Selene Blackwood.

4446 Words
Mil anos atrás eu conheci uma garota deslumbrante, cheia de atitudes misteriosas, uma confiança inabalável e uma facilidade para entorpecer meus sentindos e me encher de ansiedade, sim, ansiedade é a definição correta para como eu me sentia ao seu lado o tempo todo. Pandora nunca foi uma mulher de muitas palavras, no entanto quando ela decidia que deveria falar, suas palavras sempre ficavam ressoando em minha mente feito um mantra até que eu finalmente a encontrasse outra vez. Eu poderia dizer que talvez isso fizesse parte de seu charme demoníaco. De inicio eu não fazia ideia, pelo menos até o momento em que ouvi os planos de meu irmão. Kasper Blackwood. Eu consigo me lembrar exatamente o quão ansiosa eu estava para o retorno de Pandora a cidade, afinal ela disse que me levaria com ela se eu estivesse pronta, e depois de dois meses de espera eu finalmente havia me decidido, eu iria com ela, eu deixaria tudo, no entanto ela simplesmente desapareceu, no ínicio eu não estranhei, afinal ela havia me avisado de que ficaria fora por mais de semanas, mas que voltaria por mim, mas sua demora estava me preocupando e corroendo por dentro, a possibilidade de que pudesse ter acontecido algo me enchia de tristeza, eu não conseguia mais cumprir com todos os meus deveres com excelência e isso estava deixando meu irmão ainda mais irritado, mas estranhamente ele não me retaliou como de costume, ele simplesmente estava estranho e misterioso, sempre saia no fim da tarde sozinho para a floresta e um dia em um ato de loucura eu o segui, e foi nesse dia em que eu descobri que ele estava conspirando contra Pandora junto a uma bruxa da noite, Rugby, a mulher que enfatizava o tempo todo que Pandora era um demônio, um monstro que traria o caos para o mundo se permanecesse andando libremente por aí. Eu escutei todo o plano deles, desde afetar Pandora destruindo sua ramificação legítima, o que a faria voltar correndo para a cidade de Blackwood, também ouvi como eles pretendiam sela-la usando artefatos antigos e uma magia perdida e proibida, segundo eles já havia alguém cuidando disso e que essa pessoa iria preparar tudo e que sabia de todos os passos de Pandora, ao ouvir isso eu decidi que não deixaria Pandora cair nessa armadilha, eu fugiria de casa essa noite para procurá-la e avisar do plano traiçoeiro daqueles dois, no entanto, meu irmão estava um passo a frente de mim, ele me pegou na minha tentativa de fuga e me prendeu no castelo sob vigilância extrema, ele também contou aos nossos pais sobre meu envolvimento com Pandora e que ele iria limpar a imagem da família, mas que eu não poderia passar impune dessa situação. Dizer que fiquei surpresa, seria mentira, meu irmão me odiava. Acho que ele foi até bonzinho em só me prender, pelo menos é o que eu pensava de início. Eu fiquei presa por duas semanas até que finalmente eu recebi uma visita de meu irmão, e nessa visita ele me contou seu plano para exterminar o clã das bruxas da cidade, a ramificação de Pandora e ele fez questão de enfatizar como isso a afetaria, ele também citou a tríade de sangue e como eles iriam dá um fim a vida de Pandora, meu irmão fez questão de enfatizar que eu ainda estava viva porque eu era a isca principal do plano, Pandora havia prometido que voltaria por mim e ele sabia disso, ele havia me seguido por tanto tempo e eu sequer fazia ideia, eu baixei minha guarda e fui pega, tudo isso era culpa minha e eu deveria resolver esta situação. Ao saber que seu plano seria realizado no dia seguinte, eu não pensei duas vezes em fugir mesmo com todos os riscos, mesmo que eu morresse, eu não poderia simplesmente deixar as coisas assim, então no dia seguinte na troca de guarda pela manhã, eu aproveitei para fugir, eu tinha alguns minutos até que minha fuga fosse notada, então eu corri o mais rápido que conseguia pela floresta, mas em um certo momento, a fumaça, o cheiro de sangue e de carne queimando chamaram minha atenção e então eu entendi que Kasper já havia dado início ao seu plano maligno e que provavelmente Pandora estaria