P. O. V Alehandra
Assim que o Lysandre saiu eu subi pro quarto, ele ainda estava sem janela e eu só ia dar um jeito amanha, eu me deitei na cama e ele não saia da minha cabeça, o toque dele, os lábios dele. Eu não posso gostar dele assim, eu o conheci hoje e vai que ele é igual ao meu pai? Vai que ele só quer me usar igual todos os meus ex namorados? Eu não quero que os meninos sofram de novo por minha culpa, eu nunca vou esquecer o que eu os fiz passar
Eu me levantei e fui até o quarto deles, eu riu toda vez que eu venho aqui, cada um ta torto pra um lado e sem as cobertas, e hoje não é um dia tão quente assim. Eu fui até Kaio e o coloquei direito na cama, o cobri com a coberta, dei um beijo na testa dele e fui rumo a Kato, fiz o mesmo processo com ele, os dois não tem idéia do que esta acontecendo ou o que aconteceu. Eles acham que meu pai vai voltar, acham que ele só esta viajando e eu nunca tive coragem de dizer a verdade, pra falar a verdade eu mesmo não consigo assumir dentro de mim que ele foi embora
Como eu não consigo dormir eu desci e comecei a arrumar a casa, o sol estava se pondo e eu comecei a cortar a grama e a arrumar a varanda, quando eu acabei fui até o portão para olhar de longe, não tava como eu queria, mas já estava bem melhor do que antes. Quando eu entrei os meninos estavam na sala, já estava na hora do jantar. Eu fui pra cozinha e fiz frango cozido com varias coisas, eles passaram o jantar inteiro falando do Lysandre, que ele era legal e que eu deveria chamá-lo pra almoçar aqui em casa de novo
Depois eles foram escovar os dentes, eu tava na sala assistindo um programa de culinária quando sinto duas mínis pessoas pularem em mim, eu não perdi tempo e comecei a fazer cosquinhas nos dois e eles em mim, a gente ria muito. O Kato sempre gosta de brincar de pirata e o Kaio de policia. Pra não dar briga eu misturei as brincadeiras, Kato era um pirata experiente que saqueava tudo o que vinha pela frente, eu e o Kaio tínhamos que ir atrás dele
Nós brincamos tanto que até eu cansei, nós fomos direto pra cama... Como sempre eu cantei pra eles dormirem e tinha que ter um beijinho de boa noite, depois que eu fui pro meu quarto à lembrança do beijo do Lysandre voltou a minha mente, eu não quero isso! Eu tenho que focar na escola, pelo que eu soube da Sweet Amoris ela é uma das escolas mais renomadas e caras do Brasil, e pra quem tem bolsa tudo é mais difícil, a media lá é 7, já as dos bolsistas são 8,5 no mínimo. Pelo menos amanha ainda é domingo e a minha correria começa só na segunda
Eu acordei no outro dia com o sol batendo no meu rosto, eu olhei para o relógio e ainda eram 6h da manha, eu me levantei meio manhenta e fui pro banheiro, fiz a minha higiene matinal e fui fazer o café, os meninos adoram torrada de manhã e foi o que eu fiz. Eu tava concentrada fazendo o suco quando uma coisa me desconcentra
-bom dia Ale- era Kaio
-bom dia- eu me abaixei e beijei sua bochecha- cadê o Kato?- ta no banheiro terminando de escovar os dentes
-e você escovou direito?- ele fez que sim com a cabeça- me deixa ver- eu faço isso todo dia, ele abriu a boca e ele tinha sim escovado direito- ta bom vai La, eu já to levando o resto das coisas
-ta- ele foi se sentar-se à mesa
Eu tinha acabado de colocar o bolo e o suco na mesa, o Kato estava descendo as escadas quando a campainha tocou como eu estava ocupada o Kaio que foi atender, eu achei estranho ele demorar pra avisar quem era então fui la ver... E serio eu fiz uma cara de “o que você esta fazendo aqui?” era o Lysandre, ele estava com um bolo de chocolate na mão, hoje ele esta vestido, não é muito comum a roupa dele, mas eu até que gostei
-serio?- eu perguntei
-seríssimo- ele passou por mim e foi direto para a cozinha
-ei- eu fui atrás dele- quem te deu essa liberdade mesmo?
