Capítulo 29

1434 Words
Asher Bianchi Quando Lila me olhou e disse “me beija”, eu juro que precisei de toda a minha força de vontade pra não perder o controle. Aquela mulher tinha o dom de me deixar completamente fora do eixo — e, pra piorar, estava linda, meio rindo, meio provocando, com as bochechas coradas pelo vinho e os olhos brilhando como se tivessem engolido um pedaço de céu. Beijei. Claro que beijei. E foi melhor do que eu lembrava. Intenso, quente, doce. O tipo de beijo que faz qualquer homem esquecer o próprio nome e o motivo pelo qual jurou manter as coisas “profissionais”. Mas quando senti o corpo dela se encaixando no meu e percebi o quanto estava perdendo o controle, precisei me afastar. Eu não podia. Não daquele jeito. Não com ela sob efeito do vinho, e tenho certeza absoluta que Lila é virgem! Quando eu tiver você na minha cama, vai ser com você sóbria – foi tudo o que consegui dizer, antes de levantar e respirar fundo. Ela me olhou, confusa e linda, os lábios inchados, o cabelo bagunçado… e foi ali que eu soube: estava ferrado. Completamente ferrado. Levei uns bons cinco minutos só pra conseguir me mover. Depois disso, fiz o que qualquer homem decente e desesperado faria: fui tomar um banho frio. Literalmente. Entrei de roupa e tudo, só pra ver se a água gelada me fazia esquecer o corpo de Lila contra o meu. Não funcionou, precisei me aliviar, porrä quanto tempo eu não fazia isso, parecia até um adolescente, fiquei ali de baixo do chuveiro, imaginando Lila, aquela bova quente e doce envolta do meu paü, e gozei, c*****o. Quando saí, respirei fundo, coloquei uma bermudas e camiseta e fui ver se ela tinha conseguido ir pro quarto. Bati na porta, e nada, então entrei. Ela estava desmaiada na cama toda torta, com um sorriso bobo no rosto e o cabelo todo caído na testa. Suspirei. - Você vai me matar, Lila. Peguei uma manta pra cobri-la, mas percebi que o zíper do short estava aberto. Ela devia estar desconfortável. Pensei em deixar pra lá, mas a consciência venceu. “Com respeito, Asher. Só ajuda.” Repeti mentalmente, como um mantra. Fui até seu closet e peguei um pijama que parecia ser confortável. Abaixei-me, tentando ser o mais cuidadoso possível, e comecei a desabotoar o resto do short, tirei a sua camiseta. Ela murmurou algo e se mexeu, e foi aí que eu vi — o ombro nu, a pele suave, o cheiro adocicado. Fechei os olhos, xinguei em voz baixa e quase saí correndo. Mas terminei o que comecei: ajudei a trocar de roupa, peguei pijama e vesti e vesti nela. O problema foi quando ela suspirou e agarrou o meu braço. - Asher… – murmurou, com a voz rouca. - Oi. – respondi baixinho, quase sem respirar. - Você cheira bem. Deixei-a confortavelmente deitada na cama, cobri com o lençol e saí do quarto o mais rápido possível, prometendo pra mim mesmo que não ia tocar nela, até ela me pedir. Naquela noite tomei o segundo banho gelado. {...} De manhã, ela apareceu na cozinha com a cara de quem sobreviveu a um furacão, e eu quase ri. A mulher é linda até de ressaca. Injusto. Tentei agir naturalmente, preparar café, fingir que o beijo da noite anterior não tinha me deixado acordado até quase amanhecer. Mas quando ela agradeceu por eu tê-la ajudado a trocar de roupa, ela ficou vermelha até a raiz do cabelo, eu quase perdi a compostura outra vez. O pior foi ouvir ela dizer que queria “esquecer o beijo”. Sorri por educação, mas por dentro ri. Esquecer? Nem ela acreditava nisso. E, sinceramente, agora virou questão de honra. Lila pode tentar negar o que sente, mas eu vou provar pra ela — devagar, no meu tempo — que aquilo foi real. {...