retornando a cidade. Eu tinha que fazer algo. Pelo menos salvar Pandora. E foi quando eu a vi, o cabelo dourado e longo, as bochechas rosadas e bem marcadas, seu queixo bem alinhado e os olhos azuis claros de um tom intenso e vibrante, aquela garota parecia uma cópia ainda mais jovem da Pandora, sua áurea sinistra me causou calafrios e então naquele momento eu soube que algo estava para acontecer e realmente aconteceu, aquela garota foi a última coisa que vi. Eu não me lembrava que quem realmente havia me matada era Kora, as minhas memórias sempre foram de meu irmão Kasper me matando, no entanto ele estava ocupado demais para isso e alguém chegou primeiro, Kora Leeds, ela me matou sem sequer me deixar explicar a situação e então eu passei mil anos presa as terras das bruxas, sendo torturada por elas, aguardando o momento de cumprir a missão que me foi dada por Machiavelli no dia da minha morte, essa missão era a única coisa real da qual eu me lembrava sobre aquele dia. A missão de guardar a terceira caixa. A missão de ser a terceira caixa. Eu não sei como estou de volta, mas talvez o retorno de Pandora possa ter algo haver com isso, no entanto, eu posso sentir a presença daquela garota, sua áurea sinistra ainda me causa arrepios, mesmo que ela não esteja no mesmo ambiente que eu. Observo Machiavelli sentado na ponta da cama, sua expressão é tranquila e até contente, ele parece satisfeito com o rumo que as coisas estão tomando e eu só consigo pensar se algo fez com que seu plano ultrapassasse suas expectativas de maneira positiva, na verdade eu acho que seja bem provável que quase tudo tenha acontecido como ele planejou há mil anos com Pandora. Suspiro chamando sua atenção e em seguida a porta é aberta por Luna que entra no quarto com uma expressão confusa, acompanhada por Mikhaela, Petra e sinto que tem alguém no corredor, no entanto sua presença parece está sendo comprimida, mas ainda assim me sinto estranhamente desconfortável. - Porque me chamou aqui? - questiona Luna encarando Machiavelli que olha para mim e então eu sigo totalmente para fora do banheiro, vendo a garota me encarar com incredulidade. - Olá, minha descendente. - digo divertida e ela sorrir em meio a uma careta e em seguida caminha em minha direção, ela me abraça com firmeza por alguns segundos e em seguida sorrir abertamente se afastando. - Você está viva! - exclama e eu assinto sorrindo para ela. - Eu estou tão surpresa quanto você em relação a isso. - digo e ela suspira em meio a um sorriso. - Eu estou feliz que você esteja tendo uma segunda chance para viver a sua vida como desejar. - diz me olhando com atenção. - Eu não sei o que pretende fazer agora, talvez você nem esteja pensando sobre isso no momento, mas saiba que se quiser ficar e se tornar parte dessa família gigantesca, você será bem vinda. - completa e eu sorrio de canto assentindo. - Obrigada, eu não estou pensando em nada que não seja a maneira como morri há mil anos, mas quando eu conseguir pensar em outra coisa além disso, eu irei considerar tudo o que me disse, eu prometo. - digo e ela assente indicando entender. - Leve o tempo que quiser, você é alguém importante para Pandora, então sempre terá um lugar em minha casa. - diz Mikhaela chamando minha atenção. - Agradeço pela gentileza. - digo e ela sorrir brevemente. - Bem, acredito que todos estão curiosos sobre a morte e o retorno de Selene, no entanto, tem alguém que poderá explicar melhor essa situação. - diz Machiavelli chamando a atenção de todos no quarto. - Querida irmãzinha, você poderia esclarecer alguns fatos para nós? - questiona Machiavelli com um tom tranquilo e em seguida olha de canto para a entrada do quarto e então lá está ela. Kora Leeds. A garota que me matou. Sinto meu coração dar vários saltos em meu peito quando ela me encara com um sorriso de canto arqueando uma sobrancelha e com uma expressão sugestiva, me causando uma sensação de estar sufocando lentamente, minha boca fica seca repentinamente e posso sentir as palmas das minhas mãos suadas, engulo seco tentando manter meu olhar firme