-o Kaio- ele disse como se estivesse me contando quantos anos ele tinha, aliais quantos anos ele tem?
-o Kaio não tem autoridade pra isso, sinto muito
-eu preciso falar com você, preciso me desculpar
-o que ele fez Ale?- os meninos falaram juntos. Eu olhei pro Lysandre meio “ta vendo o que você fez?”
-nada, vai tomar o café
Eu puxei o Lysandre até o meu quarto, eu não sabia por que la ou porque eu ainda o deixei ficar aqui em casa, eu o conheci ontem não deveria estar fazendo isso. Na verdade eu não deveria levar ninguém para o meu quarto, mas olha la pra onde eu to levando ele. O que esta acontecendo comigo?
P. O. V gêmeos
A Ale saiu puxando o Lys e a gente seguiu os dois, ela levou ele pro quarto, ninguém nunca entra no quarto dela, só nós dois e olhe lá. O que os dois vão fazer? Será que eles estão namorando? Não! Eu acho que não. Nós colocamos o ouvido na porta pra ouvir melhor
-o que você quer?- foi a Ale quem disse
-pedir desculpa por ontem, eu não deveria ter te beijado daquele jeito- os tinham se beijado...
-não, nem daquele jeito nem de nenhum outro. Você não deveria ter me beijado
-eu sei, eu normalmente não sou assim, é que... você é linda e eu fiquei sei la desnorteado
-e você sai beijando todas as meninas bonitas que você vê?
-não, eu juro que não sei o que me deu! Eu não deveria ter feito, eu não sou assim
-olha Lysandre eu não vim pra Ca pra ficar namorando ta legal? Eu tenho que cuidar dos dois e isso não é fácil, você não pode chegar aqui e fazer essas coisas
-eu sei, eu juro pela minha mãe que eu não vou mais fazer nada que você não queira
-ta...
-mas eu ainda posso tomar o café com vocês né?a gente pode concertar as janelas depois
-eu não sei se é uma boa idéia
-vai Ale deixa- nós entramos no quarto
P. O. V Alehandra
-o que vocês dois estão fazendo aqui?
-deixa Ale... o Lysandre é legal, você deveria ter namorado com ele ao invés do Viktor
-você namora?- Lysandre me perguntou
-não! Ai gente saiam daqui. Os três! Vão, vão logo
Eu empurrei os três pra fora do meu quarto e fiquei la dentro. Viktor foi o meu ultimo namorado, eu digo ultimo porque eu não quero namorar mais, eu não consigo gostar de ninguém... eu tenho medo de quem se aproxima de mim desse jeito. O Viktor se mostrou ser uma pessoa legal no começo, me dava flores e sempre estava lá pra mim. Eu achava que ele ia ser meu pra sempre, até o dia em que ele bebeu... ele sempre bebia, mas naquele dia justo naquele dia ele tinha passado da conta foi pro bar onde minha mãe trabalha e ficou com ela, isso ai! Foi pra cama com a minha mãe, depois que ele chegou em casa começou a gritar comigo e os meninos foram pra cima dele, mas não como fizeram com o Lysandre, eles foram pra cima mesmo. O Viktor empurrou o Kato e deu um chute no Kaio que fez ele parar longe com o ombro deslocado e desacordado
Quando eu vi aquilo eu peguei uma faca e comecei a ameaçá-lo, dizendo pra ele ir embora e nunca mais voltar, só que eu tinha esquecido de uma coisa, o Viktor era do exercito! Sim ele era mais velho que eu. Ele tirou a faca da minha mão num segundo e no outro a faca já estava na minha perna. Ele ia matar todo mundo se meu vizinho não tivesse chegado e chamado a policia, ele nos levou até o hospital, a cicatriz ficou horrível e eu tive que fazer uma tatuagem pra cobrir, é uma de uma pena, só uma que significa que eu estou solta e livre pra fazer o que eu achar melhor
