— Ainda acordada? — Holly me surpreendeu ao aparecer na sala escura. Eu estava perdida em devaneios encarando o nada, enquanto da minha xícara de chá nem fumaça saía, pois já havia esfriado.
— Não consigo dormir. — Confessei suspirando, deixando de lado o chá que sequer tomei. Holly desistiu do seu caminho até a cozinha para vir se sentar ao meu lado, encolhida no sofá com o olhar penoso para o meu estado.
— Ainda por causa do Cohen?
— Não sei onde eu estava com minha cabeça em pensar que poderia levar isso adiante. Não consigo parar de pensar nisso, não consigo parar de pensar no que aconteceu naquela noite. E pela primeira vez na minha vida, eu não consigo pensar no que pode acontecer.
Queria dizer que era somente por causa do beijo, mas algo em mim, grita para que eu assuma o medo que eu tenho de ver a decepção nos olhos de Cohen quando descobrir tudo. E agora isso estava mais perto do que nunca de acontecer, pois até mesmo o Casper já me desmascarou, quase literalmente.
Algo em mim… se apega ao beijo sem máscara alguma. Quando ele descobrir, eu não vou poder fingir ser outra pessoa.
Holly sorriu diante do meu desespero.
— Está apaixonada por ele. — Concluiu.
— E ele está apaixonado pela ideia de uma pessoa que não existe. Podia ser eu naquela noite, Holly, mas não sou eu quem ele procura. — Admiti com decepção.
— Mas é você quem ele não deixa ir. Por que você não diz a verdade? Não percebe o quanto é inútil lutar contra você mesma mascarada?
— Tom. — Respondi deixando meus ombros caírem. — Não consigo imaginar o que eu faria se Cohen não me perdoasse, mas eu sei o que aconteceria com o Tom se eu falhasse agora. Não tem ideia do quanto eu me culparia.
Os ombros de Holly caíram também, e sua expressão foi de tristeza e compreensão.
— A culpa é toda minha. Eu coloquei você nessa.
— A culpa não é sua. Tudo o que você fez foi me colocar um vestido. Eu é quem falei aquelas coisas. Eu é quem estraguei tudo e agora que o Casper sabe, é questão de tempo.
E enquanto eu encarava minha xícara de chá, eu vislumbrava uma balança, tentando imaginar qual erro pesava mais, e o beijo estava longe de ser o maior deles.
No fundo eu fugi para me proteger, e adiar o inadiável. Cohen vai descobrir em breve e tudo será usado contra mim, até mesmo um beijo que eu não previ.
— Casper já teria usado isso se fosse sua intenção. Amiga, não acho que ele seja uma ameaça pra você, se for, então eu serei uma ameaça para ele.
— Eu não o conheço. Não sei do que ele é capaz, sinto que estou na mão dele e minha única saída é contar toda verdade, mas não enquanto não passar os exames do Tom. Eu cheguei a conclusão de que só preciso de tempo.
— Anya… — Suspirou meu nome em uma linha de pensamento. — Então por que não pede ajuda ao Casper?
— Ficou maluca? Cohen já vai me odiar quando ligar os pontos e presumir que eu fiz tudo pensado desde o início. O que acha que pode acontecer se ele souber que Casper tem alguma coisa a ver com isso?
— Então por que demônios ele iria manter seu segredo? No que ele pode te ameaçar?
— Eu não sei. — Verbalizei em desespero, esvaziando meus pulmões com lágrimas nos olhos. — E sinceramente… não quero descobrir. Eu só quero paz entende? Quero que passe logo esses exames do Tom para poder voltar pra casa e retomar minha vida de onde parei. — Suas expressões foram de pavor
— Agora eu é que te pergunto, ficou maluca? Você está a meses de se formar não pode abandonar tudo.
— Minha única preocupação é meu irmão.
— E o seu futuro, Anya?
— Eu não estou aguentando mais, Holly. — Meus olhos transbordaram. Meu maxilar tremeu então percebi que eu estava a ponto de desmorar. — Estou acostumada a abrir mão de mim pelas pessoas que amo, não vai ser a primeira vez, eu quero voltar pra casa, cuidar da minha família.