diante do dela, no entanto sinto-me fracassar quando ela caminha em minha direção com as mãos para trás, posso ver em seus olhos que ela está se divertindo com a minha reação. - Olá, Selene Blackwood. - diz com um tom divertido ficando cara a cara comigo, me olhando diretamente nos olhos. - Quanto tempo, não é mesmo? - questiona ainda com o tom de diversão. - Espero que tenha curtido bastante esses mil anos de férias prolongadas que eu te proporcionei. - completa com um tom sarcástico e eu sorrio com desdém. - Mil anos de férias prolongadas? - questiono no mesmo tom e ela permanece me encarando com seus sorriso de canto irritante. - Você me matou e eu fiquei presa aquelas terras amaldiçoadas por um milênio, eu fui torturada e perseguida por séculos, então não faça parecer que você me deu um presente ou um passe para uma colônia de férias, porque você tornou o restou de mim e da minha vida em um tormento. - completo e ela ri brevemente e em seguida abre os braços. - Bem, você está aqui agora não é? - questiona de maneira sarcástica e em seguida dá um passo a frente ficando mais próxima de mim. - Eu te matei e te mataria outra vez se fosse necessário, a sua morte foi consequência de suas próprias escolhas, então não venha me dá sermão, porque eu fui muito benevolente com você. - completa e em seguida se vira pronta para ir embora dali, vejo Machiavelli rir e negar com a cabeça, enquanto Luna tem uma expressão confusa, alternando seu olhar de mim para Kora que segue para fora do quarto em passos lentos. - Espera! - exclama Luna chamando a atenção da garota que a olha por cima do ombro. - Porque você a matou? - questiona e Kora dá de ombros. - Eu só queria me divertir e ela foi o brinquedo perfeito agora descontar um pouco da minha raiva. - responde Kora e em seguida sai do quarto. - Acho que ela não tá muito afim de conversar. - diz Petra rindo e Mikhaela assente indicando concordar. - Bom, a minha irmã caçula não é alguém com quem você pode ter uma conversa tranquila por muito tempo e ela passou mil anos ansiando pelo momento em que estaria livre, então ela não vai querer falar sobre isso agora, ela pretende se divertir primeiro. - diz Machiavelli chamando nossa atenção outra vez. - No entanto, devo esclarecer que ela não te matou, apenas roubou sua alma e te aprisionou aquelas terras, confesso que eu acreditava que ela havia te matado, mas pelo visto a minha irmãzinha tem habilidades interessantes e as controla muito bem. - completa se levantando em seguida. - Para onde você vai? - pergunto e ele finge pensar por alguns segundos, antes de sorrir de uma maneira diabólica. - Irei visitar a mulher no quarto ao lado, preciso explicar o porquê a matei e porquê ela está de volta. - responde divertido e eu refiro os olhos. - Pelo visto matar mulheres bonitas é um m*l de família demoníaca, estou com receio por você abelhinha. - diz Petra negando com a cabeça e Luna e Mikhaela riem, enquanto Machiavelli dá de ombros. - A Pandora nunca me machucaria. - diz Luna com um tom divertido. - Nos falamos depois, aproveite seu tempo livre para colocar alguns assuntos em dia. - diz Machiavelli alternando seu olhar de mim para Luna. - Ah, a Pandora do passado e a do presente são pessoas bem diferentes, então não tenha tanta certeza disso cunhadinha. - completa divertido e em seguida sai do quarto. - Ele está só sendo um demônio rabugento, Pandora nunca machucaria você. - digo para Luna que sorrir com uma expressão satisfeita em seu rosto. - Demônio rabugento, gostei, a partir de hoje irei me referir a ele dessa maneira. - diz divertida e em seguida estende sua mão para mim. - Pronta para vê-la? - questiona ainda com o mesmo tom e eu assinto sorrindo. - Estou esperando por isso há mil anos. - respondo divertida pegando em sua mão e ela sorrir antes de me guiar para fora do quarto. Respiro fundo sabendo que as coisas não serão fáceis a partir de agora, voltar a vida após mil anos vivendo como um mero fantasma não estava nos meus planos, pensei que quando as bruxas retornassem a vida, eu estaria livre para seguir para