Capítulo 06

1562 Words
Versão Carlos Eu não consegui parar de pensar na Maju durante as 48 horas que nos conhecemos, foi rápido e parece que estou emocionado, mas desde o primeiro olhar sabia que ela seria minha, depois da noite que passamos juntos foi loucura, ela é gos**sa pra caramba e nunca senti uma conexão no s*x* daquela forma, também quando saímos até o momento dela saber o que realmente faço da vida rolou um papo legal e leve. Após contar a verdade deu para notar o misto de medo e decepção nos seus olhos, liguei na boca e pedi para um dos caras ficar de olho nela de longe até em casa, já que essa marrentinha não quis nem minha companhia. Mas no fundo eu entendo, ela é firmeza e pela caminhada que puxei nunca se envolveu com nada, a mãe incentiva nos estudos e tals, mesmo após a morte do pai aguentou sozinha a treta. Espero que ela possa me entender, não tive muitas escolhas nessa vida e se contasse toda minha história de uma vez para ela acredito que ia ser informação demais para aquela cabecinha linda... Três dias se passaram e ela não me enviou nenhuma mensagem, até tentei algum contato só que ela me ignorou, já estava até me acostumando com a ideia de não ter mais a minha morena. Sei que fiz certo em contar a verdade e se eu quiser realmente conquistar o amor dela, não poderia de maneira alguma começar com mentiras, ainda mais sobre um assunto que diretamente a colocaria em perigo já que sou gerente do morro e tenho inimigos e a polícia no meu pé, minha sorte é que no morro estou protegido e dentro do meu território. Não posso confiar em todos os caras daqui, mas todos que estão ao meu lado são de verdade já que sabem do que sou capaz de fazer com traidores. Quando menos espero meu celular vibra: - “Quero te encontrar no final de semana, preciso te ver” – era Maju e meu coração até errou as batidas - “Claro, se me deixar hoje mesmo eu vou até ai, pensei que não ia mais querer me ver” – respondo sorrindo - “Hoje tenho aula e chego tarde” – ela respondeu um pouco seca - “Tudo bem, boa aula princesa e se quiser pode chamar que vou a qualquer hora” Depois não houve mais respostas e não sei se fico aliviado ou ainda mais preocupado, ela não deu indícios se precisava me ver para ficarmos juntos ou para colocar um ponto final. Tento pensar positivo e só de receber essa “intimação” dela ainda tem esperanças, se ela não quisesse mais saber de mim certamente teria só me bloqueado e seguido sua vida. Os dias passam devagar, parece que quanto mais eu quero o final de semana, mais tempo ele demora, enfim chega à sexta-feira, não aguento o nervosismo e envio uma mensagem: - “Bom dia linda, espero que esteja bem. Posso te buscar que horas?” - “Bom dia! Hoje não vou ter aula e saio do estágio as 17:00hrs, por volta das 19:30 já pode passar lá em casa” – falou me tirando um sorriso enorme do rosto - “Fechou assim que chegar te aviso” – respondo no mesmo instante Minha avó chega e me vê sorrindo para o celular e logo pergunta: - “Quem será a vítima do meu neto dessa vez galã?” – ela pergunta gargalhando - “Vozinha dessa vez eu que sou a vítima, cai no gole da morena” – falo com um sorriso sem graça - “Huum já até imagino, quero que traga para ver se eu vou aprovar em” – ela fala me olhando com certo receio - “Pode deixar, mas primeiro ela tem que me querer de novo, contei pra ela o que faço e não sei o que vai dar” respondi Minha avó me criou como pode, infelizmente segui para o outro lado vendo os exemplos no morro e junto com meu primo nos enfiamos de cabeça no crime depois do abandono que sofremos, nunca escondemos nada dela afinal não seria justo. Ela não apoia de forma alguma e vive dizendo que devemos sair fora, mas não julga porque nos ama mais que tudo. - “Meu filho e se ela valesse para você sair dessa vida” – ela me questiona - “Nada haver vó, sabe que só morto que saio dessa merda” – falo já ficando nervoso - “Aiaiai para de besteira, também não falo nada” – responde saindo do quarto Por bem ou por m*l a grana