— Tudo isso só para fugir do Cohen?
Não consegui responder. Eu era uma completa confusão e sem saber o que dizer apenas desabei. Deitei minha cabeça no colo da minha amiga e chorei, enquanto ela acariciava meu cabelo pela primeira vez na vida. Sempre foi eu no lugar dela, acolhendo-a após seus términos de relacionamento ou problemas com a família.
— Estou com medo. — Admiti, resumindo tudo o que eu estava sentindo nesse momento.
— Shiii… — Me tranquilizou. — Sabe o que eu acho? Que o Cohen está sim apaixonado por você, e nada faria ele abrir mão disso. Não ficou claro?
Neguei com a cabeça.
— Eu já o vi com raiva, já o vi descontar em mim, já vi seus olhos cobertos de algo que eu não conhecia, e eu não quero vê-los novamente ao saber que o enganei esse tempo todo. Me odeio por conhece-lo tão bem, ao ponto de saber que ele vai se sentir um i****a.
— Não percebe que todos os seus medos se resumem em teorias? E a única certeza que tem é de que ele sente algo por você e você por ele? — Funguei sentindo finalmente o sono pesar em meus olhos.
— A única certeza que eu tenho é de que estraguei tudo, armei uma bomba e estou só esperando explodir, bem diante de mim! — Falei enxugando parte do meu rosto com a manga da blusa. — Eu só queria voltar a ser invisível!
— Não se culpe, por ter se permitido. Se culpe por não ter a mesma coragem da mulher que confrontou Cohen na frente de todos. — Falou acariciando meus cabelos, apaziguando o tormento dentro de mim. — Quer um conselho de quem não entende nada sobre o que está aconselhando?
Sorri assentindo.
— Qualquer ajuda é bem vinda. — Ela me beliscou se fingindo ofendida.
— Deixa essa bomba explodir. Tira essa máscara e enfrente o que vier pela frente! O maior risco que corremos é sermos vistos pelo que realmente somos, e Anya você é incrível. Se ele fizer algo contra você vai se ver comigo, e com a família Amstrong também, porque o que você fez é o que você faz todos os dias: Lutar pela sua família em silêncio. E eu te admiro demais por isso. Você não está sozinha!
Me sentei no sofá novamente para olhar dentro dos seus olhos. Holly não faz ideia do quanto eu precisava ouvir isso.
⚜
Na manhã que sucedeu o domingo mais pensativo da minha vida, eu acordei com uma certeza gritando na minha mente.
Isso acaba hoje.
Eu assumiria meus erros e colocaria finalmente um ponto final nessa tortura. Não queria mais viver com medo, não queria mais viver dia após dia correndo riscos, riscos que eu nunca pedi para acontecer.
Eu estava tão certa da minha decisão, que ao pisar os pés naquele edifício e ver alguns olhares na minha direção, eu acelerei meus passos, mas travei quando cheguei próximo a catraca e avistei a mesma menina daquela noite na recepção, ela tentava dizer algo em sinais para as recepcionistas, que cogitaram dar a ela um papel para entender. Isso partiu profundamente meu coração.
Sem conseguir outra vez, ignorar aquela cena, eu me vi indo na sua direção, até estar de frente para ela e entender que ela havia marcado um horário com Cohen.
Puta m***a!
Eu a coloquei na agenda dele!
Toquei seu ombro e disse oi, trocando olhares com a recepcionista. A garota prendeu seus olhos em mim, antes de se sentir confortável para gesticular.
— "Posso ajudar?" — Perguntei em voz e libras.
Ela anuiu receosa.
"Tenho um horário com Cohen, pediram para falar com Anya."
— "Sou eu." — A garota sorriu. Perdida entre não permitir continuar ou ajudar a garota, pensei no meu irmão e suspirei trocando novamente olhares com a recepcionista. — Pode liberar a entrada dela. — Pedi, ajudando a repassar alguns dados cadastrais, para então descobrir que seu nome é Dakota.
Subimos juntas para o andar mais alto do edifício, a medida que meu coração apertava por estar adiando uma conversa importante com Cohen, eu também me vi receosa sob o olhar atento da menina.
"Eu sei que é você!"
