Capítulo 14

1254 Words
Dália Eu estava sentada na traseira da carroça, o sol da manhã tocando meu rosto enquanto Kieran puxava as rédeas do cavalo com uma expressão fechada. O caminho de terra que nos levava até a vila vizinha estava coberto de pequenas pedras e galhos secos, o som das rodas da carroça rangendo contra o solo preenchia o silêncio tenso entre nós. Kieran não falava nada desde que saímos de casa — mas eu sabia o que ele estava pensando. Ela vai se meter em problemas. Ele sempre pensava isso — e eu sempre provava que ele estava errado. Minhas mãos apertavam com força o cabo do meu revólver, carregado com balas de prata banhadas em sangue de mortos. Essas balas eram mortais para vampiros e lobisomens. Bala de prata sozinha não era o suficiente para m***r vampiros mais antigos, mas quando misturada com sangue de mortos, a toxina impregnava na corrente sanguínea deles, enfraquecendo e queimando por dentro. — Você está pronta para isso? — Kieran finalmente quebrou o silêncio. Eu olhei para ele, o rosto sério. — Claro que sim. — Dália. — Kieran apertou as rédeas. — Você sabe que esses vampiros são diferentes. Eles estão ficando mais rápidos, mais inteligentes. Não são como os novatos que enfrentamos antes. Eu segurei o cabo do revólver com mais força. — Eu aguento. Kieran me lançou um olhar sombrio, mas não insistiu. Ele sabia que, se insistisse, eu só ficaria mais teimosa. Ele puxou o cavalo para o lado da estrada assim que avistamos as primeiras casas da vila. Tudo parecia… quieto demais. Descemos da carroça e eu puxei meu revólver, girando o tambor para verificar as balas. Kieran desembainhou a espada de prata presa em suas costas. — Vamos. — Ele sinalizou com a cabeça em direção à vila. As ruas estavam vazias. Nenhum som de crianças correndo, nenhuma voz saindo das casas. Eu senti o cheiro de sangue antes de ver o corpo. Kieran e eu seguimos o rastro até o centro da vila. Um homem estava caído no chão, a garganta aberta. O cheiro ferroso de sangue preenchia o ar. — d***a. — Kieran murmurou. Foi quando ouvimos o grito. Eu corri antes mesmo de pensar, Kieran logo atrás de mim. Viramos uma esquina e vimos uma mulher e uma criança encolhidas contra a parede de uma casa, enquanto um vampiro alto, de cabelos claros e olhos negros, avançava em direção a elas. Seus dentes estavam manchados de sangue fresco. Eu ergui o revólver. — Ei! O vampiro virou a cabeça em minha direção, os olhos brilhando. — Tsc. Outra caçadora. — Ele lambeu os dentes. Eu apertei o gatilho. A bala de prata atingiu o ombro dele, fazendo-o recuar com um rugido. — Leve elas para longe daqui! — Gritei para Kieran. Ele hesitou por um segundo, depois correu para a mulher e a criança, puxando-as pelo braço para levá-las para um local seguro. O vampiro se virou para mim, os olhos brilhando com ódio. — Isso foi um erro, garotinha. Ele avançou com velocidade sobre-humana, e eu consegui desviar por pouco, rolando para o lado e atirando novamente. A bala atingiu a perna dele, fazendo-o cair de joelhos. Eu sorri. — Quem está errando agora? O vampiro se ergueu em um movimento rápido e brutal, seus olhos brilhando de raiva. Ele atacou com velocidade, e eu m*l consegui erguer o revólver a tempo para bloquear o golpe. Fui lançada para trás, batendo de costas contra o chão de pedra. Eu me ergui com dificuldade, o corpo protestando, mas já estava puxando o gatilho novamente. Bang. A bala atingiu o peito dele, mas ele continuou em pé. Merda. Ele avançou novamente, e desta vez eu não fui rápida o suficiente. Ele me segurou pelo pescoço e me ergueu do chão, seus olhos brilhando com fome. — Você luta bem para uma caçadora. — Ele rosnou. — Mas não bem o suficiente. Eu bati o joelho contra o estômago dele, mas foi como atingir pedra. Ele riu e me jogou contra a parede com força suficiente para tirar o ar dos meus pulmões. Eu deslizei para o chão, ofegante. Minha mão procurou o revólver, mas ele estava longe demais. O vampiro se aproximou, erguendo as garras. Eu vi o golpe chegando, mas meu corpo não reagiu a tempo. As garras cortaram minha barriga, um corte profundo que fez o sangue escorrer imediatamente. Eu gritei. A dor foi cortante e afiada, e o sangue quente encharcou minhas roupas. Mas, mesmo assim, eu me levantei. Eu puxei a faca de prata presa na minha bota e avancei antes que ele pudesse reagir, cravando a lâmina em seu coração. Os olhos do vampiro se arregalaram. — Maldita… — Ele sussurrou, antes de seu corpo começar a desintegrar em cinzas. Eu caí de joelhos, pressionando a mão contra o ferimento na barriga. — Dália! Kieran apareceu ao meu lado, seus olhos arregalados ao ver o sangue escorrendo entre meus dedos. — Kieran… — Minha visão estava ficando embaçada. Ele me segurou pelos ombros, puxando-me para cima com força. — Fica comigo. — Ele olhou para o ferimento, o rosto contorcido de desespero. — m***a, Dália. Eu senti ele me erguer nos braços. — Vamos pra casa. Agora. Minha cabeça caiu contra o peito dele enquanto eu sentia a escuridão se aproximar. --- Quando eu abri os olhos, o teto do meu quarto foi a primeira coisa que vi. Minha boca tinha gosto de ferro e meus membros estavam pesados. Eu tentei me mexer, mas uma dor aguda na barriga me fez grunhir. Eu levantei o cobertor e vi que meu ferimento estava enfaixado com ataduras limpas. — Finalmente acordou. Eu olhei para o lado e vi meu pai, encostado contra a parede com os braços cruzados e o rosto sombrio. — O que aconteceu? — Minha voz saiu rouca. — O que aconteceu? — Meu pai se aproximou, os olhos frios. — O que aconteceu foi que você quase morreu porque foi arrogante o suficiente para achar que podia enfrentar um vampiro daquela classe sozinha. Eu me sentei com dificuldade, rangendo os dentes contra a dor. — Eu consegui matá-lo. — E quase morreu no processo. — Meu pai se abaixou até ficar na minha altura, os olhos duros encontrando os meus. — Você confiou demais em suas habilidades. Achou que podia lutar de igual para igual com um vampiro de nível superior apenas porque você é rápida e forte. Eu abri a boca para responder, mas me calei. Porque ele estava certo. Eu achei que podia vencer apenas com minha força e velocidade. Que minha habilidade especial seria suficiente. Mas não foi. Eu quase morri por causa disso. — Dália. — A voz dele ficou mais suave, mas ainda séria. — Você é boa. Muito boa. Mas não é invencível. Sua força não é infinita. E se você continuar acreditando que é… vai acabar morrendo de verdade da próxima vez. Eu cerrei os punhos, olhando para o chão. — Eu sei. Meu pai ficou em silêncio por um momento. — Descanse. — Ele se levantou. — Kieran está lá embaixo, preocupado com você. Eu assenti, sem conseguir olhá-lo nos olhos. Quando ele saiu do quarto, eu deixei meu corpo cair de volta contra o travesseiro, sentindo a dor pulsar sob minhas costelas. Eu sabia que ele estava certo. Mas o pior de tudo… Eu sabia que não conseguiria mudar o que sou. Eu sempre vou lutar — não importa o que isso me custe.
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