e o respeito que tenho no morro foi graças ao tráfico e não troco por uma vidinha qualquer, não está nos meus planos sair e viver de esmola de patrão afinal minha vó não está muito bem de saúde e aqui tenho dinheiro suficiente para seus remédios e consultas particulares. Subi na boca para resolver umas coisas, deixei meu primo avisado que a minha intenção hoje não era voltar ali pois iria fazer de tudo para que ela ficasse comigo, voltei pra casa tomei um banho e fui buscar a mulher mais linda desse morro, ao chegar nem precisei avisar, ela já estava na porta me esperando com um short jeans claro e um cropped vermelho, estava ainda mais linda se é que isso seria possível. - “Desculpa, acho que me atrasei” – disse quando ela entrou e tentando cortar a tensão - “Eu que estava ansiosa achei melhor esperar aqui” – ela diz me olhando diretamente nos olhos Não aguentei e sorri, acho que isso é um bom sinal - “Quer ir lanchar naquele lugar?” – questionei - “Sim gostei do lanche e acho que seria um retorno apropriado” – ela diz dando um sorrisinho Ao chegar lá fizemos nossos pedidos e não sabia como começar algum assunto ou se devia deixar ela falar o que sentisse vontade. Nem precisei pensar muito e logo ela começou: - “Queria ter te procurado antes, mas estava com muitas coisas da faculdade e no serviço. Quis pensar em nós dois com calma e certeza” Olhei para ela sem dizer como se apenas quisesse que ela terminasse e falar tudo o que tem vontade - “Sei que sua vida não é certa, mas quero pelo menos ouvir sua história, saber o que te levou a essa vida” – continua me olhando atentamente como se tentasse ver a sinceridade nos meus olhos - “Pode não ser certa como tu diz, é a única vida que eu tenho e não sei se quero contar minha vida como se estivesse em um tribunal sendo julgado se mereço ou não a atenção da juíza” – respondo um pouco ríspido - “Não tem nada a ver com isso, você acha que estaria aqui se quisesse te julgar? Só não quero ser feita de boba e entrar numa história que posso me machucar de várias formas, sei que os caras da boca sempre em várias mulheres e além da vida perigosa” – ela diz desviando o olhar com um semblante triste - “Desculpa princesa, não quero que tenha essa impressão se ficar comigo, é só que mexe comigo, minha vida e meu passado não foram fáceis, meu pai ao saber da gravidez da minha mãe deixou ela sozinha e deu um dinheiro para me abortar, mas ela me colocou no mundo e me deu para minha avó que já cuidava do meu primo que tem uma história de vida parecida e mais velho que eu. Crescemos passando por dificuldade aqui no morro, foi surgindo oportunidade no crime pro meu primo e ele foi ganhando uma graninha, logo depois me interessei e cheguei aonde cheguei.” – respondi desabafando - “Mas você gosta de tudo isso? Não me disse se tem algum rolo ou o que posso esperar de você” – ela diz meio chorosa - “Não vou mentir pra você e dizer que não gosto, tem sim suas vantagens, mas a parada é louca e não posso bobear, quero muito ficar com você porque não consegui deixar de pensar em nós nenhum dia, se ficar comigo quero que me conheça de verdade como ninguém antes conheceu. Não me envolvo com qualquer uma e se disse que te quero é porque tenho olhos só pra tu, desde o primeiro dia queria ter te pegado pra mim e feito a primeira dama do morro.” – me declarei pois queria provar a ela o quanto a queria - “Eu também gostei de ficarmos juntos, sei que nenhum momento que tivemos juntos você fingiu algo comigo, mas sabe que o povo daqui conversa muito, minha mãe jamais imagina que eu possa estar com um traficante de drogas” – responde com um tom preocupado - “Sei bem, já puxei a caminhada da tua família aqui para ter certeza se tu era firmeza” – falei sorrindo e ela me olha brava – “pode ficar despreocupada, se alguém tentar me separar de tu nem sei o que sou capaz de fazer” Ela apenas sorri e nosso lanche chega, comemos e continuamos apenas conversando.
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