Declarou de repente, fazendo meu queixo cair ao me sentir uma tola ao achar que estava enganando todo mundo.
"Como você…"
Ela circundou sua boca, querendo indicar, na verdade, a minha.
"Eu presto muita atenção nas bocas, para leitura labial. Eu reconheceria a sua em qualquer lugar do mundo." Assenti suspirando com a sensação de que aquilo nem importava mais, já que acabaria hoje. "Não se preocupe, seu segredo está guardado comigo."
Sorri, achando nobre seu gesto, não estava com medo, mesmo assim, achei importante mostrar que acreditava nela!
A porta do elevador abriu, e juntas nos encaminhamos até a sala do Cohen.
"Me espera aqui, vou te anunciar".
Foi sua vez de assentir. Dakota se sentou no sofá de espera e eu deixei minha bolsa na mesa, antes de bater na porta do Cohen, aguardando que ele me liberasse para entrar. Assim que ouvi sua voz, seus olhos caíram com alívio sobre mim, e ele fez menção em se levantar.
Espantei toda minha ansiedade e nervosismo por estar no alcance da sua visão depois da noite do beijo, e ignorei as batidas aceleradas do meu coração.
— Tem alguém querendo ver você. — Anunciei.
— Desmarca, precisamos conversar. — Suspirei olhando para sua mesa e depois para o bar, não encontrando seu copo de café diário. — Eu não tinha certeza se apareceria. — Falou como se estivesse lendo meus pensamentos.
— Nossa conversa fica para depois, posso chamá-la? — Perguntei ignorando-o.
— Eu já disse que não.
— Ela diz que é em nome da Dama de Prata. — Disparei, vendo todas as linhas expressivas de Cohen cederem.
Com isso conclui duas coisas.
Uma… Ela ainda tinha poder sobre ele. E… Ela vinha primeiro que eu.
— Mande entrar. — Era tão ridículo admitir que doeu. Como se a p***a daquela mulher não fosse eu mesma.
Chamei a garota com os olhos e abri passagem com a porta, Cohen estava agitado e não tirou seus olhos de mim até ver Dakota entrar receosa, admirando tudo à sua volta.
A testa de Cohen franziu, ele intercalou seu olhar entre ela e eu, para então pedir explicações.
— O nome dela é Dakota, e veio para conversar com o senhor. — Traduzi o que ela dizia em sinais. Naquele momento me dei conta de que teria que participar da conversa.
Por esse motivo, Cohen não tirou os olhos de mim e a cada palavra minha em libras, eu ignorava o fato de que ele poderia estar me comparando.
— O projeto das escolas que iriam participar do evento foi cancelado, ela queria saber o porquê, já que estava na lista de voluntários. — Não foi fácil dizer aquilo, pois a todo momento eu me lembrava do meu irmão, e do quanto ele estava ansioso pelos seus exames ainda essa semana. Tirar esse sonho dele sem mais nem menos, seria algo que me faria invadir uma festa também.
Eu não sei se esse foi realmente seu motivo, mas me partiu o coração.
— Cancelado? O projeto não foi cancelado! As crianças testaram os aparelhos, e todas as famílias que se voluntariaram, vão ser beneficiadas! — Se explicou Cohen, eu traduzi tudo para Dakota, que suspirou com os olhinhos cheios de lágrimas, e começou a gesticular como se Cohen a entendesse.
Esperei ela terminar para verbalizar, após acalma-la com o olhar.
— Não… Cohen, eles não estão com os aparelhos. Só na escola dela são seis alunos, e nenhum deles recebeu o novo aparelho para se conectar com o sistema inteligente da Archer. A resposta que tiveram depois dos testes é que o projeto foi cancelado! — Fiz da tristeza dela, minha indignação.
Cohen começou a ficar agitado, olhando para o chão e para todos os lados, sem sequer estar olhando algo.
— Anya, convoca uma reunião com todos os envolvidos. Eu vou estudar pessoalmente o que aconteceu. — Assenti, imaginando que essa poderia ser a última coisa que eu faria como funcionária dele. Cohen olhou para Dakota e por um momento o vi intrigado. — Você disse que alguém a enviou aqui.
