobre sua vida difícil. Ela foi espancada, passou fome e teve que trabalhar como escrava em sua matilha anterior, onde até mesmo as crianças a intimidavam. Todos os homens que ela conheceu queriam tê-la, mas por alguma coincidência milagrosa, ela ainda era uma virgem pura. Essa última ela repetia obsessivamente. Tanto que até Ash soltou um resmungo em algum momento. Brayden parecia ser o único disposto a ouvir atentamente tudo isso e com uma expressão muito séria também. Já que ele estava nisso, ele deveria derramar algumas lágrimas também. Ria queria revirar os olhos. Nada daquilo parecia realista. Nem mesmo aventureiros eram tão cruéis em seus grupos. Ela poderia acreditar que alguém escolheria uma ômega, é claro, mas toda a história de Roxy era questionável.
Em sua vida passada, ela tentou verificar os fatos. No entanto, tudo se encaixava. Quanto mais pensava sobre isso, mais ela chegava à conclusão de que talvez não tivesse olhado com cuidado o suficiente. Fazendo apenas uma simples pergunta como Luna para a sua própria matilha, ela entrou em contato com a matilha de Roxanne. O Alfa admitiu prontamente que Roxy era realmente maltratada. Por que ele não negou isso? Ninguém precisava desse tipo de reputação.
"Luna", Ash ofereceu sua mão para ela novamente, e ela percebeu que finalmente haviam chegado ao destino deles.
Eles entraram na mansão e passaram por uma verificação básica de segurança. Quando estavam prestes a entrar no salão onde a festa estava acontecendo, Ria se virou para o Beta.
"Ash, esqueci minha bolsa dentro do carro", ela mencionou e sorriu suavemente para ele, "Você seria muito gentil de trazê-la para mim? Meu telefone está dentro dela, e não quero perder nenhuma ligação importante caso algo aconteça enquanto estivermos fora."
"Claro", ele assentiu e saiu correndo de volta para a limusine deles.
Isso não foi uma coincidência, pois ela havia feito isso completamente de propósito. Ela não queria entrar no ambiente com seu próprio acompanhante. Ela precisava do fator de choque e pena que sua chegada sem seu Alfa e companheiro escolhido traria. Então, quando os ômegas abriram as portas antes de Brayden e Roxanne, ela se certificou de seguir logo atrás deles, mantendo a cabeça erguida.
Uma Luna traída por seu marido. Uma Luna que não tinha nada do que se envergonhar. Uma Luna que sabia o seu valor. Brayden e Roxanne já estavam no fim da grande escadaria enquanto ela esperava um pouco no topo com um sorriso vago nos lábios.
Riannon podia ouvir rosnados aqui e ali na sala. E sussurros. Tantos sussurros que era um pouco avassalador de ouvir no início. No entanto, absorveu a atenção, descendo lentamente, quando um rosnado sobrepôs a todos eles.