} O jantar em família foi a cereja do bolo. Aparentemente, Deus decidiu testar a minha paciência naquele dia. Assim que entramos no salão da casa dos meus pais, senti o clima tenso. Raffaella estava de um lado da mesa, com aquele olhar desafiador, e Ivone — sim, a Ivone — estava ao lado do meu primo Frederico, com aquele sorrisinho fingindo simpatia. Lila, por outro lado, estava impecável. Vestido preto, cabelo preso num coque frouxo e um colar simples que, de algum jeito, deixava o pescoço dela ainda mais atraente. Minha mãe, como sempre, foi um anjo. - Lila, querida, você está deslumbrante! – disse, abraçando-a com carinho. Meu pai sorriu, satisfeito. - Finalmente uma mulher que faz o Asher parecer humano. A mesa riu. Exceto duas pessoas: Raffaella e Ivone. O jantar começou até bem, com conversas leves sobre negócios e viagens. Mas, claro, não demorou muito para Raffaella e Ivone começarem a jogar o seu veneno. Raffaella foi a primeira. - Então, Lila, você trabalha com o quê mesmo? Lila sorriu, tentando ser gentil. - Atualmente, não estou trabalhando. - Ah, entendi. – Raffaella arqueou uma sobrancelha. – Então está vivendo do dinheiro do Asher. Respirei fundo, cravando o garfo na carne com força. Minha mãe lançou um olhar fulminante pra Raffaella. Lila estava sem graça, segurei a sua mão para saber que não importava o que os outros pensavam, eu estava ali por ela. - Raffaella, querida, às vezes o silêncio é uma virtude. Mas Ivone não resistiu. - Acho admirável o Asher dar uma chance pra alguém tão… simples. – ela forçou um sorriso doce. – Fiquei sabendo que era empregada doméstica. O barulho do meu talher caiu sobre o prato. Lila empalideceu, e eu senti o sangue ferver. - Cuidado com o que você diz, Ivone. – a minha voz saiu baixa, mas firme. – Porque da última vez que alguém me subestimou, acabou mostrando o quão pequena realmente era. Ela corou, e Frederico tentou mudar de assunto, mas eu o encarei — aquele olhar que dizia eu sei o que você fez. Ele desviou os olhos, covarde como sempre. A minha tia tentou apaziguar. - Vamos comer, por favor. Estamos aqui pra celebrar, não discutir. Mas o clima estava longe de calmo. Raffaella cruzou as pernas e sussurrou, alto o bastante pra Lila ouvir: - De toda forma, Asher, você sempre gostou de desafios, não é? – a conversa que tive com ela a alguns dias, parece não ter feito diferença nenhuma para ela. Olhei pra ela e sorri de um jeito que, espero, tenha deixado claro que o “desafio” dela seria se manter fora dessa história. - Sim, gosto de desafios. Principalmente quando valem a pena. Peguei a mão de Lila sobre a mesa e dei um leve aperto. Ela olhou pra mim, surpresa, e eu só disse: - E esse vale. - O meu primo está realmente apaixonado. – Frederico falou, com tom debochado, o fuzilei, e não respondi. O resto do jantar foi uma mistura de risadas forçadas e comentários atravessados. Meus pais, visivelmente constrangidos, tentavam manter a conversa, mas Raffaella e Ivone pareciam competir pra ver quem soltava mais veneno. Quando enfim saímos da casa, eu já estava no limite. Abri a porta do carro pra Lila, e ela entrou em silêncio. No trajeto de volta, só o som do motor do carro preenchia o espaço. Ela quebrou o silêncio primeiro. - Você não precisava ter feito isso. - Feito o quê? – perguntei, ainda tenso. - Me defender daquele jeito. Só piorou as coisas com a sua irmã e… ela. - Lila – falei, virando o rosto pra ela – eu não vou ficar calado enquanto alguém tenta te humilhar. Principalmente Ivone. Ela baixou o olhar. - Ela ainda te afeta, não é? - Não do jeito que você pensa. - Ficamos em silêncio de novo, até que ela sorriu de leve. - Obrigada, Asher. - Pelo o quê? - Por ter ficado do meu lado. Eu nunca tive alguém que me defendesse assim. Olhei pra ela. Tão genuína, tão real. E foi ali que percebi: o problema não era fingir um noivado. O problema era que, a cada dia, eu queria que fosse verdade. Quando chegamos em casa, ela foi direto pro quarto, e eu fiquei parado na sala por alguns minutos, revendo mentalmente tudo o que aconteceu. Raffaella e Ivone tinham deixado bem claro o tipo de pessoas que eram. Mas agora… agora era pessoal. E se elas achavam que podiam transformar Lila em alvo, estavam muito enganadas. Dessa vez, eu ia protegê-la — com unhas, dentes e o que mais fosse preciso.
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