O encarei com ultraje.
— Cohen, eu me recuso. — Protestei, imaginando que ele seria capaz de me usar para intermediar uma conversa, talvez até um questionário.
Dakota sorriu, e aproveitou para dizer algo que só eu entenderia.
"Quando disse que era próxima dele, eu não sabia que era tanto."
— O que ela disse? — Perguntou Cohen.
— Que precisa ir. — Falei, olhando para ela, sentindo uma decepção quase perfurante em meu peito. — "Eu te acompanho." — Modifiquei, chamando-a com o olhar, enquanto Cohen sorria.
— Eu disse que ela viria. — Falou nas minhas costas, me enchendo de ódio e certeza, quase tão forte quanto a decepção ao sentir sua presunção.
"Acha mesmo que ele vai atrás do que aconteceu?"
Perguntou Dakota dentro do elevador.
— "Cohen cumpre com suas promessas, não se preocupe." — Ela assentiu, inquieta com a grandeza do edifício. Parecia disfarçar sua admiração. — "Você tem meu número, entre em contato se precisar de alguma coisa. Eu te aviso assim que tudo isso for resolvido."
A tranquilizei tocando em seu ombro. A garota simples me deu uma lição de coragem e otimismo vindo até aqui. E algo nela também me encorajava a prosseguir com minha decisão, porque para os outros eu sempre dava um jeito de jogar meus receios para um canto, como se eles nem existissem, como falar em libras na frente de Cohen ignorando a possibilidade dele nos comparar.
Então estava na hora de fazer algo por mim.
Acompanhei Dakota até a saída, e pedi um táxi já deixando pago até sua casa, sabendo o quão é distante.
Ao voltar para dentro, avistei a cafeteira e encarei o movimento por alguns segundos, me encorajando a começar, pelo começo.
Entrei recebendo alguns olhares, não muitos, acredito que ninguém estava tão sóbrio para acreditar no que viram, se é que viram Cohen e eu nos beijando. Esperei na fila alguns instantes, Joe estava mais ocupado do que nunca, e duvido que eu ainda tenha algum privilégio.
Quem me atendeu foi a ruiva, mas para minha surpresa, Joe assim que me viu acenou, para que eu me sentasse no lugar de sempre. Meu rosto esquentou de vergonha, e eu odiava o fato de só eu demonstrar o quanto estava constrangida.
— O de sempre? — Perguntou tentando um sorriso. Anui pigarreando após me sentar de frente para ele enquanto manuseava os copos, em seu último preparo antes do meu pedido.
Joe me olhou por cima dos cílios com um sorriso travesso, esperando que eu dissesse alguma coisa, enquanto eu, perdida em pensamentos, buscava palavras para começar me desculpando, e maldita hora em que olhei para a caneta na sua mão rabiscando seu nome na luva de copo, como fazia comigo, mas entregando para uma outra pessoa.
— Esqueceu de colocar seu número. — Foi a primeira vez que vi Joe sem reação ficando vermelho como um pimentão enquanto a garota ainda segurava o copo com o braço esticado.
Ela sorriu envergonhada e foi embora, deixando apenas um Joe vermelho e constrangido.
— Por que você disse isso? — Perguntou gaguejando, mais envergonhado do que nunca.
— Porque você só colocou seu nome, esqueceu do número. — De todas as malditas coisas que eu tinha para dizer, comecei cutucando como se eu realmente estivesse com ciúmes.
Não se tratava disso, era raiva mesmo, por achar alguma vez que ele só fazia isso comigo.
— O café é uma obra de arte… — começou. — , e eu sou o artista. Eu apenas assino.
— Ah… — Foi minha vez de sentir o rubor se espalhando gradativamente pela minha face em chamas, enquanto me xingava mentalmente. — Desculpe. — Tentei um sorriso.
— De onde você tirou isso? — Ele finalmente riu depois do acontecido.
— Sei lá eu só… disse. — Expliquei vendo-o pescar dois copos e assinar propositalmente na minha frente antes de começar as misturas.
Outra vez Joe sorriu, e me olhou de forma desconfiada. Admitindo algo para si mesmo em um único suspiro de entendimento.