o outro lado, no entanto, eu ainda estou aqui, eu estou viva, isso é loucura, eu não sei o que fazer com isso. Eu passei mil anos esperando por Pandora, esperando por um momento com ela, esperando que dê alguma maneira ficassemos juntas, no entanto, quando ela finalmente renasceu, ela se apaixonou pela minha descendente, ela a ama de uma maneira que eu sei que nunca me amaria mesmo que nada daquilo que aconteceu no passado tivesse acontecido. Eu não sou i****a. Eu consigo enxergar a verdade. Eu não era o amor da vida dela, fui somente uma paixão da qual ela sequer pôde provar o sabor, eu não sei o que deveria sentir em relação à isso, mas eu não me sinto triste, porque eu sei que Luna é perfeita para ela, sei que entre tantas possibilidades, a melhor escolha do destino foi juntar ambas. E é justamente por isso, que eu não sei o que fazer a partir desse ponto, Luna e Mikhaela me ofereceram um lugar aqui, no entanto, eu me pergunto se a minha presença não seria um problema. De qualquer maneira, eu terei muito tempo para pensar sobre isso. ____________________________________________ Observo Pandora com atenção, me perguntando se seria invasivo da minha parte trocá-la enquanto dorme, no entanto, Luna parece ler meus pensamentos, pois no segundo a seguir ela agarra minha mão e a guia em direção ao rosto de Pandora, sinto sua pele quente contra meus dedos após mil anos, no entanto não me permito sorrir com isso, afinal eu estou diante de Luna, não sei se isso lhe causaria incômodo, de qualquer maneira eu não quero testar. - Tenho certeza de que ela não se importa que a toque. - diz Luna chamando minha atenção. - Eu também não me importo que a toque, se quiser, pode abraça-la também, afinal, não é porquê sou eu quem está com ela agora que o passado de vocês seja apagado. - continua olhando em meus olhos com firmeza. - Vocês tiveram algo que pode não ter durado muito tempo, mas você a esperou e foi importante para ela, o que poderia ter sido não dá pra saber, mas o que está sendo sim e eu não tenho dúvidas do que ela sente por mim, apesar de que ela mesma tem as vezes, então não precisa ter receio, porque eu não pretendo te tornar minha inimiga ou tratar como uma rival, tudo que quero é que aproveite sua segunda chance e que talvez nos tornemos amigas. - completa tranquila e eu não consigo conter o riso. - Se eu dissesse que não a amo, eu estaria mentindo. - digo direta e sincera e ela sorrir de maneira contida com seus olhos verdes vibrantes focados em mim. - No entanto, eu sei qual é o lugar que ocupo em seu coração, sei que o passado ficou para trás, então eu te garanto que eu também não desejo te tratar como uma rival ou inimiga, e ser sua amiga, seria um privilégio, afinal você será a minha alfa caso eu fique por aqui, e a primeira alfa lendária que deu um fim ao legado da nossa família cheia de tiranos. - completo e ela ri negando com a cabeça. - Então que desse dia em diante nós sejamos boas amigas e que você fique e se torne parte da alcatéia que eu quero liderar por muitos séculos. - diz Luna e eu sorrio assentindo e em seguida estendo minha mão para ela. - Obrigada. - agradeço balançando sua mão e ela sorrir. - O que pretende fazer com a vila? - pergunto curiosa e ela faz uma careta. - Eu não tenho nada específico em mente, na verdade eu só quero acabar com tudo que foi construído pelos Blackwood. - diz divertida e eu sorrio. - Assino embaixo e até ajudo. - digo no mesmo tom e ela sorrir, em seguida ela desvia sua atenção de mim para Pandora e eu faço o mesmo. - Então, não dá pra saber quando ela vai acordar? - pergunto e ela assente. - O demônio rabugento disse que ela precisa de um tempo para se recuperar e para que seu corpo complete a transição. - responde acariciando o rosto de Pandora. - Eu estou na expectativa de que não leve muito tempo, afinal a tríade declarou guerra contra ela. - diz e eu toco seu ombro a vendo me olhar em resposta. - Ainda que ela não esteja de volta, os irmãos dela estão aqui e você tá aqui, você é a protera da ordem e cabe a você decidir o que fazer quando chegar