Eu não ia deixar ninguém me ver chorando então assim que sai do quarto fui direto para o banheiro e lavei o rosto, eu não era mais a menininha que foi enganada por idiotas, eu tinha crescido, amadurecido, eu não era mais a mesma e nem queria ser! Essa era eu agora e eu não deixaria ninguém machucar os meus irmãos de novo, eles são tudo pra mim
Assim que cheguei à sala eu vi Lysandre brincando com Kaio e Kato, eles estavam correndo um atrás do outro e rindo, aquilo de certa forma me reconfortou, então eu só respirei fundo e fui pra sala, Kato estava de costas pra mim então eu o agarrei e comecei a fazer cosquinhas nele, a risada de Kato era tão engraçada que fez todo mundo rir inclusive eu até quando Kato começou a chamar pelo Lysandre e ele veio até mim com as mãos levantadas e com uma cara que dizia “eu vou te matar de tanto fazer cosquinhas”. Eu só larguei o Kato e sai correndo, o Lysandre e os meninos vieram atrás de mim e me derrubaram na grama (que eu já tinha cortado ontem), eles começaram a fazer cosquinhas em mim e eu admito que não tenho uma risada bonita, faço porquinho. Eu tentava me livrar deles, mas não deu. Eles ficaram fazendo isso comigo até a minha barriga começar a doer de tanto rir, nós ficamos cansados e os meninos ainda não tinham tomado café
-vamos La pra dentro- eu me levantei e ajudei os meninos a se levantar
-as torradas são minhas- Kato falou
-e eu Ale?- o Kaio era tão mais calmo
-tem torrada pra todo mundo ta... E você senhor Kato vai dividir com seu irmão- Lysandre se levantou e entrou com a gente, se sentou à mesa e tudo
-bom. Eu vou ficar com o bolo de chocolate, porque foi eu que fiz e concerteza deve estar muito bom- Lysandre abriu o bolo, realmente estava com uma cara ótima
-eu quero- os dois falaram juntos
-sem bolo de chocolate pra vocês!- eu disse apontando uma faca com manteiga pros dois
-porque não?- Lysandre perguntou
-primeiro que ta de manha, isso é muito pesado. Segundo que eles são intolerantes a glicose não podem comer muito doce e terceiro
-você sempre numera os fatos?- ele me cortou
-o que?
-primeiro- ele começou a me imitar com uma faca na mão e fazendo uma voizinha engraçada- segundo
-eu não falo assim
-deixa Ale
-não, já disse. Vão comer as torradas e depois eu quero que vocês subam e arrumem o quarto de vocês
Nós quatro tomamos o café rindo e conversando, depois os meninos subiram como eu mandei, eles são obedientes porque sabem que vão ganhar recompensa depois, não julgue os meios que eu tenho de cuidar dos meus irmãos, eu e o Lysandre ficamos na cozinha lavando a louça e arrumando a mesa, eu fiquei meio receosa de ficar perto dele depois do que aconteceu, mas ele cumpriu a promessa e não fez nada. Ao contrario ele começou a cantar, e que voz linda era aquela, eu podia sentir o sentimento que ele estava expondo pela musica, ele tinha começado a cantar quando a gente já estava terminando
-você canta muito bem
-obrigado, você também deve cantar
-o que?
-os meninos me disseram que você canta pra eles antes de dormir
-toda mãe faz isso
-sei- ele olhou pra mim com um sorriso de canto e com os olhos brilhando
-o que foi?- eu disse rindo da reação dele
-toda MÃE faz isso...
-eu sei... É como se eu fosse à mãe deles, mas fazer o que? Se a mãe de verdade deles é uma desmiolada?