— Vamos fazer assim, eu vou fingir que não vi nada, que nada aconteceu, e você me diz porque está tão destruída. — Sugeriu me pegando de surpresa. Deixei meu maxilar relaxar, também suspirando.
— Estou tão r**m assim?
— Quer mesmo que eu responda? — Sorri agradecendo internamente sua amizade capaz de colocar uma pedra no que aconteceu para dar atenção ao que eu estava sentindo. E foi inevitável não me sentir ainda pior por isso.
— Por onde começo? — Balbuciei gesticulando nervosamente. — Eu não tomo seu café há dias, estou sem dormir, fugindo de um buraco em círculos sabendo que uma hora ou outra, eu vou cair!
— Belo uso das palavras. Não entendi nada, mas foi tocante. — Mordi meu lábio inferior, buscando uma explicação mais pragmática.
— Tudo isso pra dizer que eu estou perdida. — Admiti, buscando seus olhos com sinceridade.
— Eu sempre disse que seu chefe era problema, você não quis me ouvir. — Cutucou.
— É assim que você finge? — Joe riu, evidenciando o brilho de suas íris ao se comprimir genuinamente.
— Algumas coisas não dá pra ignorar, não é mesmo?
— Não, não dá. É por isso que eu queria te pedir desculpas. Aquilo que você viu foi… Eu não sei dizer o que foi. — Me referia as mensagens. Pensei até em colocar a culpa no Cohen, pois foi um surto de raiva que pertencia a ele.
— Foi um beijo Anya. — Disse irônico. — Tudo bem, não precisa ficar estranha por causa disso, pode confiar em mim. Não se preocupe, eu entendo. Não é como se eu já não esperasse por isso.
— Isso o quê? — Inquiri confusa, sem saber se ele falava da última vez que nos vimos antes daquele beijo surpresa no pub ou das mensagens que eu disparei contra ele.
— Vocês, juntos.
— Não estou falando disso. — Defendi. — Mas do jeito que falei com você por mensagem. — Agora eu estava me sentindo um professor de mandarim, porque ele não parecia compreender o que eu digo.
— Que mensagem?
— A que eu falei m*l do seu café!
— Falou m*l do meu café? — Ele parou na hora o que estava fazendo.
— Não é possível, isso é algum tipo de brincadeira? — Tentei buscar algo que não fosse confusão e surpresa nos seus olhos, mas não encontrei. — Alguém apagou as mensagens antes de você ver, por isso não me respondeu mais? Então não está com raiva de mim? — Perguntei esperançosa.
Era a única explicação para sequer agir estranho comigo, para sequer me olhar torto todos esses dias, ou ter me evitado como eu mesmo fiz.
— Anya, Anya… Para! — Me interrompeu empalidecido. — Eu nunca troquei mensagens com você, como poderia eu nem tenho seu número?!
Meu mundo parou, desabou. Parou de girar e a gravidade eu nem sentia. A realidade pareceu estar rindo da minha cara, e nesse momento, a confusão tomava conta de cada um dos meus neurônios, que lutavam para tentar compreender.
Saquei meu celular imediatamente e abri as mensagens, procurando alguma explicação plausível. Encarei a tela e o balcão ao redor de mim, perdida em pensamentos que não faziam sentido algum.
— Joe… De quem era o número que você deixava na luva de copo? — Perguntei apontando para a tela do celular.
Joe provavelmente avistou seu nome ali, e sua expressão foi de um espanto incrédulo.
— Aquele desgraçado se passou por mim?
Meus olhos quase saltaram ao ouvir isso.
— Joe…
— Filho da p**a! — Resmungou pegando o celular da minha mão. Lendo muito brevemente as mensagens. — Uou, uou, uou… Você me deu moral, sério isso?
— Joe, de quem era a p***a do número? — Me exaltei em desespero.
— Do Cohen! — Vociferou pressionado.
Se eu já não estivesse sentada teria caído nesse exato momento, pois senti minhas pernas amolecerem, e esqueci até mesmo como se respira.
O mundo só parou de girar, enquanto m***a nenhuma fazia sentido, ao mesmo tempo, em que tudo se encaixava de uma forma absurda.