a hora. - digo e ela sorrir. - É muito bom poder conversar com você sem que sua mão atravesse meu corpo. - diz divertida me fazendo rir. - Será? - questiono divertida. - Eu tenho a leve impressão de que você preferia quando eu era só uma assombração irritante. - brinco e ela sorrir. - A minha versão de bolso falsificada. - diz e eu suspiro. - Que o passado fique no passado, não precisamos mais dele. - digo e ela assente colocando sua mão sobre a minha repousando em seu ombro. - Que a partir de agora, as coisas sejam melhores pra gente, mas principalmente pra você, minha querida ancestral. - diz com um tom divertido e eu assinto. - Para nós duas, minha querida descendente. - digo no mesmo tom e em seguida rimos juntas. As coisas estão sendo estranhamente engraçadas e boas, me pergunto o que virá a seguir para tentar atrapalhar o futuro brillante que está por vir. Afinal, toda boa história é repleta de altos e baixos. ____________________________________________ Bato na porta do quarto de Kimora e vejo Mikhaela sair do quarto ao lado e me encarar com uma expressão acusativa e em seguida ela fala o que está em sua mente. - Que bom que te alcancei a tempo, porquê eu estava querendo saber o motivo de você sempre ter demonstrado tanto interesse pela Kimora. - diz Mikhaela com um tom ainda mais acusativo que sua expressão. - Sabe, eu gosto de como você não tem medo de mim e muito menos respeito, assim você pode cumprir bem o seu papel de mãe postiça, então parabéns por ganhar mais dois filhos. - digo divertido e em seguida a porta do quarto é aberta por Safira. - Entrem, por favor. - diz Safira dando espaço para que possamos entrar no quarto. - Depois de você. - digo para Mikhaela que assente entrando no quarto e em seguida eu faço o mesmo. Na primeira visão que tenho de Kimora, ela está deitada na cama com uma expressão de dor, seu cabelo antes branco, agora ganha raizes escuras fazendo as cores se misturarem, seus olhos azuis estão avermelhados, claramente afetados pela transição, suas veias estão expostas por todo o seu corpo e por um momento até me sinto m*l por lhe causar tal sofrimento, no entanto era necessário, eu não podia deixar passar a oportunidade de alcançar dois objetivos de uma só vez. Há mil anos eu prometi a Pandora que faria com que tudo ocorresse perfeitamente para um futuro favorável para o seu retorno completo e eu nunca falharia com ela, minhas irmãs são tudo que tenho e eu faria qualquer coisa pelo bem delas, mesmo que isso me levasse a morte. Não há espaço para arrependimentos em nosso modo de vida. Somos o que somos e não há nada que possa mudar isso. Demônios foram feitos para fazer tudo aquilo que estiver ao seu alcance para alcançar seus objetivos. Se isso nos torna criaturas desalmadas, eu não sei... No entanto, não é como se pudessemos ir contra nossa própria natureza em certas ocasiões. - O que faz aqui? - a pergunta de Kimora acompanhada de seu tom irritado chama minha atenção, me tirando de meus devaneios. - Obviamente eu vim ver como você está e se está se conseguindo lidar bem com as mudanças de sua natureza. - digo e ela rir com escárnio. - Estou maravilhosamente bem como pode notar. - diz com um tom raivoso e sarcástico e eu contenho a vontade de sorrir por achar que ela está parecendo uma criança birrenta. - Essa atitude não irá te levar a lugar algum, então, por favor, me deixe explicar o porquê fiz o que fiz e depois você decide se quer somente me bater ou me matar. - digo divertido e ela tenta se levantar da cama, seus olhos azuis se tornam negros como o de uma bruxa da noite e Mikhaela e Safira trocam olhares antes de voltarem seus olhos curiosos para mim. - O que fez com ela? - questiona Mikhaela sendo direta como sempre. - Ela tem os olhos de uma bruxa da noite, mas sua essência e magia é totalmente diferente ao de qualquer tipo de bruxa que conhecemos. - diz Safira e eu sorrio. - É porque ela não é mais uma bruxa comum, mas sim uma bruxa da morte. - digo com um tom tranquilo e elas trocam olhares confusos, enquanto eu encaro Kimora que permanece me encarando