-a mãe de vocês- ele tentou me corrigir
-a mãe deles... Ela não é mais a minha mãe a um bom tempo- eu comecei a ficar brava, toda vez que o assunto é aquela mulher eu fico assim
-o que aconteceu Ale?
-o que?- eu disse me fechando ainda mais
-você se fechou, eu estava do lado de uma menina meiga e simpática a manha toda, mas agra ela sumiu. Eu não respondi- pode me contar
-nada, não aconteceu nada- eu disse segurando o choro
-não precisa se fazer de forte comigo, pode chorar
-eu não quero chorar- eu não podia ter dito uma mentira maior, meu rosto deveria estar todo vermelho só de segurar o choro, eu segurei o choro até quando eu não pude mais
E quando eu já não me agüentava desabei e comecei a chorar, eu não choro na frente de ninguém. Eu me levantei e virei de costas pro Lysandre, mas ele se levantou e foi até mim, me fez olhar nos olhos dele e depois me abraçou, eu logo o abracei de volta, precisava daquilo, meu rosto ficava um pouquinho pra baixo do seu peitoral, mas eu não estava ligando pra corpo àquela hora e eu acho que nem ele
P. O. V Lysandre
Ela estava chorando abraçada comigo, eu sei que ontem eu estava pensando nela de outro jeito, mas agora... Agora ela esta triste e a única coisa em que eu penso é em protegê-la, ela é tão frágil e tão pequena, se faz de durona, mas tem o coração mole. Eu nem imagino o que ela deve ter passado e isso tudo é novo pra mim, eu sempre tive meus pais por perto, uma casa grande e tudo o que eu quisesse ter, mas nunca nada me fez sentir como eu me sinto quando estou perto dela, nada nunca fez eu me sentir tão vulnerável, como se quando ela quiser ela pode arrancar o meu coração e pegar pra ela, porque já é dela! Ela me tem na palma de suas mãos e não percebeu ou se percebeu ela não quer
De relance eu vi os meninos descendo as escadas correndo, mas quando viram ela chorando eles foram diminuindo o ritmo devagar, a expressão deles era de dar dó, quando ela se soltou de mim e viu que eles estavam La, ela simplesmente ficou parada olhando pra mim e depois pra eles limpando suas lagrimas. Os meninos vieram aos poucos e fizeram ela se abaixar pra eles poderem abraçá-la. Eu podia sentir como ela ficou feliz só por eles estarem ali... Foi ai que eu percebi a Ale precisa de mim, ela tem que proteger os dois, mas e ela? Quem protege ela?
Aquela sena me comoveu tanto que até eu comecei a chorar, eles ficaram ali até ela largar os dois e se levantar ela me encarou seria, com uma expressão fria no rosto. Uma lagrima solitária saiu do olho dela, mas ela rapidamente limpou. Ela olhou pros meninos com um sorrisinho de “ta tudo bem” e eles saíram acho que pra sala, assim que eles passaram da porta ela me olhou
-obrigada Lysandre eu não sei nem o que eu tenho que fazer pra te agradecer
-eu sei
-o que?- ela me olhou confusa
-sair comigo hoje à noite- ela me olhou meio que “ahn?”
-e os meninos?
-eu arrumo uma baba pra eles
-os gêmeos? Baba?
-é ué. Qual o problema?
-não deixo eles com qualquer um
-não é qualquer um... É a minha irmã. Não aceito não como resposta- ela começou a pensar e logo me respondeu
-ta bom, mas eu volto sedo pra casa. Tem escola amanha!
-eu sei. Eu também tenho
-tchau Lysandre- ela disse me mandando embora, eu não entendi porque, mas né foi até engraçado
-ei- eu disse quando já estava quase na rua- pega meu numero, qualquer coisa é só ligar- ela revirou os olhos, mas aceitou- eu passo aqui às 7h pra pegar você e os meninos
-pra onde mesmo?
-os meninos pra minha casa e você... Surpresa