com fúria. - E antes que me perguntem o que isso significa, saibam que é exatamente o que diz, Kimora é uma bruxa da morte, uma bruxa encarregada de um dos seis elementos que movem o mundo como a transformação, a luz, as trevas, o destino, a vida e a morte. - faço uma pausa e em seguida respiro fundo. - Eu não posso entrar em detalhes agora, mas a bruxa do destino esteve no caminho da minha família e nos indicou os caminhos pelos quais poderíamos seguir para evitar um futuro desfavorável para todos, tudo o que aconteceu há mil anos já estava previsto muito antes de sequer existirem lobos, bruxas da noite, bruxas brancas, vampiros ou bruxas de sangue, entre outros, nada disso estava fora das previsões do destino. - completo vendo Kimora suavizar sua expressão furiosa e em seguida ela se torna em confusa. - Seis bruxas, seis raios, a roda da fortuna, o arcano dos ciclos de ascensão e queda. - diz Kimora em meio a uma careta e eu assinto. - Porque eu estou entendendo aonde você quer chega com essa conversa, porque eu tenho essa imagem na minha cabeça da roda da fortuna e esses rostos? - questiona confusa. - Esses rostos são o restante dos pilares da roda da fortuna, provavelmente aqueles ou aquelas com capacidade para se tornarem parte desse grupo de alta patente ou que façam parte da linhagem de uma bruxa abençoada com tal honra. - respondo e ela suspira negando com a cabeça. - Você faz parte de uma linhagem perdida de candidatas a bruxas da morte, eu investiguei por séculos até encontrar a pessoa mais compatível para se tornar uma, e quando a achei, eu a indiquei para se tornar pupila de alguém competente e de total confiança, você não foi escolhida aleatoriamente, eu te escolhi a dedo e pessoalmente, eu esperei séculos para que você nascesse e eu pudesse te fazer ser aquilo que você levaria uma vida inteira para se tornar. - completo e ela me encara com atenção. - Eu precisava morrer para me tornar uma bruxa da morte, mas não de qualquer forma não é? - questiona séria e eu assinto. - Porque não me contou isso, porquê simplesmente só me matou como se eu fosse alguém insignificante e descartável? - questiona e eu suspiro. - Demônios não medem esforços para conseguirem o que querem, mesmo que isso interfira na ordem natural das coisas ou que magoe, ou destrua pessoas. - respondo tentando soar o mais direto possível, apesar de não ser isso o que eu queria falar, no entanto não quero perder tempo dando explicações. - Está mentindo, em partes, mas está. - diz Kimora com um tom firme e eu sorrio. - Você era essencial para que tudo se cumprisse sem falhas, eu sei que pode não parecer algo bom agora e provavelmente você vai levar um bom tempo até se adaptar a está entre os dois lados, mas eu não vejo alguém mais capaz do que você para fazer parte de algo tão grandioso e honrado. - digo e ela sorrir em meio a uma careta. - Espero que quando estiver mais tranquila, você também esteja pronta para entender qual os eu papel nisso tudo a partir de agora e que possa nos ajudar no que está por vir. - completo e em seguida olha para Mikhaela e depois agora Safira, as cumprimentando com um aceno antes de me dirigir até a porta. - Então me deixar morrer nunca foi uma opção? - questiona Kimora quando eu abro a porta e eu sorrio, em seguida a olho por cima do ombro. - Você não é insignificante e descartável, isso significa apenas que meus métodos podem ser bem cruéis as vezes, afinal eu sou uma criatura desalmada. - respondo divertido e em seguida saio do quarto sem esperar por uma resposta sua. Eu não tenho tempo a perder com explicações detalhadas, afinal, a roda da fortuna não para de girar e com isso não dá para garantir que empecilhos não irão atrapalhar a ascensão do demônio de Jersey, por isso eu preciso ter os seis raios ao nosso favor, assim a roda do destino vai está sempre girando em prol do nosso sucesso. As seis bruxas da roda da fortuna devem se tornar parte da ordem. Caso contrário, o fim está próximo. ________________ Continua _________________
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